Operação Boi Gordo

Esquema em frigoríficos teria gerado rombo de quase meio bilhão aos cofres públicos em Rondônia

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O Ministério Público de Rondônia (MPRO) denunciou, nesta quarta-feira (4), seis pessoas investigadas na Operação Boi Gordo, deflagrada em 2019 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A investigação apura um suposto esquema de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro envolvendo unidades frigoríficas do setor de carnes em diversos municípios do estado. Os nomes dos suspeitos e das empresas não foram divulgados.

De acordo com o MP, as apurações indicam a existência de uma organização criminosa formada por empresários, intermediários e agentes públicos. O grupo teria atuado para reduzir ilegalmente o pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por meio da manipulação de créditos fiscais e, simultaneamente, garantir proteção contra fiscalizações tributárias.

As investigações envolveram diligências, medidas cautelares e acordos de colaboração premiada. Segundo a denúncia, o esquema oferecia às empresas um “pacote” ilegal que incluía aumento artificial de créditos de ICMS e promessa de blindagem contra ações fiscais, com fiscalizações previamente combinadas para aparentar legalidade.

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O MP atribui aos denunciados crimes de organização criminosa com participação de servidor público, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, que teriam sido praticados de forma conjunta.

Ainda conforme a denúncia, a fraude fiscal provocou prejuízo estimado em R$ 159 milhões em ICMS não recolhido. Com a incidência de multas, juros e correção monetária, o valor ultrapassa R$ 439 milhões, segundo autos de infração da Secretaria de Estado de Finanças (Sefin).

Em troca dos benefícios ilegais, o grupo teria recebido propinas milionárias, incluindo ao menos R$ 7 milhões identificados em dinheiro e transferências bancárias disfarçadas por contratos e notas fiscais de serviços contábeis. Também há indícios de pagamentos mensais a um agente público responsável pela fiscalização de uma unidade frigorífica em Ariquemes.

Além das penas de prisão e multas, o Ministério Público requereu a perda de bens e valores obtidos com os crimes, com aplicação de confisco ampliado, e a condenação dos denunciados ao pagamento de indenização por dano moral coletivo de R$ 439,8 milhões, em razão do impacto do esquema na arrecadação estadual e na concorrência do setor. Para o agente público envolvido, foi solicitada ainda a perda do cargo em caso de condenação.

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Com a apresentação da denúncia, o caso entra na fase judicial. Caberá ao Poder Judiciário analisar o recebimento da acusação, citar os denunciados para apresentação de defesa, conduzir a instrução processual e, ao final, julgar o mérito da ação.

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CPMI do INSS: Viana pede a Mendonça quebra de sigilos de Vorcaro

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O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) disse, nesta sexta-feira (13/2), que pediu ao relator do caso Master, ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a devolução ao colegiado de todos os documentos referentes às quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

“Esses elementos são fundamentais para a continuidade dos trabalhos da CPMI, para a consolidação das provas já colhidas e para o avanço responsável do relatório final. A Comissão tem o dever constitucional de apurar os fatos com profundidade, respeito ao devido processo legal e total transparência”, destacou o senador no pedido.

Viana havia encaminhado um pedido para Toffoli, ex-relator do caso, pedindo acesso aos sigilos do Master quebrados pela Justiça. Entretanto, o ministro afirmou que só poderia disponibilizar os documentos quando a Polícia Federal (PF) finalizasse o processo.

Ele também informou que há uma audiência com Mendonça para a primeira semana após o Carnaval. “Na ocasião, trataremos pessoalmente da importância da cooperação entre os Poderes para que a CPMI possa cumprir integralmente sua missão”, ressaltou.

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Vorcaro foi convocado a comparecer à CPMI do INSS em 26 de fevereiro e confirmou a presença após um acordo da defesa com o colegiado. Ele deve prestar esclarecimentos sobre fraudes envolvendo o Master.

Fraudes no INSS
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.

As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.

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