Sonia Mazetto

Estamos nos desumanizando?

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Tenho sido questionada com frequência sobre os recentes episódios de violência que vêm ganhando destaque no país. Tentativas de homicídio, crimes cometidos com extrema frieza, indiferença diante do sofrimento alheio. A pergunta que sempre me fazem é: o que está acontecendo com o ser humano?

A minha primeira reflexão… será que isso é novo? Na verdade, se viajarmos pela história, seja nos registros religiosos, históricos ou sociais, veremos que a violência sempre existiu. Assassinatos por poder, vingança, ambição ou orgulho fazem parte da trajetória humana há séculos. Mas há algo que me preocupa profundamente, que é a sensação de que estamos vivendo um processo de desumanização.

Quando digo desumanização, refiro-me à perda da capacidade de enxergar o outro como semelhante. Passamos a tratar pessoas como objetos, e o objeto pode ser descartado, substituído, eliminado. Quando se perde o valor da vida, perde-se a base da convivência humana.

Outra questão importante é entender que atos extremos não nascem no momento em que acontecem, eles são construídos. Antes da ação, houve pensamento, antes do gesto violento, houve sentimento alimentado, muitas vezes por frustração, ressentimento ou falta de limites internos.

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Nada acontece de forma totalmente impulsiva. O cérebro automatiza aquilo que já foi repetidamente pensado. A violência começa muito antes da agressão física, ela começa na maneira como lidamos com nossas emoções e com o outro.

Também observo uma preocupante normalização do absurdo. Casos graves passam a ser tratados como “mais um fato”. Parece haver uma anestesia coletiva, não sei se pelo excesso de informação, acesso às notícias ou aproximação por conta das redes sociais. Quando deixamos de nos indignar, algo em nós também adoece.

E onde entram os valores nisso tudo? Eles são a base. A infância é o período em que o caráter começa a ser moldado. Crianças se espelham no ambiente em que vivem. Se aprendem respeito, empatia e responsabilidade, essas referências tendem a acompanhá-las pela vida. Se aprendem indiferença, agressividade ou desvalorização do outro, isso também deixa marcas.

Eu acredito que todos nós carregamos dentro de nós potenciais distintos, para o cuidado ou para a destruição. O que ganha força é aquilo que alimentamos diariamente. Pensamentos, escolhas e atitudes constroem nossa conduta. Na verdade, não acredito que esteja tudo perdido, mas acredito que precisamos assumir responsabilidade coletiva.

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Precisamos retomar o valor da vida, fortalecer vínculos familiares, investir em educação emocional e, principalmente, vigiar nossas próprias atitudes, porque cada vez que deixamos de enxergar o outro como ser humano, damos um passo em direção à desumanização. E essa é uma escolha que, individualmente e como sociedade, não podemos continuar fazendo.

Qual a escolha que norteia a sua vida? Pense nisso, porque a resposta define o futuro de uma família, de um país e da comunidade.

Sonia Mazetto – Gestora de Potencial Humano, Terapeuta Integrativa, Fonoaudióloga e Palestrante

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ARTIGO

Feminicídio não pode ter espaço para impunidade

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Os dados recentes que apontam a existência de 18 foragidos da Justiça acusados de feminicídio em Mato Grosso são um alerta grave para toda a sociedade, não só mato-grossense como brasileira.

Estamos falando de crimes que representam a forma mais brutal de violência contra a mulher, motivados pelo ódio, pelo sentimento de posse e pela tentativa de controle sobre a vida feminina.

Quando um agressor permanece foragido, a sensação de insegurança se espalha não apenas entre familiares das vítimas, mas entre todas as mulheres. Cada mandado de prisão não cumprido representa um risco real e concreto, além de reforçar a percepção de impunidade que ainda persiste em muitos casos de violência contra a mulher.

O feminicídio não surge do nada. Ele costuma ser o desfecho de um histórico de violência doméstica, ameaças e agressões que poderiam ser interrompidas com medidas preventivas eficazes.

Por isso, é fundamental que o Estado atue de forma integrada, fortalecendo o trabalho das polícias, do Judiciário e das redes de proteção às vítimas. Como Procuradora da Mulher na Câmara, temos agido para ampliar o debate sobre o enfrentamento à violência contra a mulher, defender o fortalecimento das políticas públicas de proteção e cobrar maior rigor na responsabilização dos agressores.

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Precisamos ampliar o acesso às medidas protetivas, garantir acolhimento às mulheres em situação de vulnerabilidade e investir em campanhas de conscientização que estimulem a denúncia. Muitas vítimas ainda silenciam por medo, dependência emocional ou financeira e falta de apoio institucional.

Também é necessário assegurar que criminosos sejam localizados e responsabilizados. A justiça precisa ser rápida e efetiva, pois cada falha na punição contribui para perpetuar o ciclo de violência.

Enquanto procuradora da mulher na Câmara dos Deputados, reafirmo meu compromisso com o fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção feminina e ao endurecimento das medidas contra agressores. A defesa da vida das mulheres deve ser prioridade absoluta.

Não podemos aceitar que mulheres continuem perdendo suas vidas por serem mulheres. Combater o feminicídio é uma responsabilidade coletiva e uma luta permanente por justiça, dignidade e respeito.

Coronel Fernanda é deputada federal e Procuradora da Mulher na Câmara Federal

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