O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) abriu investigação para apurar denúncias de supostos casos de assédio moral no Colégio Salesiano São Gonçalo, em Cuiabá. Entre as acusações apresentadas pelo Sindicato dos Trabalhadores de Ensino do Estado de Mato Grosso (Sintrae-MT) está uma possível prática de intolerância religiosa no ambiente de trabalho. O diretor-geral da instituição, padre Marcelo Fujimura, também é citado na representação.
O MPT-MT revelou ao portal de notícias G1 que denúncia foi protocolada pelo sindicato antes da divulgação pública de uma carta aberta com as acusações, divulgada na última semana. Após receber a representação, o órgão agendou uma audiência com representantes do sindicato para esclarecer os fatos relatados.
Paralelamente, o colégio foi notificado para apresentar sua manifestação e fornecer as informações solicitadas pelo Ministério Público do Trabalho no decorrer da apuração.
Além das novas denúncias, o MPT abriu outro procedimento para verificar um possível descumprimento de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado com o Colégio Salesiano São Gonçalo em 2008. Entre os compromissos assumidos pela instituição está a obrigação de não adotar condutas que possam caracterizar assédio moral no ambiente profissional.
Na carta encaminhada ao diretor-geral, o Sintrae-MT afirma que o ambiente de trabalho teria se deteriorado após a mudança na gestão da instituição. De acordo com o sindicato, professores e funcionários administrativos estariam enfrentando situações consideradas abusivas e constrangedoras.
Entre as condutas relatadas pela entidade estão supostos episódios de intolerância religiosa e desrespeito à diversidade, tratamento considerado inadequado com trabalhadores, cobranças administrativas excessivas, inclusive fora do horário de expediente, e entradas de gestores em salas de aula sem aviso prévio.
O sindicato também afirma que professores teriam sido submetidos a avaliações consideradas subjetivas e depreciativas, além de abordagens a estudantes para obter opiniões negativas sobre o desempenho dos docentes. A entidade relata ainda episódios em que professores teriam sido constrangidos diante dos próprios alunos durante as aulas.
Ainda segundo o Sintrae-MT, as situações denunciadas teriam provocado impactos emocionais entre os trabalhadores, incluindo desmotivação, adoecimento e perda de confiança no ambiente profissional.
Na carta, o sindicato também questiona o modelo de gestão adotado pela instituição e critica uma suposta transformação da relação educacional em uma lógica predominantemente comercial, na qual estudantes seriam tratados como clientes e trabalhadores como prestadores de serviço.
O MPT-MT esclareceu que os procedimentos ainda estão em fase de apuração. Neste momento, o objetivo é reunir documentos e depoimentos, verificar a procedência das denúncias e analisar se houve eventual descumprimento das obrigações previstas no TAC firmado em 2008.
Até a conclusão das investigações, não há definição sobre a responsabilidade dos envolvidos ou sobre a existência das irregularidades denunciadas.
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