O diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência do Ministério da Saúde, Fernando Figueira, alertou que Mato Grosso pode sofrer sanções caso não corrija irregularidades identificadas no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A declaração foi feita nesta terça-feira (28), durante reunião da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), onde foram apresentados os resultados de relatórios técnicos e auditorias realizadas no serviço.
Segundo o levantamento, foram constatadas falhas principalmente na gestão de recursos humanos e na aplicação de verbas federais. Há indícios de uso indevido de recursos destinados exclusivamente à saúde, com possível direcionamento para profissionais ligados a outras estruturas, como o Corpo de Bombeiros, o que contraria normas do Sistema Único de Saúde (SUS).
Apesar das inconsistências, o Ministério da Saúde informou que adota, neste momento, uma postura de orientação e ajuste. No entanto, não descarta medidas mais rigorosas caso os problemas persistam, como suspensão de repasses, devolução de recursos e restrição de novos investimentos no Samu.
Outro ponto crítico apontado pela auditoria é o funcionamento da Central de Regulação dentro do Ciosp, considerado inadequado para o atendimento de saúde, especialmente por comprometer o sigilo de informações clínicas. Também foi identificado que as chamadas pelos números 192 e 193 não estão integradas, o que pode gerar duplicidade de atendimentos.
O relatório ainda descreve condições precárias de trabalho, com estruturas inadequadas, infiltrações, falta de manutenção e número insuficiente de profissionais. Das 10 unidades habilitadas, apenas seis estavam em funcionamento, algumas sem atendimento 24 horas.
Além disso, veículos do Samu estão parados por falta de uso ou aguardando autorização para descarte, enquanto motos do serviço permanecem inoperantes desde março.
Mesmo diante do cenário, o governo federal sinalizou a possibilidade de novos investimentos e a entrega de ambulâncias até junho, desde que haja adequação do serviço.
Durante a reunião, o governador Otaviano Pivetta afirmou que pretende discutir o tema com representantes da categoria antes de qualquer decisão. Ele destacou que o Estado está disposto a corrigir falhas e garantir o funcionamento do serviço.
Pivetta também defendeu a atuação do Corpo de Bombeiros no atendimento de urgência, ressaltando a qualificação dos profissionais. Segundo ele, a prioridade é encontrar soluções eficientes, com uso adequado dos recursos públicos.
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