A jovem Vitória Sara Bezerra Lupatini, conhecida como “Sarinha da Toyota”, se apresentou à Polícia Civil na tarde desta quinta-feira (27), em Sorriso, a 420 km de Cuiabá. Ela estava acompanhada de um advogado e é apontada pelos investigadores como uma das principais envolvidas em um suposto esquema de desvio de veículos que teria movimentado aproximadamente R$ 50 milhões em um ano.
Vitória é investigada no âmbito da Operação Pátio Paralelo, deflagrada na quarta-feira (26), e poderá responder por crimes como furto qualificado e associação criminosa.
Segundo a Polícia Civil, a jovem trabalhava como vendedora em uma concessionária e teria movimentado cerca de R$ 8 milhões em uma conta bancária pessoal ao longo de 12 meses. A investigação aponta que ela teria participado diretamente da captação de clientes, das negociações, do recebimento de veículos usados, da indicação de contas para pagamentos e da movimentação dos recursos.
O delegado Thiago Meira, responsável pelo caso, informou que Vitória será interrogada nesta sexta-feira (28). Os investigadores devem utilizar também os dados extraídos de celulares apreendidos durante a operação e informações obtidas por meio de quebras de sigilo bancário para aprofundar a apuração.
Outros investigados já foram ouvidos e, segundo a Polícia Civil, negaram envolvimento nas irregularidades.
A polícia também trabalha para identificar outras pessoas que possam ter participado do esquema. Vitória ainda é investigada por possível envolvimento em outros crimes registrados em Sorriso.
Até o momento, o prejuízo comprovado é estimado em R$ 2 milhões, mas o valor pode aumentar à medida que novas vítimas sejam identificadas. Entre 15 e 20 pessoas já são consideradas possíveis vítimas.
De acordo com as investigações, os suspeitos teriam aproveitado a estrutura e a credibilidade de uma concessionária de Sorriso para atrair consumidores durante aproximadamente um ano. A própria empresa é considerada a principal vítima da fraude.
O esquema envolveria principalmente veículos usados entregues pelos clientes como parte do pagamento na aquisição de carros novos.
Os automóveis deveriam ser avaliados e ter o valor abatido da negociação. No entanto, segundo a investigação, alguns veículos teriam sido retirados da concessionária e encaminhados para outras garagens ligadas aos investigados, sem que os respectivos valores fossem devidamente considerados no negócio.
Além dos veículos, os investigadores identificaram suspeitas de desvio de valores pagos pelos consumidores. Parte do dinheiro teria sido direcionada para contas de pessoas físicas, terceiros e empresas relacionadas aos envolvidos.
A suspeita é de que essa estrutura financeira tenha sido utilizada para dificultar o rastreamento dos recursos e ocultar a origem dos valores. Algumas empresas também teriam servido para dar aparência de regularidade às movimentações.
A operação cumpre mais de 20 medidas judiciais, incluindo uma prisão preventiva, sete mandados de busca e apreensão, nove ordens relacionadas ao acesso a informações bancárias e cinco determinações de bloqueio de ativos financeiros.
Durante as buscas, os policiais recolheram ou procuraram equipamentos e documentos que possam ajudar na investigação, como celulares, computadores, notebooks, tablets, HDs, pendrives, cartões de memória, contratos, comprovantes de pagamentos e outros registros das negociações.
A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. A partir desses dados, a Polícia Civil pretende reconstruir o caminho percorrido pelos recursos, identificar os destinatários dos pagamentos e analisar comunicações que possam estar relacionadas ao esquema.
Também foi determinado o bloqueio de valores e o sequestro de bens até o limite de R$ 2 milhões.
As investigações continuam para localizar veículos que possam ter sido desviados, rastrear os valores movimentados e verificar a eventual participação de outras pessoas e empresas.
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