PRONUNCIAMENTO

Mauro Mendes diz que acordo com a Oi foi legal e atribui operação da PF a interesses políticos

Publicado em

O ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, se manifestou nesta quinta-feira (6) após ser alvo de um mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal no âmbito da investigação que apura um acordo firmado entre o Governo do Estado e a empresa Oi S.A. A negociação resultou no pagamento de R$ 308,1 milhões para encerrar uma disputa judicial envolvendo cobrança de tributos. Em vídeo publicado nas redes sociais, Mendes negou qualquer irregularidade, afirmou que o acordo foi legal e atribuiu a investigação a motivações políticas e eleitorais.

Segundo o ex-governador, os agentes da Polícia Federal estiveram em sua residência apenas para recolher seu passaporte. Ele afirmou que não recebeu qualquer benefício financeiro relacionado ao acordo e destacou que nem ele nem familiares possuem qualquer vínculo com os fundos que receberam os valores decorrentes da negociação.

Na gravação, Mendes explicou que a origem da disputa remonta a 2009, quando o Estado bloqueou recursos da concessionária para cobrança de impostos. Após sucessivas derrotas judiciais, a dívida, corrigida, teria alcançado aproximadamente R$ 580 milhões em 2024. Para encerrar o processo, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) negociou um acordo que reduziu o valor para R$ 308 milhões.

Leia Também:  TRE-MT mantém prefeito e vice de Jauru mesmo após denúncias de compra de votos

O ex-governador ressaltou que o entendimento foi conduzido pela PGE e recebeu aval de diferentes órgãos de controle e do Poder Judiciário.

“Esse acordo passou por diversos procuradores, foi homologado pela Justiça e considerado legal e vantajoso pelo Tribunal de Contas, Ministério Público de Contas e Ministério Público Estadual. Portanto, o pagamento realizado pelo Governo do Estado ocorreu dentro da legalidade”, declarou.

O acordo foi firmado em abril de 2024 para colocar fim a uma disputa judicial sobre a cobrança de ICMS que se estendia havia mais de uma década. Agora, a negociação passou a ser alvo da investigação conduzida pela Polícia Federal.

Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado informou que acompanha a apuração e afirmou que irá colaborar com todas as solicitações da Polícia Federal. A PGE declarou ainda confiar no trabalho investigativo e acreditar que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo.

A empresa Oi também se pronunciou. Em nota, informou que a atual administração da companhia não participou da negociação investigada e afirmou estar à disposição das autoridades para fornecer as informações solicitadas. A operadora acrescentou que não comenta processos judiciais em andamento.

Leia Também:  Servidor da Setasc é preso por desenvolver site para comércio de drogas

De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que o acordo possa ter sido utilizado para desviar recursos públicos e ocultar a destinação dos valores por meio de operações financeiras. Antes mesmo da operação desta quinta-feira, a negociação já era questionada na Justiça por meio de uma ação popular proposta pelo ex-governador e atual candidato ao Senado, Pedro Taques, que pede a anulação do acordo sob a alegação de supostas irregularidades.

Entre no grupo do Folha360 no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

Política MT

Deputado Fábio Garcia, vice na chapa de Pivetta, está entre os alvos da PF

Published

on

O deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos), também é alvo da Operação Heritage, deflagrada na manhã desta quinta-feira (6). Agentes cumprem mandados de busca e apreensão contra o parlamentar.

A operação atinge outras figuras de destaque da política mato-grossense. Entre os alvos está o ex-governador Mauro Mendes (União), candidato ao Senado Federal, cuja residência no Condomínio Alphaville, em Cuiabá, foi alvo de buscas por equipes policiais.

Outro endereço visitado pelos investigadores é o antigo escritório de advocacia do desembargador Ricardo Almeida, localizado em um prédio comercial na Avenida do CPA, na Capital. Policiais deixaram o local carregando duas mochilas contendo documentos e outras mídias apreendidas durante as diligências. Apesar da retirada desse material, duas equipes permaneceram no imóvel dando continuidade aos trabalhos de busca.

O que a operação apuraA operação investiga crimes de lavagem de dinheiro e contra o sistema financeiro em um acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo do Estado e a empresa de telefonia Oi.

Leia Também:  TRE-MT mantém prefeito e vice de Jauru mesmo após denúncias de compra de votos

Policiais federais cumprem 25 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Também estão sendo cumpridas medidas de afastamento dos sigilos bancário e fiscal, bloqueio e indisponibilidade de bens até o limite aproximado de R$ 316 milhões, proibição de saída do país com o recolhimento de passaportes, proibição de contato entre investigados, entre outras medidas cautelares.

As investigações tiveram origem na análise de um acordo celebrado entre o estado de Mato Grosso e a empresa privada de telefonia, envolvendo a restituição de valores decorrentes de disputa tributária. Há indícios de que a operação financeira tenha sido utilizada para viabilizar o desvio de recursos públicos superiores a R$ 308 milhões, mediante a utilização de estrutura financeira composta por fundos de investimento em cascata e pessoas jurídicas interpostas, com o objetivo de ocultar e dissimular a origem, a movimentação e a destinação dos recursos.

Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada, sem prejuízo de outras infrações penais que venham a ser identificadas ao longo da investigação.

Leia Também:  Janaina Riva anuncia aliança com o PL para o Senado com aval de Flávio e Michelle Bolsonaro

Entre no grupo do Folha360 no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

GRANDE CUIABÁ

MATO GROSSO

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA