SISTEMA TRAVADO

Deputado cobra solução para falhas no CAR que travam regularização ambiental e acesso a crédito em MT

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O deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos) participou da reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária de Mato Grosso (FPA-MT) nesta terça-feira (19) para debater as graves e recorrentes falhas enfrentadas pelos produtores rurais no sistema do Cadastro Ambiental Rural (CAR). O encontro reuniu lideranças do setor produtivo e representantes de entidades ligadas ao agronegócio mato-grossense, com críticas direcionadas à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) diante dos entraves operacionais na plataforma.

Diego Guimarães, que retoma as atividades na Assembleia Legislativa nesta semana, manifestou profunda preocupação com a insegurança jurídica gerada pela transição e operacionalização do sistema. Segundo o parlamentar, produtores de diversas regiões do estado relatam instabilidade e demora na análise dos cadastros enviados, cenário que trava os processos de regularização ambiental e prejudica diretamente a economia do campo e o acesso a crédito em instituições bancárias.

“O produtor precisa de segurança jurídica para continuar produzindo. O CAR é uma ferramenta importante, mas o sistema precisa funcionar com eficiência, previsibilidade e agilidade para não prejudicar quem trabalha e produz em Mato Grosso. Por isso, iremos levar esta demanda até o Governo para podermos agilizar essa resolução”, afirmou o deputado.

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Entre os principais problemas relatados durante o encontro estão a instabilidade na plataforma, a lentidão nos processos e a demora na análise dos cadastros. O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luís Fernando Amado Conte, ressaltou a importância da participação da FPA-MT nas discussões sobre o tema e defendeu que os parlamentares levem as demandas do setor produtivo ao governador Otaviano Pivetta e à Sema-MT.

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Jovem produtor dá continuidade a legado iniciado nos anos 90 em MT

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A história do produtor rural Anderson Fritzen Frizzo, de 32 anos, se confunde com a própria expansão agrícola de Querência, no nordeste de Mato Grosso. O que hoje é uma propriedade consolidada começou com uma decisão ousada nos anos 1990, quando sua família deixou o Rio Grande do Sul para apostar em terras ainda pouco exploradas no Centro-Oeste.

Com raízes nos municípios gaúchos de Sede Nova e Humaitá, a agricultura sempre fez parte da identidade familiar. No início da década de 1990, movidos por relatos sobre o potencial produtivo de Mato Grosso, os Frizzo decidiram conhecer de perto a nova fronteira agrícola. A visita ocorreu em 1993. No ano seguinte, veio a decisão definitiva: vender parte das terras no Sul e investir em uma área em Querência, onde hoje está instalada a sede da fazenda.

Anderson tinha apenas um ano e meio quando seus pais chegaram ao estado, acompanhados de dois cachorros e um carro simples. Trouxeram consigo mais do que pertences — carregavam fé, coragem e a disposição para recomeçar. Os primeiros anos foram marcados por desafios intensos, desde a abertura das áreas até a construção da fertilidade do solo.

Mesmo criança, Anderson guarda lembranças vivas daquele período.

“Desde pequeno convivi com tudo isso. Acompanhei a abertura das áreas, o planejamento, o trabalho pesado. Foram anos difíceis, mas são memórias boas, que marcaram nossa trajetória”, relembra.

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A formação da agricultura local aconteceu de forma colaborativa. Famílias recém-chegadas trocavam experiências, aprendiam juntas e estruturavam as bases produtivas da região. Nesse ambiente, Anderson cresceu absorvendo valores e desenvolvendo uma ligação natural com o campo.

Apesar da forte influência familiar, teve liberdade para escolher o próprio caminho. Ainda jovem, voltou ao Rio Grande do Sul para cursar técnico em informática, em regime de internato. Mas a experiência não confirmou sua vocação.

“Meu pai disse: ‘Volta e trabalha com a gente na fazenda para ver se é isso que você quer’. Quando retornei, o amor que já tinha pelo campo só aumentou”, conta.

A decisão definitiva veio com a graduação em Agronomia, cursada em Goiânia. Após concluir o curso, Anderson retornou para Querência, onde há cerca de 11 anos atua diretamente na gestão e na condução da propriedade.

Um dos momentos mais marcantes dessa caminhada foi a perda do avô materno, grande incentivador da mudança para Mato Grosso.

“Foi uma divisão de águas. Ele era apaixonado por essa terra. Mesmo com a dor da perda, decidimos continuar o legado que ele ajudou a construir”, relata, emocionado.

Hoje, a história ganha novos capítulos. Anderson é casado, pai de uma menina de seis anos e aguarda a chegada do segundo filho, Pedro. A irmã também constituiu família, fortalecendo a sucessão que mantém viva a trajetória iniciada décadas atrás.

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“Mostramos aos nossos filhos de onde viemos e tudo o que foi construído com dedicação. É um legado de trabalho e amor pela terra.”

Para ele, o agro atual é muito diferente daquele do início da colonização da região. Se antes o foco era abrir áreas e estruturar o solo, hoje o campo é altamente tecnológico, exigindo conhecimento técnico e capacidade de gestão diante de inúmeras variáveis.

Anderson acredita que justamente essa transformação pode atrair as novas gerações.

“A tecnologia é uma porta de entrada para os jovens. O campo hoje é inovação, é gestão, é estratégia. Existe muito espaço para quem quer crescer dentro do agro.”

Com orgulho, ele resume o sentimento que move sua trajetória: produzir alimentos e contribuir diariamente para a mesa de milhões de brasileiros.

A história da família Frizzo é mais do que um relato de sucesso no agronegócio. É a representação de uma geração que acreditou na terra, enfrentou desafios e construiu, com trabalho e perseverança, um legado que segue florescendo em Mato Grosso.

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