POVO TAPAYUNA

União é condenada a indenizar povo indígena e concluir demarcação em MT

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A Justiça Federal determinou que a União e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) finalizem, em até 24 meses, o processo de demarcação do território tradicional do povo Kajkwakratxi, também conhecido como Tapayuna, em Mato Grosso. Além da regularização da área, a sentença prevê o pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos e a realização de um pedido público de desculpas à comunidade indígena.

A decisão foi proferida pelo juiz federal Pablo Kipper Aguilar, que reconheceu a responsabilidade do Estado brasileiro por uma série de violações históricas sofridas pelo povo Tapayuna. Entre as medidas impostas, a União deverá reunir e disponibilizar documentos existentes no Arquivo Nacional relacionados aos conflitos ocorridos durante a ocupação da região do Rio Arinos e ao deslocamento forçado dos indígenas para o Parque Indígena do Xingu.

O processo contou com a atuação do Ministério Público Federal (MPF) e da Defensoria Pública da União (DPU), que defenderam a necessidade de reparação pelos danos causados à comunidade e a garantia de seus direitos territoriais.

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Ao analisar o caso, o magistrado afastou o argumento apresentado pela União e pela Funai de que o prazo de dez anos estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para a conclusão das demarcações impediria uma intervenção judicial. Segundo ele, o cronograma definido pelo STF possui caráter administrativo e não pode servir como justificativa para atrasos excessivos em processos que envolvem direitos fundamentais dos povos indígenas.

A decisão foi recebida com entusiasmo pela comunidade. O presidente da Associação Indígena Tapayuna (AIT), Wetaktxi Tapayuna, afirmou que a sentença representa uma vitória histórica e o reconhecimento de uma luta travada por gerações em defesa do território ancestral do povo Kajkwakratxi.

Conforme informações do Ministério Público Federal, os Tapayuna enfrentaram décadas de violações de direitos que afetaram profundamente sua estrutura social, cultural e territorial. Na década de 1970, a comunidade foi retirada de forma compulsória de suas terras tradicionais e transferida para o Parque Indígena do Xingu, em uma ação conduzida pelo Estado.

O MPF também relembra que, em 1968, foi criada a Reserva Indígena Tapayuna, mas a área acabou sendo extinta oito anos depois sob a alegação de que não havia mais indígenas na região. No entanto, investigações e registros posteriores apontam que integrantes da etnia permaneceram no território, incluindo possíveis grupos isolados.

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Com a nova decisão, a Justiça busca garantir não apenas a conclusão da demarcação da terra tradicional, mas também promover medidas de reparação histórica diante dos impactos sofridos pelo povo Tapayuna ao longo das últimas décadas.

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CIDADES

Ex-companheiros brigam por dívida de R$ 30 mil e quebram veículos em MT

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Uma discussão entre dois ex-companheiros terminou com veículos danificados e acusações de ameaça e agressão, no último domingo (26), em Pedra Preta, a 243 quilômetros de Cuiabá. A confusão ocorreu em frente à casa da atual namorada do homem, de 57 anos.

Segundo a Polícia Militar, a mulher, de 59 anos, teria ido até o endereço para cobrar uma suposta dívida de R$ 30 mil. Durante o desentendimento, ela danificou o carro do ex-companheiro, que estava estacionado na rua. Na sequência, o homem pegou um capacete e atingiu a motocicleta usada pela ex para chegar ao local.

Conforme o boletim de ocorrência, o homem relatou aos policiais que a ex-companheira chegou alterada e teria feito ameaças contra ele e a atual namorada. Segundo a versão apresentada, ela teria dito que poderia acionar integrantes de uma facção criminosa para agredir o casal e até realizar disparos contra eles.

Ainda de acordo com o relato, a mulher utilizou um capacete para golpear repetidamente o automóvel, provocando a quebra de todos os vidros. Ao perceber a situação, o homem saiu da residência, tomou o objeto e o utilizou para danificar a parte dianteira da motocicleta dela.

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A mulher, por sua vez, confirmou que foi até o imóvel para cobrar os R$ 30 mil que, segundo ela, seriam devidos pelo ex-companheiro. Ela admitiu ter perdido o controle durante a discussão e afirmou que danificou o carro com a intenção de provocar o maior prejuízo possível.

Ela também acusou o homem de ter usado um objeto para danificar sua motocicleta e agredi-la. Os policiais constataram que a mulher apresentava ferimentos na perna esquerda e na mão direita.

O homem negou a agressão e afirmou que as lesões teriam sido provocadas por uma queda de motocicleta sofrida pela ex-companheira antes da discussão.

Diante das versões divergentes, os dois foram encaminhados à delegacia. A ocorrência foi registrada como suspeita de dano, ameaça e lesão corporal.

O caso será investigado para esclarecer a origem da dívida, as ameaças relatadas, os danos causados aos veículos e a circunstância em que a mulher sofreu os ferimentos.

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