JULGAMENTO NO STF
STF torna Bolsonaro 1° ex-presidente réu por golpe
Publicado em
26 de março de 2025por
Folha 360
A maioria da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) votou nesta quarta-feira (26) para que o ex-presidente Jair Bolsonaro se torne réu pelos crimes de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito.
É a primeira vez que um ex-presidente eleito é colocado no banco dos réus por crimes contra a ordem democrática estabelecida com a Constituição de 1988. Esses tipos de crime estão previstos nos Artigos 359-L (golpe de Estado) e 359-M (abolição do Estado Democrático de Direito) do Código Penal brasileiro.
“Não há então dúvidas de que a procuradoria apontou elementos mais do que suficientes, razoáveis, de materialidade e autoria para o recebimento da denúncia contra Jair Messias Bolsonaro”, disse Moraes, relator do caso no Supremo, referindo-se à acusação apresentada no mês passado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O relator votou para que Bolsonaro também responda, na condição de réu no Supremo, aos crimes de organização criminosa armada, dano qualificado pelo emprego de violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. Se somadas, todas as penas superam os 30 anos de cadeia.
Até o momento, seguiram o relator os ministros Flávio Dino e Luiz Fux. Ainda devem votar a ministra Cármen Lúcia e o ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, colegiado composto por cinco dos 11 ministros do Supremo e onde tramita a denúncia sobre golpe.
Em seu voto, Dino buscou garantir que as defesas terão oportunidade de construir suas próprias narrativas, que serão levadas em consideração no momento adequado. “Justiça é diferente de justiçamento”, disse ele.
“Temos que aferir a conduta, uma a uma, independentemente do julgamento moral que tenhamos sobre a pessoa”, assegurou.
Fux destacou que o voto do relator detalhou ponto a ponto as condutas e crimes imputados a Bolsonaro e outros sete aliados. “Em relação à autoria e a materialidade, a procuradoria e o ministro Moraes legaram à turma e à sociedade tudo quanto nós precisávamos saber para o recebimento da denúncia”.
O ministro ressalvou, contudo, que durante o processamento da ação penal deverá apresentar divergências em relação ao cálculo das penas. “Confesso que em determinadas situações me deparo com uma pena exacerbada”, afirmou.
Acusação
Conforme a acusação da PGR, Bolsonaro tinha conhecimento do plano intitulado Punhal Verde Amarelo, que continha o planejamento e a execução de ações para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
A procuradoria também garante que o ex-presidente sabia da minuta de decreto com o qual pretendia executar um golpe de Estado no país. O documento ficou conhecido durante a investigação como “minuta do golpe”.
Em seu voto, Moraes afirma “não haver dúvidas” sobre conhecimento de Bolsonaro acerca do documento:
“Não há dúvida que o denunciado Jair messias Bolsonaro conhecia, manuseava e discutiu sobre a minuta de golpe”.
Qual a implicação desse conhecimento para o cometimento dos crimes imputados pela PGR deve ser ainda verificada durante a instrução da ação penal, disse Moraes. “A interpretação do fato vai ocorrer durante a instrução penal.”
No voto, Moraes frisou que o plano de Bolsonaro começou a ser posto em prática em julho de 2021, quando em uma transmissão ao vivo pela internet o ex-presidente “atacou as urnas eletrônicas sem nenhum fundamento e sem apresentar nenhum elemento concreto”.
O objetivo seria insuflar aliados e criar o clima para que Bolsonaro permanecesse no poder mesmo com derrota na tentativa de reeleição, em 2022, conforme narra a denúncia, destacou Moraes.
A denúncia “aponta o aumento da intensidade da agressividade de forma progressiva, integrando a execução de seu plano” autoritário, destacou Moraes.
Demais réus
A maioria da Primeira Turma votou ainda para que mais sete aliados de Bolsonaro se tornem réus na mesma ação penal sobre o golpe. Todos compõem o chamado “núcleo crucial” da denúncia. São eles:
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
Walter Braga Netto, general de Exército, ex-ministro e vice de Bolsonaro na chapa das eleições de 2022;
Augusto Heleno, general do Exército e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência – Abin;
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército e ex-ministro da Defesa;
Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Detalhamento
Em um voto longo, com mais de uma hora e 40 minutos de duração, Moraes recorreu a vídeos, tabelas e estatísticas para rebater cada uma das oito defesas. Ele começou por destacar a violência dos atos golpistas do 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas por apoiadores de Bolsonaro.
Um vídeo com cenas da “batalha campal”, como descreveu o ministro, foi colocado durante a sessão da Primeira Turma do Supremo, colegiado responsável por julgar o caso. Para rebater as alegações de falta de provas, Moraes apresentou, na parte final de seu voto, uma tabela relacionando dos os atos apontados pela PGR como criminosos e todas as provas documentais colhidas pela Polícia Federal (PF).
Para Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, “descreveu satisfatoriamente os fatos típicos ilícitos, com todas as circunstâncias, dando aos acusados o amplo conhecimento dos motivos e das razões pelas quais foram denunciados”.
O ministro destacou que o julgamento desta quarta tem por objetivo somente verificar se há indícios materiais suficientes para se abrir uma ação penal, na qual as defesas terão a plena oportunidade de construir suas próprias narrativas sobre os fatos apresentados pela acusação.
Entre no grupo do Folha360 no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).
BRASIL
PEC que acaba com escala 6×1 retoma análise na CCJ da Câmara nesta quarta
Published
2 meses agoon
22 de abril de 2026By
Folha 360
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que propõe o fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso (6×1), será novamente analisada nesta quarta-feira (22) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. A sessão está marcada para começar às 14h30.
Além de extinguir o modelo atual, o texto prevê a redução da jornada semanal de trabalho, que hoje é de 44 horas, para 36 horas ao longo de um período de dez anos.
A proposta retorna à pauta após pedido de vista apresentado pela oposição na semana passada. O relator, deputado Paulo Azi (União-BA), já votou pela admissibilidade da PEC, entendendo que a medida é constitucional.
Caso seja aprovada na CCJ, a proposta seguirá para uma comissão especial que analisará o mérito do texto. Esse colegiado terá entre 10 e 40 sessões do plenário para emitir parecer antes que a matéria seja levada à votação final.
Paralelamente, o governo federal apresentou um projeto de lei com urgência constitucional que também trata do tema. A proposta do Executivo prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais.
Projetos com urgência precisam ser votados em até 45 dias ou passam a trancar a pauta do plenário.
Apesar disso, a Câmara deve manter o andamento da PEC. Segundo o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), as duas propostas podem avançar de forma simultânea.
O governo defende que o projeto de lei pode gerar efeitos mais rápidos, enquanto a PEC garantiria a consolidação definitiva das mudanças na Constituição.
Entre no grupo do Folha360 no WhatsApp e receba notícias em tempo real (CLIQUE AQUI).
Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional
Polícia prende marido investigado por tentar matar esposa com sedativos durante internação
Governo de MT anuncia pacote de obras para Cuiabá e Várzea Grande
Pai e filho morrem em acidente na BR-070 após moto ser arrastada por caminhão
Vereadores são alvo de operação que investiga desvio de R$ 1,95 milhão em cestas básicas
GRANDE CUIABÁ
‘Japonês da Federal’ deixa cargo na Prefeitura de Cuiabá após três meses
Newton Hidenori Ishii, conhecido nacionalmente como o “Japonês da Federal”, foi exonerado do cargo de secretário-adjunto da Prefeitura de Cuiabá...
Dupla assalta açougue, mata entregador e acaba presa após perseguição em Cuiabá
O entregador Toni Marcos Pereira Souza morreu após ser baleado durante uma tentativa de assalto, nesta quinta-feira (2), no bairro...
PM prende dupla e apreende drogas durante operação na região da Rodoviária de Cuiabá
Dois suspeitos, sendo um adolescente de 16 anos e um homem de 24, foram detidos na tarde desta quarta-feira (1º),...
MATO GROSSO
Governo de MT anuncia pacote de obras para Cuiabá e Várzea Grande
O Governo de Mato Grosso anunciou, nesta sexta-feira (3), um novo pacote de investimentos voltado à infraestrutura de Cuiabá e...
Mato Grosso entra em período proibitivo de queimadas a partir desta quarta-feira
O período proibitivo para o uso do fogo em atividades de limpeza e manejo de áreas rurais em Mato Grosso...
União é condenada a indenizar povo indígena e concluir demarcação em MT
A Justiça Federal determinou que a União e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) finalizem, em até 24 meses,...
POLÍCIA
Vereadores são alvo de operação que investiga desvio de R$ 1,95 milhão em cestas básicas
Vereadores e outros investigados foram alvos da Operação Mesa Vazia, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta sexta-feira (3), para...
Polícia prende trio e recupera pneus roubados avaliados em mais de R$ 100 mil
A Polícia Civil prendeu três suspeitos de integrar a quadrilha responsável pelo assalto a uma empresa de pneus, ocorrido na...
Operação prende suspeitos e atinge estrutura financeira de facção ligada ao tráfico
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira (3), a Operação Ragnarok, com o objetivo de desarticular...
ENTRETENIMENTO
Irã afirma não jogar nos EUA e negocia com a Fifa transferência de jogos para o México
A Federação de Futebol do Irã iniciou tratativas com a Fifa para transferir seus jogos da próxima Copa do Mundo...
Brasil fica sem Oscar: “O Agente Secreto” perde em quatro categorias na premiação de 2026
O filme brasileiro “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, não conquistou estatuetas na cerimônia do Oscar 2026, realizada...
Álbum com cantos ancestrais de mulheres Kurâ-Bakairi será lançado em Cuiabá
O álbum “Kâremu: As Canções Ancestrais das Mulheres Kurâ-Bakairi” será lançado nesta sexta-feira (6), na sede da Fundação Nacional dos...
ESPORTES
Brasil atropela Coreia do Sul com goleada na Arena Pantanal
A seleção brasileira feminina começou com o pé direito sua caminhada no Fifa Series. Na noite deste sábado (11), na...
Mixto quebra jejum de 18 anos, vence nos pênaltis e conquista o 25º título estadual
O Mixto Esporte Clube voltou ao topo do futebol mato-grossense. Em uma final equilibrada diante do Luverdense, disputada no domingo...
Mixto volta à final do Campeonato Mato-grossense após 13 anos
O Mixto Esporte Clube está de volta à grande decisão do Campeonato Mato-grossense após 13 anos. A classificação veio na...
MAIS LIDAS DA SEMANA
-
POLÍCIA6 dias agoJovem é esfaqueado pelo pai ao tentar defender a mãe de agressão
-
POLÍCIA6 dias agoHomem é preso em flagrante após espancar esposa no meio da rua
-
POLÍCIA5 dias agoPC mira facções rivais e cumpre 35 mandados contra o crime organizado em MT
-
POLÍCIA5 dias agoHomem é apedrejado na cabeça pelo cunhado após discussão em bar

