O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o lobista mato-grossense Andreson de Oliveira Gonçalves, sua esposa, Mirian Ribeiro Gonçalves, e outros sete investigados apresentem suas defesas no prazo de 15 dias após o recebimento da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O grupo é acusado de envolvimento em um esquema que inclui crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Na mesma decisão, Zanin autorizou a continuidade das investigações relacionadas à suposta comercialização de decisões judiciais. Segundo o ministro, ainda há diligências pendentes e apurações envolvendo pessoas com foro privilegiado no STF, o que exige o prosseguimento dos trabalhos investigativos.
O magistrado destacou que o caso ainda pode revelar novos elementos capazes de ampliar a compreensão sobre a atuação dos suspeitos, os vínculos existentes entre eles e a estrutura da organização investigada.
Entre os denunciados estão, além de Andreson e Mirian, Márcio José Toledo Pinto, Daimler Alberto de Campos, Vanessa Resende Gonçalves, Carlos Antônio Nogueira Júnior, Bernardo Mazzutti, Diego Cavalcante Gomes e João Batista da Silva. Cada um responde por acusações específicas relacionadas aos crimes apontados pela PGR.
Andreson é considerado pelos investigadores uma peça central do esquema. Contra ele pesam acusações de corrupção ativa, exploração de prestígio, lavagem de capitais e participação em organização criminosa.
Além de abrir prazo para as defesas, o ministro atendeu a um pedido da Procuradoria e prorrogou por mais 60 dias o inquérito. O objetivo é permitir que a Polícia Federal realize novas diligências e aprofunde a coleta de provas.
Zanin também decidiu manter as medidas cautelares já impostas aos investigados. Para a PGR, os elementos reunidos até agora reforçam os indícios da prática dos crimes e demonstram que ainda existem riscos para o andamento das investigações, incluindo possíveis interferências na produção de provas e dificuldades na recuperação de recursos supostamente obtidos de forma ilícita.
A denúncia faz parte da Operação Sisamnes, que apura um suposto esquema de negociação de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) entre 2019 e 2023. Conforme a Procuradoria, a organização atuaria mediante pagamento de vantagens indevidas e compartilhamento de informações sigilosas relacionadas a processos em tramitação.
Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o grupo funcionava de forma estruturada, com divisão de funções. Havia um núcleo responsável por captar interessados e negociar decisões, outro encarregado do acesso a informações internas e documentos sigilosos, além de um setor voltado à movimentação financeira e ocultação dos valores supostamente obtidos com as atividades ilegais.
As investigações tiveram início após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023, em Cuiabá. A análise do conteúdo encontrado em seu celular revelou indícios de uma rede de influência que buscava interferir em decisões judiciais. De acordo com a apuração, Zampieri teria atuado como intermediador em processos de interesse de clientes e de integrantes do grupo investigado.
Com a prorrogação do inquérito, a expectativa é que novas diligências contribuam para esclarecer a participação de cada envolvido e a dimensão do suposto esquema investigado pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
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