R$ 200 MIL DE INDENIZAÇÃO

MPT processa Empresa Cuiabana de Saúde Pública por falhas na proteção de trabalhadores

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O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) ajuizou ação contra a Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) após identificar falhas na proteção de trabalhadores expostos a substâncias e agentes considerados cancerígenos nos hospitais municipais de Cuiabá. O órgão pede que a empresa adote medidas para reduzir os riscos e também solicita indenização de pelo menos R$ 200 mil por dano moral coletivo.

A ECSP é responsável pela gestão do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) e do Hospital Municipal São Benedito. A ação foi apresentada nesta quarta-feira (2) e é resultado de uma investigação realizada pelo MPT dentro de um projeto nacional voltado à prevenção do câncer relacionado ao trabalho.

Entre os principais problemas apontados estão falhas no controle da exposição à radiação ionizante e ao óxido de etileno, substância utilizada na esterilização de materiais hospitalares.

De acordo com o MPT, a investigação encontrou problemas em diferentes etapas de controle dos riscos, como monitoramento da exposição, treinamento dos funcionários, uso de equipamentos de proteção e acompanhamento médico.

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No caso da radiação ionizante, o órgão apontou falta de documentos que comprovassem a eficácia das medidas de proteção e ausência de registros sobre treinamentos periódicos para os profissionais expostos. A radiação é utilizada em procedimentos médicos e pode causar danos à saúde quando a exposição ocupacional não é devidamente controlada. O MPT destaca que o agente é reconhecido como cancerígeno.

Outro ponto da investigação envolve o óxido de etileno, utilizado para esterilizar materiais que não suportam altas temperaturas ou umidade, como cateteres e seringas.

Segundo o MPT, foram identificadas falhas na identificação dos locais e atividades que podem expor os trabalhadores ao produto, além de problemas nas medidas de prevenção e no acompanhamento da saúde desses profissionais. A exposição pode ocorrer durante etapas como a esterilização, retirada dos materiais dos equipamentos, armazenamento ou em casos de vazamento.

Na ação, o órgão solicita que a Justiça do Trabalho determine uma série de medidas para aumentar a proteção dos funcionários. Entre os pedidos estão:

  • Adequação dos programas de saúde e segurança do trabalho
  • Implantação e atualização do Plano de Proteção Radiológica
  • Acompanhamento médico dos trabalhadores expostos
  • Fornecimento e controle de equipamentos de proteção individual
  • Monitoramento da exposição à radiação
  • Calibração dos equipamentos utilizados para medir a exposição
  • Treinamento inicial e periódico dos funcionários

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CIDADES

Justiça revoga prisão preventiva de professor da UFMT investigado por assédio e ameaça contra aluna

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A Justiça de Mato Grosso revogou, nesta terça-feira (1º), a prisão preventiva do professor de direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Saulo Tarso Rodrigues, investigado por assédio e ameaça contra uma aluna.

A prisão havia sido decretada pela Justiça e cumprida pela Polícia Civil no dia 10 de agosto deste ano. Segundo o documento assinado pela juíza Henriqueta Ferreira Lima, o professor teria violado as restrições judiciais em diferentes ocasiões, incluindo contato indireto com a vítima, abordagem de testemunhas e divulgação de informações sigilosas sobre o processo.

A defesa da estudante afirmou que as medidas cautelares impostas anteriormente seguem ativas.

“A defesa da estudante recebe com tranquilidade a decisão que determinou a soltura do réu Saulo Tarso Rodrigues, e que manteve vigentes as cautelares anteriormente impostas. O réu possui o direito de responder o processo em liberdade, caso não venha a violar novamente as medidas fixadas pela justiça”, afirmou.

Segundo a UFMT, o professor foi afastado cautelarmente no dia 24 de julho, para investigação de uma denúncia de assédio, insistência em contatos e ameaças contra uma estudante do curso, no campus Cuiabá. Em nota, a universidade afirmou que a medida foi adotada em caráter preventivo, por meio de portaria da Reitoria, no âmbito de um procedimento administrativo instauado pela instituição.

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Na época, o professor afirmou que “inexiste qualquer mensagem, e-mail, conversa ou documento” enviados por ele que não seja de teor acadêmico. O professor disse que o conflito começou após denúncias feitas pela esposa dele, também estudante de direito, de que a vítima, supostamente, mantinha dois vínculos na graduação e recebia benefício incompatível com a situação socioeconômica.

Na última segunda-feira (21), a Justiça condenou Saulo por perseguir a ex-companheira. Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), entre setembro e outubro de 2022, o professor passou a enviar e-mails de forma insistente para a vítima, mesmo sem autorização dela.

Durante o processo, a defesa de Saulo tentou anular a ação alegando problemas na realização de uma audiência e questionando a validade das provas digitais, que eram os e-mails enviados à vítima. Os pedidos foram rejeitados pela Justiça.

À época, Saulo disse que não teve direito à defesa durante o processo. Ele alegou que já possui um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar anular a decisão.

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Entretanto, uma decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por meio do desembargador Orlando Perri, manteu válida a citação por WhatsApp e a condenação, em decisão do dia 3 de junho.

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