MATO GROSSO

Técnicos da Empaer e Seaf fazem trilha religiosa do século 18 para identificar potencial de turismo rural

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Equipes da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) fizem uma visita técnica à trilha ecoturística, histórica, cultural e religiosa “Caminhos de Santana”, em Cuiabá e Chapada dos Guimarães, na última sexta-feira 16.02), a fim de identificar propriedades da agricultura familiar com potencial de inclusão na trilha turística, em busca de desenvolver o turismo rural.

Para o diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) da Empaer, Glieber Henriques Beliene, a trilha oferece uma experiência única de imersão na natureza, exercício físico e contato com a cultura local. Além disso, oportuniza a prática de ecoturismo responsável e fortalece o turismo sustentável em áreas rurais.

“O papel da Empaer no projeto é identificar as potencialidades das propriedades que estão no caminho do roteiro, consolidá-las como produtos e auxiliar os produtores a gerarem renda no seu empreendimento”, destacou.

Os agricultores familiares e moradores nas comunidades tradicionais poderão oferecer aos visitantes café da manhã, refeições e realizar exposição e venda de produtos transformados, de origem animal (queijo, requeijão, manteiga, doces de leite, embutidos, etc.) e de origem vegetal (doces, conservas, pães), artesanato e manifestações culturais, além de artesanato que alguns já produzem, como é o caso do Romoaldo Paes da Silva, que vive na propriedade rural com a esposa, Iraci Guimarães da Silva.

Ele produz peças em madeira e, com o roteiro consolidado, a visita de turistas será mais frequente, o que deve contribuir com as vendas das artes. “Quando recebemos pessoas aqui, vendo pelo menos uma peça em casa visita. Esse dinheiro já ajuda na renda que hoje vem da aposentadoria”, afirmou.

O casal produz mandioca para subsistência e tem o sonho de ver os filhos voltarem a viver na comunidade. “Esse projeto irá trazer novas oportunidades e com trabalho e renda meus filhos que saíram para trabalhar podem voltar. Esse é meu maior sonho”, contou Iraci.

A ideia do Instituto INCA (Inclusão, Cidadania e Ação) é retomar o antigo roteiro do “Caminho de Santana”, localizado entre as unidades de conservação ambiental das Cabeceiras do Rio Cuiabá e Parque Nacional de Chapada dos Guimarães.

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Para a visita técnica, o grupo partiu da Comunidade Rio dos Médicos, em Cuiabá, e seguiu até o município de Chapada dos Guimarães, num percurso de 6 km. São 4 horas de caminhada com dificuldade moderada a partir da Trilha Top de Fita até a Pousada do Parque.

Na recepção, a presidente da Associação dos Moradores da Comunidade Rio dos Médicos, Antônia Gomes, contou que o objetivo é montar uma horta comunitária e que para isso contará com o apoio da Empaer. “Muitos moradores estão de acordo e será mais uma atividade desenvolvida no coletivo”, frisou.

De acordo com o técnico da Empaer e especialista no segmento, Geraldo Donizete Lucio, o turismo rural é uma modalidade de turismo que tem como objetivo oferecer experiências autênticas e imersivas em ambientes rurais. “É uma oportunidade para os turistas conhecerem a cultura local, a gastronomia típica e a vida no campo”.

As atividades que podem ser oferecidas incluem passeios a cavalo, visitas a fazendas e sítios, degustações de produtos locais e trilhas ecológicas. “As trilhas são uma das principais atrações do turismo rural, pois permitem aos visitantes entrar em contato direto com a natureza e conhecer as belezas naturais da região”, pontuou o técnico.

Para o engenheiro sanitarista da Seaf, Aurilineu Tizot, o projeto ajuda a criar formas de otimizar a atração de investimentos públicos e privados em infraestrutura para a revitalização econômica e social das comunidades que fazem parte do roteiro.

“Nosso trabalho é observar e oportunizar para os que trabalham com o segmento mais oportunidades de desenvolver regiões inteiras, aumentar o senso de pertencimento a valorização cultural e, além do mais, poderemos brindar os turistas com melhores experiências de lazer”, afirmou.

Também participaram da visita técnica a assessora da Seaf Aline Emanuelle Rosendo, além de representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) e moradores locais. Parte da equipe aproveitou a oportunidade para identificar os pontos de parada no percurso da trilha. Estratégia ajuda os participantes a recuperarem o folego, beber água, comer uma fruta, entre outros.

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No período da tarde, o grupo ainda conheceu a produção de cana de açúcar que resulta no melado e na cachaça do produtor Marcos Sguarezi. Na oportunidade, ele explicou sobre a história da propriedade e os desafios do mercado.

Projeto Caminhos de Santada

A finalidade do projeto “Caminhos de Santana” é resgatar a viagem de Nossa Senhora de Santana do Sacramento, padroeira de Chapada dos Guimarães, realizada em 1779, do Porto Geral de Cuiabá até a Igreja de Santana na cidade de Chapada. Além da cultura e história, a ideia é preservar a beleza ambiental e promover o turismo e a economia criativa.

Para que isso aconteça, está sendo realizado o estudo de viabilidade técnica, econômica, ambiental e social, em um circuito de caminhada de longa distância na natureza, com destaque na prática de esportes não competitivo, lazer, cultura e de peregrinação, com interação entre as comunidades locais envolvidas e comercialização direta do agricultor familiar.

Ainda, colocará à disposição de fiéis refazer a trilha percorrida no século 18, em pleno Mato Grosso, no centro geodésico da América do Sul, com a imagem de Santana na igreja chapadense. Semelhante ao Caminho de Santiago de Compostela, uma rota milenar de peregrinação, localizada na Europa. Seria uma trilha cultural e religiosa, com sustentabilidade.

O projeto Caminhos de Santana foi idealizado pela Associação da Região Turística de Cuiabá e Várzea Grande (Astur-MT) e conta com a realização do Instituto INCA-Inclusão, Cidadania e Ação, por meio de emenda parlamentar impositiva, via Secel. Também parcerias da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio-MT), Empaer, Comunidade Rio dos Médicos, Icthus Soluções em Turismo Ltda.


Foto: Marcelo Okamura

Fonte: Governo MT – MT

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CIDADES

Proposta pode alterar limites territoriais e mudar endereço de 24 mil moradores

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Assessoria

Um projeto em tramitação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) poderá alterar o mapa territorial entre os municípios de Poxoréu e Primavera do Leste. A proposta prevê a realização de um plebiscito para que a população decida se o distrito de Nova Poxoréu continuará pertencendo a Poxoréu ou passará a integrar oficialmente Primavera do Leste. Caso a mudança seja aprovada, cerca de 24 mil moradores poderão ter o município de residência alterado.

A iniciativa foi apresentada pela Comissão de Revisão Territorial dos Municípios e das Cidades da ALMT. De acordo com a justificativa do projeto, apesar de Nova Poxoréu estar administrativamente vinculada a Poxoréu, boa parte dos moradores utiliza os serviços públicos, o comércio e o mercado de trabalho de Primavera do Leste.

A proposta foi lida em plenário no dia 1º de julho e, atualmente, cumpre o prazo regimental antes de seguir para as próximas etapas de tramitação na Assembleia.

Em nota, a Prefeitura de Poxoréu manifestou posição contrária ao desmembramento do distrito. A administração municipal argumenta que o estudo de viabilidade que embasa a proposta não representa a realidade local, destaca que mantém investimentos e serviços públicos permanentes em Nova Poxoréu e questiona os dados populacionais utilizados no projeto, afirmando que eles divergem das informações oficiais do IBGE. O município também demonstrou preocupação com a inclusão de uma extensa área rural na proposta e informou que adotará medidas para preservar seus atuais limites territoriais.

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Caso o projeto avance, caberá à Justiça Eleitoral organizar o plebiscito, cuja data ainda será definida. A comissão responsável pela proposta sugeriu que a consulta popular seja realizada juntamente com as eleições deste ano, como forma de reduzir custos operacionais.

Mesmo que a maioria dos eleitores vote favoravelmente à mudança, a incorporação do distrito não ocorrerá automaticamente. Após o plebiscito, será necessária a aprovação de uma lei estadual pela Assembleia Legislativa para oficializar a alteração dos limites entre os municípios.

Na consulta, os eleitores responderão, por meio de voto secreto, se são favoráveis ou contrários ao desmembramento de Nova Poxoréu de Poxoréu e à sua incorporação por Primavera do Leste. As opções de resposta serão apenas “Sim” ou “Não”.

Criado por volta de 2011 para regularizar ocupações existentes na região, o distrito de Nova Poxoréu já chegou a ser incorporado administrativamente a Primavera do Leste durante um processo de atualização territorial. No entanto, a medida foi suspensa pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, mantendo a localidade sob a administração de Poxoréu.

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Segundo a Comissão de Revisão Territorial, estudos técnicos apontam que os moradores do distrito já dependem, na prática, de Primavera do Leste para acesso a empregos, serviços de saúde, educação, comércio e outras atividades essenciais. O levantamento também concluiu que uma eventual mudança não causaria prejuízos financeiros significativos nem comprometeria a prestação de serviços públicos em qualquer um dos dois municípios.

O estudo ainda destaca que muitos moradores se identificam mais com Primavera do Leste e reforça que a alteração somente poderá ser concretizada caso seja aprovada pelos eleitores de Nova Poxoréu, Poxoréu e Primavera do Leste, já que a decisão envolve impactos administrativos e territoriais para os três grupos.

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