''NÃO É SÓ APLICAR"

Abilio cita reações ao Mounjaro, mas pretende distribuir medicamento ainda este ano

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), adiou novamente o lançamento do programa social “Cuiabá Mais Leve”, que prevê a distribuição do medicamento Mounjaro para o tratamento da obesidade. O evento, inicialmente programado para 4 de outubro e posteriormente para esta semana, está agora sem data definida.

O adiamento foi justificado pelo gestor devido a questões técnicas e a possibilidade de reações adversas ao medicamento, que exigem maior atenção na logística de implementação. Brunini enfatizou a necessidade de cautela para não lançar o programa “de qualquer jeito”.

“Eu tenho lutado com toda a força possível para a gente lançar esse programa esse ano, mas eu também tenho ouvido todos os técnicos, os responsáveis, para que a gente não lance ele de qualquer jeito. Nós temos que ouvir. A cada momento, às vezes surge um novo detalhe que precisa ser cuidado,” declarou o prefeito.

Segundo Abilio, a administração do Mounjaro exige mais do que a simples compra e aplicação. Ele revelou ter sido alertado por um médico sobre possíveis reações adversas nos pacientes e, por isso, iniciou discussões para a criação de uma rede de apoio segura.

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O prefeito confirmou que há conversas em andamento com a Universidade de Cuiabá (Unic) e o Hospital Geral Universitário (HGU) para estabelecer essa rede de suporte nas duas instituições.

Apesar dos adiamentos, Brunini manteve a meta de lançar o programa ainda este ano. O “Cuiabá Mais Leve” prevê a combinação do medicamento com um ciclo de atividades físicas supervisionadas. Na primeira fase, os participantes passarão por um mês de exercícios adaptados, recebendo o Mounjaro fornecido pela Secretaria Municipal de Saúde apenas na etapa seguinte. O tratamento completo terá duração de sete meses.

Fonte Olhar Direto

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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