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Após ataque a casal, governadora de PE se manifesta sobre caso em Porto de Galinhas

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O governo de Pernambuco repudiou o episódio de violência contra o casal de turistas que sofreu agressões após uma confusão com comerciantes em Porto de Galinhas, no litoral do estado. Nesta segunda-feira (29/12), o perfil da administração de Pernambuco emitiu uma nota, e a governadora Raquel Lyra (PSD) classificou o caso como “crime grave”. Pelo menos 14 pessoas foram indiciadas no inquérito policial.

“Aconteceu um episódio que não vamos tratar de um incidente, vamos tratar de um crime grave, que aconteceu contra dois turistas que vieram nos visitar, que foram à praia e que, infelizmente, foram espancados de maneira brutal por criminosos que ali estavam na praia”, escreveu Raquel.

O governo informou que, apesar de o ordenamento e a fiscalização do comércio serem atribuições municipais, foram reforçadas as ações de segurança no local. Até o momento, 14 pessoas foram identificadas.

Entenda o caso

O casal de Mato Grosso (personal trainer Johnny Andrade e seu companheiro, Cleiton Zanatta), havia adquirido o aluguel de barracas e cadeiras para passar o dia na praia nesse sábado (27/12).

Ao acertar as contas, Johnny e Cleiton foram atacados por comerciantes após questionarem sobre o preço cobrado pelo uso temporário dos utensílios praianos.

Ainda de acordo com o casal, o valor final ficou quase o dobro do preço combinado inicialmente.

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Quando Johnny disse que pagaria apenas o valor firmado, o comerciante se desentendeu com os turistas e partiu para violência, arremessando uma cadeira neles, seguida de outras agressões de colegas de trabalho, que se juntaram para bater no casal.

Jhonny e Cleiton relatam que foram buscar por socorro após a violência exagerada e não acharam agentes de segurança. O personal trainer relatou que seu companheiro Cleiton correu para buscar ajuda, mas não havia policiamento e, ainda segundo o casal, o Cropo de Bombeiros não fez questão de controlar a situação, apesar do caos instaurado.

A governadora Raquel Lyra detalhou que Porto de Galinhas é o quarto maior destino turístico do Brasil e que o povo da cidade recebe os turistas de braços abertos, apesar do episódio lamentável.

Tendo em vista as críticas do casal atribuídas à segurança, a governadora disse que o que ocorreu é “absolutamente inadmissível” e enfatizou que os comerciantes que agrediram o casal eram criminosos e pediu desculpas.

Em Pernambuco, segurança pública era um tema muito crítico e, para estabilizar a tranquilidade na cidade, Raquel Lyra afirmou que o governo está “investindo muito” nesta área.

“Serão iniciadas as providências cabíveis, o cuidado com os turistas, em nome do povo de Pernambuco, que não é isso. Eu peço desculpas. Nossa praia é uma praia linda, nosso povo é um povo acolhedor”, afirmou Raquel.

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A governadora ainda explicou que estes casos devem ser tratados sempre em diálogo do governo, polícia e prefeitura, para pôr ordem no comércio e assegurar que o episódio de violência não ocorra novamente.

A Secretaria de Defesa Social terá atuação direta com o setor de inteligência para identificar e localizar os comerciantes que comteram as agressões, contribuindo com a apuração da Polícia Civil.

Casal intimou o Poder Público
O casal contou que vai responsabilizar o poder público pelo episódio de agressão. Nos vídeos gravados, o personal trainer Johnny aparece com seus olhos inchados e roxos, além da boca, que também mostra ferimentos isíveis decorrentes da confusão com comerciantes.

“Intimo o prefeito a arcar com nossos prejuízos. Não vamos deixar isso barato. Já acionamos nossos advogados, e vamos processar a prefeitura e o estado de Pernambuco”, adiantou Johnny.

Segundo ele, durante a confusão, os pertences do casal chegaram a desaparecer, mas foram recuperados, posteriormente, com a ajuda da polícia. O casal contou que só conseguiu registrar o boletim de ocorrência horas depois.

Com medo de novas agressões, eles estão confinados no hotel enquanto aguardam a viagem de volta para Mato Grosso.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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