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Carlos Bezerra: “A idade já chegou”

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Carlos Bezerra, 79 anos. O mais longevo político de Mato Grosso. 

Ele marcou uma era na política. Já ocupou praticamente todos os cargos possíveis. 

Já foi prefeito de Rondonópolis, deputado estadual, governador de Mato Grosso, Senador da República e atualmente ocupa mais uma vez uma vaga na Câmara Federal (atualmente licenciado).

Advogado por formação, Bezerra sempre se mantém ativo nos bastidores da política. Mas, ultimamente, ele tem envolvido algumas autoridades em situações constrangedoras.

A primeira vítima foi o governador Mauro Mendes que foi cobrado publicamente durante um evento de entrega de maquinários para estradas. O motivo da bronca: Bezerra quer mais espaço para o MDB dentro do seu staff governamental. 

A segunda vítima foi o chefe de outro poder: o atual presidente da Assembleia Legislativa, deputado Maxi Russi. Irritadiço, Bezerra retirou o presidente de uma audiência para uma conversa particular, antes mesmo de o evento acabar. Tudo isso, mais uma vez, foi acompanhado pela imprensa.
 
Mais nova e tida como sucessora de Bezerra no comando do MDB, a deputada Janaina Riva tratou logo de apaziguar a situação, e pediu paciência a todos fazendo referência a experiência do colega parlamentar.

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“Tenho conversado com Bezerra e temos que entender que a idade já chegou, ele está mais velho e acaba não tendo mais paciência. Lembro que na época do Michel Temer ele entrava na sala daquele jeito. Eu sou diferente, mas não julgo”, disse.

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Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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