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Crianças com idade entre 8 e 12 anos são resgatadas de trabalho infantil

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Policiais militares da Patrulha Rural do 21º Batalhão resgataram quatro crianças, de 8 a 12 anos, prenderam três pessoas por invasão de terra, porte ilegal de arma de fogo e trabalho infantil, em Juara (654 km de Cuiabá). As equipes apreenderam três armas de fogo, 64 munições e três motosserras.

Os policiais militares receberam denúncia de que um grupo teria invadido uma propriedade rural com objetivo de extrair madeira de forma irregular, nas proximidades da Estrada Porta do Céu Escondido, na zona rural do município.

Após a denúncia, os policiais militares se deslocaram até o ponto e identificaram um barraco. No local, foram recebidos por uma mulher, de 28 anos. Na casa, as equipes flagraram uma pistola sobre a cama e uma criança, de 8 anos, ao lado, com sinais de maus tratos.

Em seguida, os policiais militares realizaram vistoria em torno do barraco e flagraram outros dois homens, de 32 e 34 anos, acompanhados de três crianças, de 9, 11 e 12 anos, realizando extração de madeiras e operando motosserras.

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Próximo ao local da abordagem, os policias militares localizaram outras duas armas de fogo, sendo espingardas de calibres 12, 32, 64 munições e um canivete. O armamento estava enrolado por uma coberta escondida em baixo de folhas secas.

Questionados sobre a regularidade escolar das crianças encontradas no local, os suspeitos disseram que todas estavam matriculadas e frequentando as aulas regularmente. No entanto, em contato com a secretaria de uma unidade escolar de Paranorte, a informação foi desmentida, o que caracteriza evasão escolar.

Os suspeitos foram detidos em flagrante e autuados por crime ambiental, porte ilegal de arma de fogo e trabalho infantil em ambiente insalubre. Os materiais apreendidos foram entregues à delegacia para registro do boletim de ocorrência.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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