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Cuiabá não registra morte por Covid em 24h pela primeira vez em 1 ano e meio

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Desde o final de maio de 2020, ou seja, há quase 1 ano e meio, Cuiabá vinha registrando pelo menos uma morte diária por covid-19, seja de residente ou não residente. Essa triste marca foi quebrada nesta sexta (17), quando o painel Covid-19 da capital não registrou óbito pela doença, nem de morador e nem de pacientes oriundos de outras cidades internados na Capital.

Os números de 3.455 óbitos de residentes e de 1.054 de não residentes registrado na quinta (16) se manteve na sexta (17). O fato foi comemorado pelo prefeito Emanuel Pinheiro, na noite de sexta. 

“Eu acabo de receber uma grande notícia, que me deixou muito emocionado e eu faço questão de dividir com toda a minha gente: depois de mais de ano, Cuiabá não registrou nenhuma morte por covid-19 nas últimas 24 horas. Isso é fruto de um trabalho sério e comprometido da Prefeitura de Cuiabá, dos nossos profissionais da saúde, do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 e também de toda dedicada equipe do Vacina Cuiabá, que trabalha diariamente para vacinar com a menor brevidade possível toda a população cuiabana. Não posso deixar também de registrar que é uma conquista de toda a população cuiabana que se cuidou e nos ajuda muito a evitar a propagação do vírus. Que Deus continue nos abençoando e que essa notícia seja o presságio de grandes e abençoadas notícias de vitória contra a covid-19”, declarou. 
 
Pandemia ainda não acabou
 
No entanto, as informações contidas no Informe Epidemiológico nº 24, relativo às semanas epidemiológicas 35 e 36 ( 29 de agosto a 11 de setembro), demonstram que ainda é cedo para uma avaliação positiva. O informe é elaborado tanto pela equipe de Vigilância em Saúde da Capital quanto por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O estudo lembra que desde o primeiro óbito por Covid-19 em residentes em Cuiabá, registrado em 15 de abril 2020 até 11 de setembro de 2021, a taxa de letalidade da doença ficou em 3,2%, índice que tem se mantido com pequenas variações desde a semana epidemiológica nº 35 de 2020 (30 de agosto a 05 de setembro) e que permanece mais elevado que o de Mato Grosso (2,6%) e do Brasil (2,8%). 

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O informe ainda traz o retrospecto de óbitos por covid-19 em residentes, mostrando oscilações no ano passado e que, a partir de dezembro de 2020, se observou aumento de mortes, padrão que persistiu nos quatro primeiros meses de 2021, sendo que o número de óbitos semanais no período de 14 de março a 24 de abril de 2021 foi maior do que o quantitativo no pico de mortes do ano de 2020 (28 de junho a 18 de julho de 2020). 

De acordo com o informe, a ocorrência de óbitos nos meses de maio, junho e julho de 2021 tem apresentado tendência de redução, entretanto, no mês de agosto observou-se um aumento no número de óbitos na primeira quinzena e uma redução na segunda quinzena. A tendência de redução permaneceu nas duas primeiras semanas de setembro, mas os pesquisadores fazem o alerta.

“Embora evidencie-se certa estabilidade, os quantitativos se mantêm em patamares elevados, as oscilações são frequentes, e ainda é preciso destacar o aumento dos óbitos nas duas primeiras semanas de agosto e das internações nas duas últimas de julho, o que requer o incremento da assistência aos casos graves e, especialmente, o diagnóstico precoce e a qualidade do atendimento prestado aos casos graves da doença, além evidentemente da intensificação da vacinação na capital”, diz trecho do informe. 
 
Prevenção deve ser mantida
 
Conforme os especialistas, até que a maior parte da população esteja vacinada contra a covid-19, será necessário combinar medidas para enfrentamento da pandemia, não descartando as medidas de prevenção e contenção (distanciamento físico e social, uso de máscaras, higienização, entre outros) visando a redução da taxa de transmissão do vírus, que voltou a aumentar entre o último e o penúltimo informes epidemiológicos. 
A gerente de Vigilância Epidemiológica de Cuiabá, Flávia Guimarães, afirma que, se toda a população se manter engajada no combate ao vírus, usando máscara, lavando as mãos constantemente ou usando álcool 70% na impossibilidade de usar água a sabão, evitando aglomerações e buscando se vacinar, em breve será possível afirmar que a pandemia foi controlada e, aos poucos, retomar a vida normal.

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"A vacinação tem propiciado a grande diferença que temos observado no quadro pandêmico. É nítido que quanto mais atingimos a cobertura vacinal entre a população, os casos de covid-19 vem diminuindo. Entretanto, ainda não chegamos a uma situação de controle da pandemia, sendo muito preocupante a disseminação da variante Delta, que é altamente transmissível. Por isso, é fundamental lembrar que as vacinas disponíveis apresentam limites em relação ao bloqueio da transmissão do vírus e que a circulação dele está totalmente ligada ao comportamento das pessoas, que precisam se manter vigilantes", aponta a profissional de saúde. 

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Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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