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Deputado detona uso de helicóptero da PM em escola após suspensão de professora

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Um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, em Mato Grosso, foi a suspensão de uma professora da Colégio Notre Dame de Lourdes, após ela fazer críticas diretas, durante aula do 3º ano do Ensino Fundamental, ao presidente Jair Bolsonaro em relação ao desmatamento da Amazônia.  

​Após a suspensão, um helicóptero da PM levando uma bandeira do Brasil sobrevoou a escola, a pedido da direção, para enaltecer os ideais patrióticos da Semana da Independência, fazendo repercutir ainda mais a polêmica suspensão da educadora. Nas redes sociais, vários estudantes postaram vídeos mostrando o sobrevoo do helicóptero sobre a escola. 

“Ontem, professora censurada em escola particular de Cuiabá. Hoje, helicóptero da SESP sobrevoa a mesma escola para “comemorar a Independência?” Festa privada de mau gosto com equipamento, servidores e recursos públicos? Acionaremos o governador [Mauro Mendes] e o secretário [Alexandre Bustamente] na Justiça”, afirmou o deputado Lúdio Cabral (PT), em post em suas redes sociais. 
 

A Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e o Colégio Notre Dame negam que o sobrevoo tenha tido caráter político, e afirmam se tratar apenas de uma ação cívica por conta da programação do feriado de 7 de Setembro. 

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A escola afirma que a suspensão da professora ocorreu por conta dos comentários da profissional terem infringido o Código de Ética da instituição.  

O Ministério Público Estadual (MPE) deve investigar o caso para averiguar se houve uso inadequado do helicóptero por parte dos militares, a pedido do juiz Marcos Faleiros, da 11ª Vara Criminal Militar de Cuiabá.

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Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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