Operação Ilusion

Empresários que aplicaram golpe em formandos se entregam à Polícia Civil

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O casal de empresários Márcio Nascimento, de 49 anos, e Elisa Severino, de 51, proprietários da empresa Imagem Eventos, se entregaram à Polícia Civil nesta quarta-feira (21). Eles são acusados de aplicar um golpe milionário em centenas de formandos em Mato Grosso e outros estados.

De acordo com a Polícia Civil, Elisa se entregou na delegacia de Maringá (PR). Já Márcio, na Delegacia do Consumidor na Capital. Eles eram considerados foragidos no âmbito da Operação Ilusion.

Os golpes aplicados pelo casal vieram à tona no fim de janeiro, quando diversos formandos, incluindo de cursos de Medicina e Direito, registraram boletins de ocorrência contra os responsáveis pela empresa após receberem informação de cancelamento das festas. Em seguida, eles entraram na Justiça com um pedido de recuperação judicial, que foi indeferido.

Os investigados respondem por crimes contra o patrimônio, crimes contra as relações de consumo e associação criminosa — infrações que, somadas, podem resultar em penas de até 13 anos de prisão, além de multa.

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Segundo as investigações, o casal planejou o fechamento com pelo menos quatro meses de antecedência, mesmo sabendo que não teria como cumprir os contratos já assinados.

Além disso, eles abriram empresas em outros estados, firmaram novos contratos com pagamentos à vista, ocultaram materiais de eventos ainda não entregues e realizaram promoções, tudo com o objetivo de arrecadar dinheiro antes de abandonar o negócio.

“A intenção era clara: arrecadar o máximo possível antes de desaparecer”, afirmou o delegado Rogério Ferreira, responsável pela investigação.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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