INTERNAÇÃO PSIQUIÁTRICA

Juiz libera homem que matou a tia e arrancou o coração dela

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Lumar Costa da Silva, de 34 anos, deixou o Centro Integrado de Atenção Psicossocial Adauto Botelho, em Cuiabá, após decisão judicial que autorizou sua desinternação e o cumprimento de medidas de segurança em regime ambulatorial. A autorização foi concedida pelo juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, com base em laudos que apontam “estabilidade clínica” do paciente.

O novo tratamento será feito no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) em Campinas, interior de São Paulo, onde ele deverá seguir uma rotina de acompanhamento psiquiátrico intensivo e sob vigilância contínua por tempo indeterminado. O juiz determinou ainda que ele seja supervisionado por equipe multiprofissional, com psiquiatras, e esteja sob responsabilidade legal de um tutor.

Conforme a decisão, Lumar não poderá deixar a cidade sem autorização judicial, frequentar locais como casas de jogos ou prostíbulos, nem fazer uso de bebidas alcoólicas ou entorpecentes.

O caso de Lumar ganhou repercussão nacional em julho de 2019, quando ele matou a própria tia, Maria Zélia da Silva, de 55 anos, no município de Sorriso (420 km de Cuiabá), arrancou o coração da vítima e entregou o órgão a uma prima. À época, o crime chocou o país tanto pela violência quanto pela frieza demonstrada por ele ao confessar o assassinato, alegando ter sido guiado por “vozes do universo”.

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Antes de se mudar para Mato Grosso, ele já havia tentado matar a mãe em Campinas (SP). Em depoimento prestado após o crime em Sorriso, afirmou que não se arrependia do que fez. Dias depois, durante transferência para a Penitenciária Ferrugem, em Sinop, tentou enforcar outro preso dentro do camburão.

Com histórico de uso de drogas e comportamento agressivo, Lumar foi diagnosticado com transtorno afetivo bipolar tipo I. Segundo laudo psiquiátrico forense elaborado em 2022, o transtorno compromete seu juízo crítico e autocontrole, o que o torna propenso a atitudes impulsivas e violentas, especialmente sob efeito de substâncias psicoativas como LSD — droga que ele admitiu ter consumido no dia do crime.

Embora o primeiro laudo médico, apresentado ainda em 2020, tenha apontado sinais do transtorno, só o terceiro parecer técnico — feito por um psiquiatra forense — foi considerado conclusivo pela Justiça. Com base nesse último documento, a Vara Criminal de Sorriso reconheceu a inimputabilidade de Lumar, ou seja, que ele não tinha plena capacidade de entender o caráter ilícito do ato que cometeu.

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Desde a decisão judicial de 2022, ele cumpria medida de segurança com internação por tempo indeterminado em Cuiabá. Agora, com a mudança para regime ambulatorial em outro estado, a Justiça reforça a necessidade de rígido controle e continuidade do tratamento para garantir segurança coletiva e preservar sua própria saúde mental.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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