OPERAÇÃO PANACEIA

Justiça solta ex-diretor de hospital investigado por desvios no SUS

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Preso no último dia 6 de dezembro, o ex-diretor do Hospital Regional de Cáceres, Onair Azevedo Nogueira, foi solto nesta segunda-feira (9). A decisão é da juíza federal Ana Lya Ferraz, da 2ª Vara Federal de Cáceres. Nesta terça-feira (10), o Diário Oficial do Estado publicou a exoneração dele do cargo comissionado de Diretor de Unidade Hospitalar, do Hospital Regional de Cáceres.

Onair e outras 12 pessoas são investigadas na Operação Panaceia, deflagrada pela Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), que apura desvio de recursos públicos do Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme decisão, Onair foi solto com a condição de cumprir medida cautelar, como a proibição de contato com outros investigados.

A defesa do ex-diretor alegou que tinha como função no Hospital Regional de Cáceres apenas de fazer a “execução do contrato”. Ele não era responsável pela licitação ou pelas alterações nos contratos. Os advogados de Onair alegam ainda que os contratos eram firmados após pareceres técnicos da Procuradoria Geral do Estado.

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Outro desdobramento da operação foi o pedido de exoneração de Caroline Campos Dobes Conturbia Neves, secretária adjunta de Unidades Especializadas da Secretaria de Saúde de Mato Grosso (SES-MT).

Caroline foi alvo de busca e apreensão em sua residência em Cuiabá e já havia sido investigada anteriormente na Operação Espelhos, que apurou irregularidades em contratos na área da saúde.

Além do afastamento dos dois de suas funções públicas, eles tiveram o bloqueio de R$ 5,5 milhões. Segundo a PF, antes mesmo da assinatura dos contratos, a Procuradoria Geral do Estado de Mato Grosso (PGE) emitiu parecer alertando as irregularidades aos servidores públicos envolvidos, mas as contratações prosseguiram normalmente.

Operação Panaceia
Deflagrada pela Polícia Federal (PF) em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), a Operação Panaceia apura desvios de recursos destinados ao SUS durante a pandemia de Covid-19.

Segundo as investigações, as fraudes tiveram início durante a pandemia de COVID-19, quando servidores públicos e agentes privados se associaram para direcionar recursos da saúde a um grupo fechado de empresas, cujos sócios possuem ligação entre si, prejudicando a participação de outros interessados.

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De acordo com a PF, o grupo empresarial envolvido recebeu cerca de R$ 55 milhões entre 2020 e 2024. As contratações foram feitas mesmo após alertas emitidos pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) sobre irregularidades nos processos.

Durante a operação, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão, dois afastamentos de servidores públicos e o bloqueio de R$ 5,5 milhões em bens de 12 investigados.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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