MANDANTES DO CRIME

MP vê motivação mesquinha e denúncia casal por morte de Renato Nery

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O Ministério Público do Estado (MPE) aditou denúncia sobre a morte do advogado Renato Nery para incluir os empresários Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi como mandantes do crime.

Agora, a empresária Julinere Goulart e seu companheiro Cesar Jorge foram formalmente acusados de serem os autores intelectuais do crime, que teria sido motivado por vingança após uma derrota judicial envolvendo terras avaliadas em mais de R$ 30 milhões.

Renato Gomes Nery havia vencido a causa, o que, de acordo com a investigação, gerou ressentimento e desejo de vingança por parte de Julinere e Cesar. A denúncia detalha que ambos articularam o homicídio e financiaram a execução, pagando R$ 200 mil para que a vítima fosse morta.

Provas indiciárias demonstram que Julinere é quem exerceu o papel de mentora intelectual do assassinato. Testemunha citada pelo MP afirmou que a empresária exteriorizava sua indignação após o insucesso judicial envolvendo a área em litígio no município de Novo São Joaquim, no interior de Mato Grosso, proferindo a ameaças de morte ao advogado.

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Durante a investigação, o Ministério Público identificou um bilhete entregue na portaria do condomínio onde Cesar morava. O envelope, com a inscrição “aos cuidados de Cesar Jorge Sechi”, continha uma cobrança de R$ 200 mil feita por Jackson, exigindo o pagamento pela contratação dos executores. O valor, segundo a denúncia, seria transferido via Pix, o que, segundo os promotores, comprova o envolvimento direto do casal na articulação financeira do crime.

Julinere, inclusive, confessou a autoria do crime informalmente ao delegado de polícia, quando foi presa. Já César Jorge Sechi colaborou com o crime, segundo o MP, oferecendo o pagamento de R$ 200 mil para que o policial militar Jackson Pereira Barbosa, indiciado no caso, intermediasse o assassinato com outros investigados. O sargento da PM, Heron Teixeira, é dado como o executor do crime.

Além da motivação considerada mesquinha, o Ministério Público destaca que o crime foi cometido em plena luz do dia, em via pública e durante o horário comercial, colocando em risco a vida de terceiros. A denúncia também aponta que a vítima foi surpreendida de forma covarde, sem chance de defesa.
Além disso, apontou motivo torpe, “configurado pelo inconformismo e profundo ressentimento decorrente do insucesso judicial na contenda envolvendo considerável extensão territorial no Município de Novo São Joaquim/MT”.

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“A torpeza evidencia-se pela motivação mesquinha dos denunciados que, não se conformando com decisão judicial que beneficiou a vítima Renato Gomes Nery na disputa fundiária, coordenaram sua execução movidos exclusivamente por vingança e ganância”, completou.

O caso, que tramita em sigilo, será analisado pela 14ª Vara Criminal de Cuiabá.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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