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Número de famílias com contas em atraso volta a crescer em Cuiabá

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O percentual de famílias com contas atrasadas voltou a apresentar aumento em Cuiabá neste ano. Março registrou crescimento de apenas 0,4 ponto percentual sobre o mês anterior e atingiu 18,4%. O número de famílias que declaram não ter condições que quitá-las também apresentou aumento no mês, mas com menor intensidade, saindo de 4,1% em fevereiro para 4,2% no mês seguinte. Ainda assim, os índices seguem menores quando comparado com março de 2024, quando registravam 20,9% e 5,5%, respectivamente.

O levantamento realizado Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) também verificou a segunda queda mensal no número de famílias que declararam possuir contas parceladas com cheques, cartões, carnês, empréstimos e financiamento, passando de 176,9 mil em fevereiro (85,1%) para 173,9 mil no mês seguinte (83,6%).

O que ajuda a explicar essa redução, segundo análise do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), foi o aumento no percentual de famílias que declararam não possuir dívidas parceladas, que passou de 13,3% em janeiro, para14,9% em fevereiro e encerrou março com 16,4%.

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O cartão de crédito segue como principal tipo de dívidas das famílias, com 80,9%. Os carnês aparecem com 26% e financiamentos de carro e casa, com 5,8% e 3,6% de ocorrência, respectivamente. Em seguida, o crédito consignado e o crédito pessoal representam 2,1% e 3,1% das dívidas das famílias, também respectivamente, além do cheque especial, que soma 0,6% dos tipos de dívidas.

Já para a quitação das dívidas em atraso, o levantamento mostra que 46,5% dos entrevistados acreditam que conseguirão quitar parcialmente no próximo mês e 30,4% acham que quitarão totalmente. O prazo comprometido com dívidas, para 30,2% dos entrevistados, está entre 3 e 6 meses e outros 34,9% é de apenas 3 meses.

Com relação à renda comprometida com dívidas, 67,5% dos entrevistados disseram estar entre 11% e 50% da renda compromissada e somente 9,5% alegaram ter mais de 50% da renda comprometida. Ainda assim, o presidente da Fecomércio-MT, José Wenceslau de Souza Júnior, mostra preocupação com famílias que declararam estar presos às dívidas por mais de um ano.

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“Apesar da maioria dos endividados em Cuiabá estarem comprometidos com dívidas por um período de até seis meses, a parcela considerável com um comprometimento maior merece atenção especial”. A fala do presidente reflete a pesquisa que mostra que uma em cada quatro famílias possuem dívidas por mais de um ano. Além disso, uma em cada 10 famílias possuem mais de 50% da renda comprometidas com dívidas.

Em nível nacional, a proporção de endividados subiu no mês, passando de 76,4% em fevereiro para 77,1% em março. Com relação às dívidas em atraso, a média nacional apresentou retração. “O avanço do endividamento com estabilidade da inadimplência sinaliza maior consciência no uso do crédito”, explicou o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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