PRIMEIRO TURNO

Pardal registra 1.608 denúncias nas Eleições Municipais de Mato Grosso

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O aplicativo Pardal recebeu, até o momento, 1.608 denúncias de propaganda irregular relacionadas às Eleições Municipais de 2024 em Mato Grosso. Deste total, 867 envolvem candidatos e candidatas ao cargo de vereador(a), 430 ao cargo de prefeito(a), 298 são referentes a partido/coligação/federação e 13 envolvem candidatos e candidatas ao cargo de vice-prefeito(a).

Os dados são disponibilizados pelo Pardal Web, ferramenta que é atualizada em tempo real. Portanto, os números divulgados referem-se ao levantamento realizado na manhã desta sexta-feira (11.10).

O maior número de denúncias é relacionado a irregularidades cometidas na internet, com 461 registros, seguido de tipo não informado, com 414. Possíveis desvios de conduta envolvendo bens públicos motivaram 146 denúncias, enquanto propaganda irregular em banner, cartaz ou faixa gerou 99 registros e em adesivos gerou 93. Já alto-falante/amplificador de som foi o tipo responsável por 77 registros, bem particular por 67 e omissão de informações obrigatórias aparece em 57 denúncias.

A boca de urna foi denunciada por 47 pessoas. Já a propaganda irregular em outdoors gerou 42 registros, mesmo número registrado em folhetos/volantes/santinhos/impressos. A confecção, utilização ou distribuição de brindes aparece com 29 denúncias, comício/showmício gerou 27 registros, jornal/revista/tabloide foi o tipo denunciado por 5 pessoas, enquanto conduta vedada a emissora de rádio e televisão gerou 2 denúncias.

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Do total de denúncias, 31% geraram peticionamento no Processo Judicial Eletrônico (PJe), 54% foram baixadas do sistema e 15% estão em andamento. É importante ressaltar que o eleitor ou eleitora deve anexar fotos, vídeos, prints, links, ou seja, recursos que auxiliem na materialidade das denúncias, para que as mesmas sejam encaminhadas e apuradas. No PJe, a denúncia poderá ser autuada na classe Notícia de Irregularidade de Propaganda Eleitoral (Nipe) via Pardal ADM, a critério da autoridade judicial.

O município de Sinop é o que mais aparece com registros de denúncias, totalizando 183 até o momento. Cuiabá, onde haverá 2º turno no dia 27 de outubro, aparece em segundo lugar, com 134 denúncias. Em seguida, está Rondonópolis, com 110 registros.

Sobre o Pardal

O Pardal é um aplicativo voltado para o encaminhamento de denúncias de propaganda irregular nas eleições. A versão atualizada do aplicativo pode ser baixada gratuitamente nas lojas de dispositivos móveis (faça o download no Google Play ou na App Store).

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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