OPERAÇÃO SEM DESCONTO

Presidente do INSS pede exoneração da vice por ligação com ex-presidente preso

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A crise interna no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) escalou após o presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior, solicitar ao ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), a exoneração da vice-presidente, Lea Bressy Amorim.

O ofício, enviado na sexta-feira (14), justifica o pedido pela proximidade de Lea Bressy com o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que foi preso na semana passada na nova fase da Operação Sem Desconto. A operação investiga uma organização criminosa que fraudava aposentadorias e pensões.

Proximidade e Cargo Estratégico

No documento, Waller Júnior argumenta que Lea Bressy, que ocupa cargos estratégicos como vice-presidente e diretora de Tecnologia da Informação, deve dar “apoio irrestrito à apuração dos fatos”.

A vice-presidente já havia se envolvido em controvérsia anteriormente, quando, em abril deste ano, criticou a imprensa após Stefanutto ser alvo de busca e apreensão. Lea Bressy assinou uma nota alegando que a imprensa estaria fazendo uma “espetacularização” sobre a “Farra do INSS” e promovendo “julgamentos públicos de colegas afastados e exonerados”.

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Contexto da Crise

O pedido de demissão representa uma nova fase na crise da pasta:

  • Prisão do Ex-Presidente: Alessandro Stefanutto foi preso na quinta-feira (13), sob suspeita de receber propina de R$ 250 mil por mês da organização criminosa.

  • Conflito Interno: No início do mês, a coluna revelou que Wolney Queiroz aproveitou as férias de Waller Júnior para promover mudanças no órgão, período em que Lea Bressy havia assumido a presidência de forma provisória.

O ministro Wolney Queiroz e Lea Bressy não responderam aos pedidos de comentário sobre a solicitação de Gilberto Waller.

Fonte Metrópoles

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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