PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

Projeto Ribeirinho Cidadão inicia nesta segunda-feira a sua 2ª etapa, a Rota das Águas

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A segunda etapa do projeto Ribeirinho Cidadão começou nesta terça-feira, 2 de julho, e se estenderá até o dia 10 de julho, levando serviços de justiça, saúde e cidadania para as comunidades do município de Salto do Céu, Porto Esperidião e o Distrito de Lucialva.

A etapa terrestre da 17ª edição do Ribeirinho Cidadão 2024, realizada de 10 a 13 de abril, foi um sucesso, com 10.270 atendimentos. As ações contemplaram famílias das comunidades ribeirinhas e zona rural, como Estirão Comprido e São Pedro de Joselândia, e os Distritos de Barão de Melgaço, a 121 km de Cuiabá. Os dados foram divulgados pela Coordenação Estadual da Justiça Comunitária do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) no dia 19 de abril.

O projeto Ribeirinho Cidadão, iniciado em 2006 por uma iniciativa da Defensoria Pública em parceria com o Poder Judiciário de Mato Grosso, visa levar serviços essenciais a populações que raramente têm acesso a direitos básicos. Com a colaboração de diversas entidades públicas e privadas, o projeto oferece orientação jurídica, resolução de questões judiciais, facilitação de acordos e conciliações, auxílio na obtenção de declaração de hipossuficiência, emissão e regularização do CPF, serviços médicos e odontológicos, vacinação, assistência previdenciária e solicitação de benefícios.

A defensora pública-geral Luziane de Castro, falou sobre a expansão do projeto para novas áreas. “É uma experiência fantástica. O Ribeirinho está cruzando fronteiras, saindo do atendimento ao baixo Pantanal e levando cidadania e justiça para além das regiões ribeirinhas que já atendíamos. É um desafio novo trazer o atendimento para essa região que não conhecia o projeto, e estamos bastante animados. Tem sido um trabalho muito gratificante.”

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O defensor público Carlos Wagner Gomes de Matos destacou a importância do retorno do projeto às proximidades de Rio Branco após muitos anos sem atendimento. “É uma alegria participar, a Defensoria Pública retornando aqui após muitos anos com a população sem atendimento. É uma oportunidade ímpar. A maioria dos atendimentos está relacionada a erros em documentos públicos de identificação, certidões de nascimento e casamento.”

Um dos casos atendidos neste primeiro dia foi o de Joel Moreira da Silva, que procurava uma nova certidão de nascimento. Com uma certidão antiga de mais de 75 anos, Joel foi assistido pela Defensoria Pública, que irá providenciar a nova certidão em colaboração com um cartório no Espírito Santo.”A Defensoria Pública colheu o atendimento dele, registrou, e nós vamos oficiar o cartório e providenciar essa certidão. Pegamos o telefone dele e assim que a certidão chegar, nós vamos entrar em contato e orientá-lo sobre os próximos passos,” explicou o defensor público Carlos Wagner.

Joel Moreira expressou sua satisfação. “Eu vim procurar fazer identidade e tinha que arrumar a certidão. Eu não gastei nada e vim com prazer ser atendido por todos vocês que estão trabalhando e ajudando a gente.”

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Outro atendimento importante foi o de Maria Inês Gomes de Souza, de 40 anos, que solicitou pensão alimentícia para dois de seus três filhos, de 14 e 15 anos. “Eu tenho três filhos, mas vim pedir para dois, que nunca receberam nada do pai. Já tinha tentado com advogado particular, mas acabei desistindo por conta do custo do processo. Aproveitei que aqui não tem custo nenhum e vim fazer,” contou Maria Inês.

O juiz coordenador da Justiça Comunitária, José Antônio Bezerra Filho, falou sobre o objetivo do projeto. “O objetivo é trazer cidadania, inclusão social, pacificação social, e mostrar um sistema de justiça diferente. O Ribeirinho Cidadão estava alocado na região do Pantanal, e decidimos expandir para a Rota das Águas, um desafio aceito e ratificado pela Defensoria Pública-geral Luziane de Castro.”

Os parceiros do projeto incluem: SENAR, Ministério Público do Estado de Mato Grosso, Polícia Judiciária Civil, Corpo de Bombeiros Militar, POLITEC, GEFRON, DETRAN, CEJA, ENERGISA, Exército Brasileiro, Marinha do Brasil, Receita Federal, SETASC, PROCON, SECEL, Defesa Civil, SECITECI, INSS, Divisão de Transporte do TJMT e JUVAM.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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