A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta terça-feira (14), a Operação Dupla Face, que mira um esquema estruturado de desvio de recursos públicos na Prefeitura de Nossa Senhora do Livramento.
As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), resultaram no cumprimento de 27 ordens judiciais contra cinco pessoas físicas e uma empresa. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 532 mil em bens e valores dos investigados.
Segundo a apuração, o grupo é suspeito de desviar recursos das áreas de saúde, educação e assistência social. Apenas entre 2022 e 2023, o prejuízo identificado ultrapassa meio milhão de reais, o que representa cerca de 5% do orçamento da saúde do município.
No entanto, o volume de movimentações consideradas suspeitas é ainda maior: mais de R$ 2,7 milhões foram rastreados em transações financeiras, indicando que o rombo pode ser significativamente superior ao já identificado.
De acordo com a Polícia Civil, o esquema envolvia servidores públicos de diferentes esferas, incluindo funcionários municipais, um servidor estadual e até um policial militar, o que evidencia o caráter organizado da atuação criminosa.
As investigações apontaram que os pagamentos eram realizados sem empenho, sem contrato e, em diversos casos, de forma duplicada. Para dificultar a identificação das fraudes, os valores desviados eram fracionados e distribuídos entre os envolvidos.
O núcleo operacional do esquema era conduzido por uma servidora municipal que acumulava funções estratégicas no setor financeiro e contábil da prefeitura. Com acesso privilegiado ao sistema bancário, ela realizava transferências ilegais para uma empresa privada fornecedora do município.
A empresa funcionava como peça-chave na engrenagem criminosa, recebendo os recursos desviados e redistribuindo os valores entre os integrantes do grupo. A investigação identificou movimentações financeiras a partir de pelo menos 10 contas bancárias diferentes da administração municipal.
A descoberta das irregularidades ocorreu de forma inesperada, após uma fiscal de tributos questionar a ausência do pagamento de sua própria gratificação. A inconsistência nos registros levou à abertura de auditoria interna, que evoluiu para sindicância e, posteriormente, para investigação policial.
Diante dos indícios, a própria Prefeitura comunicou o caso ao Tribunal de Contas do Estado, que instaurou procedimento para apuração dos danos ao erário.
Entre os investigados estão uma ex-servidora municipal apontada como operadora do esquema, o proprietário da empresa utilizada para movimentar os recursos, um secretário municipal, um servidor estadual e um policial militar, considerado o maior beneficiário individual.
As investigações seguem em andamento para aprofundar a identificação de todos os envolvidos e dimensionar o prejuízo total causado aos cofres públicos.
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