Durante depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, nesta quarta-feira (25), o ex-governador de Mato Grosso, Pedro Taques, fez duras acusações contra o Banco Master, apontando a existência de um esquema de fraudes envolvendo crédito consignado e possíveis repasses irregulares a grupos políticos no estado.
Segundo Taques, a instituição teria liderado uma rede de financeiras que atuava de forma irregular, induzindo servidores públicos a assinarem contratos de empréstimos, dificultando o acesso às informações e operando, em alguns casos, sem autorização do Banco Central. Ele afirmou que cerca de 45 mil servidores mato-grossenses possuem contratos com empresas ligadas ao banco.
O ex-governador destacou que muitos aposentados chegam a comprometer até 60% da renda com empréstimos, com juros que variam entre 4% e 5% ao mês. Em alguns casos, há acúmulo de quatro ou cinco contratos simultâneos, firmados com empresas que utilizariam nomes semelhantes a instituições financeiras para transmitir credibilidade.
Taques também afirmou que diversas empresas venderam ao Banco Master os direitos de recebimento desses créditos, que posteriormente teriam sido revendidos ao Banco de Brasília (BRB) por valores considerados elevados. Em um dos casos citados, uma instituição teria cobrado quase R$ 150 milhões de servidores em apenas nove meses.
Outro ponto levantado envolve suspeitas de lavagem de dinheiro. O ex-governador afirmou que cerca de R$ 308 milhões, oriundos da devolução de impostos cobrados indevidamente, teriam sido direcionados a fundos administrados pelo Banco Master e, posteriormente, repassados a empresas ligadas a familiares e aliados do governador Mauro Mendes.
Ele criticou ainda o uso de fundos de investimento como mecanismo para ocultação de recursos, classificando o sistema como uma “Disneylândia para lavagem de dinheiro”, e apontou falhas na fiscalização por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
As declarações foram questionadas por senadores, que levantaram dúvidas sobre as conclusões e também destacaram o contexto político entre Taques e Mauro Mendes, ambos cotados para disputas eleitorais. Parlamentares também cobraram detalhes sobre os métodos de investigação utilizados pelo ex-governador.
A CPI segue apurando o caso, que pode ter ramificações em diversos estados brasileiros.
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