O vice-prefeito de Várzea Grande, Tião da Zaeli, anunciou nesta terça-feira (31) sua renúncia ao cargo e confirmou um rompimento total com a gestão municipal, após meses de desgaste interno e falta de alinhamento político com a prefeita.
Segundo ele, a relação entre ambos já vinha deteriorada desde o fim de 2025. “O alinhamento que tínhamos na eleição ficou no passado. Eu continuei na página das promessas, mas a gestão mudou de página”, afirmou.
Zaeli revelou que tentou, ao longo do último ano, reconstruir o diálogo, mas sem sucesso. O rompimento, segundo ele, foi silencioso e amadurecido internamente até se tornar definitivo.
“Foi um ano de luta para tentar trazer esse alinhamento, mas não conseguimos. É uma decisão pessoal e irreversível”, declarou.
O ex-vice-prefeito também criticou a composição atual do primeiro escalão da prefeitura, apontando a presença de figuras ligadas a grupos políticos que foram adversários na eleição.
Para ele, esse foi o ponto de ruptura definitivo.
“Ficou claro que quem serviu na campanha não servia mais. Isso foi a gota d’água.”
Zaeli reforçou que a vitória eleitoral foi construída com base no voto de protesto da população, que buscava mudança após anos de desgaste administrativo — expectativa que, segundo ele, não foi correspondida.
Em um dos trechos mais contundentes da fala, o ex-vice-prefeito fez uma autocrítica direta sobre a gestão.
“Prometemos um projeto e não entregamos. Eu já pedi desculpa por isso.”
Ele afirmou que a atual condução da prefeitura segue uma linha ideológica e administrativa diferente da proposta apresentada durante a campanha.
Fora da gestão, Tião da Zaeli disse que pretende focar em novos projetos, incluindo uma disputa na Federação das Indústrias, além de seguir atuando como empresário.
Mesmo fora do cargo, garantiu que continuará acompanhando e cobrando a administração municipal.
“Vou continuar contribuindo como cidadão. Várzea Grande precisa melhorar.”
Zaeli também apontou que o rompimento não se restringe ao Executivo. Segundo ele, há falta de alinhamento entre os poderes, incluindo a Câmara Municipal.
Apesar das críticas, afirmou que ainda há tempo para a gestão reverter o cenário.
“Ainda dá tempo de resgatar o que foi prometido. São três anos pela frente.”
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