Câmara de Cuiabá

TJ suspende votação de projeto que permite reeleição de Paula Calil

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O desembargador Mário Roberto Kono de Oliveira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, concedeu na noite de quarta-feira (15) uma liminar que suspende a votação do Projeto de Resolução nº 31.173/2026, prevista para ocorrer nesta quinta-feira (16) na Câmara Municipal de Cuiabá. A decisão atende a um Agravo de Instrumento apresentado pelo vereador Marcus Brito Júnior (PV), autor do projeto, e determina que a proposta não seja levada ao plenário até o julgamento do mérito do recurso.

No recurso, Marcus Brito Júnior questiona a exigência de quórum de dois terços dos vereadores para aprovação da alteração do Regimento Interno, sustentando que a Lei Orgânica do Município estabelece que as deliberações devem ocorrer por maioria de votos, salvo exceções previstas na própria lei ou na Constituição.

Ao analisar o pedido, o magistrado entendeu estarem presentes os requisitos para concessão da tutela de urgência e determinou a suspensão da votação até nova deliberação judicial.

Repercussão entre os parlamentares

A decisão repercutiu entre os vereadores. O vereador Dilemário Alencar (União) criticou a iniciativa de recorrer ao Judiciário e afirmou que o autor do projeto poderia simplesmente ter retirado a matéria da pauta.

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“Ele não precisava ingressar na Justiça, bastava apenas pedir para a presidente retirar a matéria da pauta e pronto. Mas fez isso para dizer que não estava rompendo o acordo comigo, pois ficou definido que, até o dia 16, se a Paula não tivesse os 18 votos, o grupo dela passaria a me apoiar. Agora vai vir com a desculpa esfarrapada de que não foi ele que tirou, mas sim a Justiça. Essa ação faz com que a candidatura da Paula ganhe sobrevida”, declarou.

Desgaste político

A liminar foi concedida no momento em que a articulação política para alterar o regimento dava sinais de desgaste. Na votação do parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), os defensores da proposta não conseguiram reunir os 18 votos exigidos pela regra atual — o que indicava que a mudança no quórum havia se tornado condição indispensável para viabilizar a recondução de Paula Calil à presidência da Câmara.

A disputa, porém, extrapolou os limites do Legislativo municipal e chegou ao Tribunal de Justiça por duas vias. Antes do recurso apresentado por Marcus Brito Júnior, o prefeito Abilio Brunini (PL) já havia ajuizado uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) para contestar os mesmos dispositivos do Regimento Interno. A tentativa do Executivo, no entanto, esbarrou na negativa de liminar pela relatora da ação, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, que manteve a eficácia dos dispositivos questionados.

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Mudança de posição

O episódio também evidencia uma mudança de posição do prefeito. Em 2018, quando era vereador, Abilio Brunini participou de uma ação judicial para impedir a reeleição da Mesa Diretora, classificando a tentativa como um “casuísmo político”. Hoje, como chefe do Executivo, sustenta judicialmente a tese de que o quórum qualificado previsto no Regimento Interno é incompatível com a Lei Orgânica — interpretação que, se confirmada pelo TJMT, poderá redefinir as regras da disputa pela presidência do Legislativo cuiabano.

Enquanto o mérito das ações não é julgado, permanece em vigor a exigência de 18 votos para qualquer alteração no Regimento Interno da Câmara, mantendo em suspenso as articulações para a eleição da próxima Mesa Diretora.

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Política MT

Max afirma que população sofre com impacto do trânsito e cobra agilidade na conclusão do BRT

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GIL GOMES

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi (Podemos), afirmou que a população tem enfrentado sérios impactos com o trânsito, especialmente nos trechos onde as obras do Ônibus de Transporte Rápido (BRT) ainda estão em andamento em Cuiabá e Várzea Grande. A declaração foi dada em entrevista ao Jornal do Meio Dia, da TV Vila Real, na segunda-feira (13).

“O trânsito é algo que mexe com tudo. Qualquer pessoa é impactada pelo trânsito. Quem tem que sair de casa mais cedo para pegar o transporte público e até quem chega mais tarde em casa quando sai do serviço por conta dos congestionamentos”, declarou.

O governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) e do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), já estabeleceu diferentes prazos para a entrega da obra. O mais recente previa a conclusão da primeira fase em junho, o que não ocorreu.

Papel do Legislativo

Max Russi destacou que a Assembleia tem cumprido seu papel ao cobrar celeridade na conclusão do modal. “A Assembleia tem feito a sua parte. Tem cobrado bastante, esse é o papel do Legislativo. A gente não executa obras, não faz entregas”, explicou, citando também a atuação de outros parlamentares na fiscalização dos trabalhos.

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Contrato e desafios

O presidente da ALMT relembrou os desafios enfrentados pelo governo para manter o ritmo das obras, especialmente a escassez de mão de obra. Na época do rompimento do contrato entre o governo de Mato Grosso e o Consórcio BRT, em fevereiro de 2025, quando Mauro Mendes (União) ainda era governador, Max defendeu que os serviços e as licitações fossem divididos em lotes, em vez de concentrados em um único contrato.

A proposta, no entanto, não foi adotada. A vencedora da licitação foi a empresa Lotufo Engenharia e Construções, com uma proposta de R$ 128 milhões. Pelo modelo de contratação integrada, a empresa ficou responsável tanto pela elaboração dos projetos executivos quanto pela construção dos três terminais — em Várzea Grande, na região do CPA e no bairro Porto — além do Centro de Controle Operacional (CCO), que funcionará junto ao terminal do Porto.

“Se essa empresa, por mais estruturada que seja, encontra dificuldade no mercado de mão de obra, todo o trecho fica parado. A solução que a gente defendeu lá atrás era de que fosse fracionado, para que tivéssemos menos problemas com essa obra”, concluiu Max Russi.

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