represália política

Secretário deixa cargo após esposa vereadora se opor a reeleição de Paula Calil

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O secretário de Esportes de Cuiabá, Jeferson Neves, deixou o cargo na segunda-feira (13). A saída ocorre em meio à disputa interna do prefeito Abilio Brunini (PL) na Câmara Municipal, onde a esposa de Neves, a vereadora Michelly Alencar (União), não aderiu ao movimento para garantir a reeleição da presidente da Casa, Paula Calil (PL).

A justificativa oficial para a saída é que Jeferson Neves deixará o cargo para participar ativamente da campanha da esposa, pré-candidata a deputada estadual nas eleições deste ano. No entanto, nos bastidores, a movimentação é vista como uma represália política.

A proximidade do casal com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) também alimenta a expectativa de que Neves retorne ao governo estadual nos próximos meses.

Pressão na Câmara

Sem votos suficientes para mudar o regimento interno e garantir a reeleição de Paula Calil dentro da mesma legislatura — o que exige 18 votos —, o prefeito ingressou com uma ação no Tribunal de Justiça para que a votação seja aprovada por maioria simples. A eleição para a presidência está marcada para agosto.

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A reportagem aponta que demandas de vereadores que até então integravam a base de Abilio estão sendo “esquecidas” no Executivo. A saída de Jeferson Neves seria mais uma forma de pressionar a vereadora Michelly Alencar, que se manteve leal ao prefeito desde o início do mandato, mas não acompanhou a atual presidente neste processo de reeleição.

Outras baixas

Na semana passada, o secretário de Comunicação da Câmara, Ever Jota, indicado pela primeira-secretária Katiuscia Mantelli (Pode), também foi desligado pelo mesmo motivo. Outros servidores do Legislativo foram dispensados, segundo a matéria.

Antes de Paula Calil decidir que disputaria a reeleição, o vereador Ilde Taques (Pode) articulava concorrer à presidência — movimento que, segundo bastidores, desagradou o prefeito, que prefere a manutenção da atual presidente no cargo.

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Por um voto, CCJ aprova parecer que permite reeleição de Paula Calil; mérito exige 18 votos

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Donatto Aquino

A Câmara Municipal de Cuiabá aprovou, na sessão desta terça-feira (14), por 13 votos a 12, o parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) ao projeto de resolução que altera o Regimento Interno da Casa e permite que a atual presidente, Paula Calil (PL), dispute a reeleição para o comando do Legislativo.

A votação desta terça analisou exclusivamente o parecer da CCJR, que trata da constitucionalidade e legalidade da proposta. Por se tratar de análise de parecer, a aprovação se deu por maioria simples — bastava que recebesse mais votos favoráveis do que contrários, o que ocorreu por um voto de diferença.

Agora, o projeto segue para a votação de mérito, etapa em que os vereadores decidirão se a alteração do Regimento Interno deve ou não ser aprovada. Diferentemente da análise do parecer, o mérito exige quórum qualificado de dois terços da Câmara, ou seja, pelo menos 18 votos favoráveis entre os 27 parlamentares.

Base rachada

A votação evidenciou o racha na base do prefeito Abilio Brunini (PL). Enquanto parte dos vereadores governistas votou favoravelmente ao parecer, outros parlamentares alinhados ao Executivo se posicionaram contra a proposta por defenderem a candidatura do vereador Ilde Taques (Podemos) para a presidência da Mesa Diretora.

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Cenário jurídico

A discussão ocorre um dia após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) negar o pedido de liminar do prefeito Abilio Brunini para suspender a exigência de dois terços dos votos para alterar o Regimento Interno. Na decisão, a desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho entendeu que o município não demonstrou urgência suficiente para afastar a regra em vigor desde 2016. O mérito da ação ainda será analisado pelo Órgão Especial do TJMT.

Os votos

Votaram “sim” (13): Paula Calil (PL), Baixinha Giraldelli (Solidariedade), Marcus Brito Júnior (PV), Samantha Iris (PL), Marcrean Santos (MDB), Tenente-Coronel Dias (Cidadania), Cezinha Nascimento (União Brasil), Demilson Nogueira (PP), Professor Mário Nadaf (PV), Adevair Cabral (Solidariedade), Dilermário Alencar (União Brasil), Kássio Coelho (Podemos) e Ranalli (PL).

Votaram “não” (12): Michelly Alencar (União Brasil), Dídimo Vovô (PSB), Maria Avalone (PSDB), Maysa Leão (Republicanos), Alex Rodrigues (Podemos), Daniel Monteiro (Republicanos), Katia Ciuscia Mantelli (Podemos), Jefferson Siqueira (PSD), Eduardo Magalhães (Republicanos), Chico 2000 (PL), Dra. Mara (Podemos) e Ilde Taques (Podemos).

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Não votaram (2): Sargento Joelson (Podemos) e Wilson Kero Kero (Democracia Cristã).

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