Ousadia que virou herança

Jovem produtor dá continuidade a legado iniciado nos anos 90 em MT

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A história do produtor rural Anderson Fritzen Frizzo, de 32 anos, se confunde com a própria expansão agrícola de Querência, no nordeste de Mato Grosso. O que hoje é uma propriedade consolidada começou com uma decisão ousada nos anos 1990, quando sua família deixou o Rio Grande do Sul para apostar em terras ainda pouco exploradas no Centro-Oeste.

Com raízes nos municípios gaúchos de Sede Nova e Humaitá, a agricultura sempre fez parte da identidade familiar. No início da década de 1990, movidos por relatos sobre o potencial produtivo de Mato Grosso, os Frizzo decidiram conhecer de perto a nova fronteira agrícola. A visita ocorreu em 1993. No ano seguinte, veio a decisão definitiva: vender parte das terras no Sul e investir em uma área em Querência, onde hoje está instalada a sede da fazenda.

Anderson tinha apenas um ano e meio quando seus pais chegaram ao estado, acompanhados de dois cachorros e um carro simples. Trouxeram consigo mais do que pertences — carregavam fé, coragem e a disposição para recomeçar. Os primeiros anos foram marcados por desafios intensos, desde a abertura das áreas até a construção da fertilidade do solo.

Mesmo criança, Anderson guarda lembranças vivas daquele período.

“Desde pequeno convivi com tudo isso. Acompanhei a abertura das áreas, o planejamento, o trabalho pesado. Foram anos difíceis, mas são memórias boas, que marcaram nossa trajetória”, relembra.

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A formação da agricultura local aconteceu de forma colaborativa. Famílias recém-chegadas trocavam experiências, aprendiam juntas e estruturavam as bases produtivas da região. Nesse ambiente, Anderson cresceu absorvendo valores e desenvolvendo uma ligação natural com o campo.

Apesar da forte influência familiar, teve liberdade para escolher o próprio caminho. Ainda jovem, voltou ao Rio Grande do Sul para cursar técnico em informática, em regime de internato. Mas a experiência não confirmou sua vocação.

“Meu pai disse: ‘Volta e trabalha com a gente na fazenda para ver se é isso que você quer’. Quando retornei, o amor que já tinha pelo campo só aumentou”, conta.

A decisão definitiva veio com a graduação em Agronomia, cursada em Goiânia. Após concluir o curso, Anderson retornou para Querência, onde há cerca de 11 anos atua diretamente na gestão e na condução da propriedade.

Um dos momentos mais marcantes dessa caminhada foi a perda do avô materno, grande incentivador da mudança para Mato Grosso.

“Foi uma divisão de águas. Ele era apaixonado por essa terra. Mesmo com a dor da perda, decidimos continuar o legado que ele ajudou a construir”, relata, emocionado.

Hoje, a história ganha novos capítulos. Anderson é casado, pai de uma menina de seis anos e aguarda a chegada do segundo filho, Pedro. A irmã também constituiu família, fortalecendo a sucessão que mantém viva a trajetória iniciada décadas atrás.

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“Mostramos aos nossos filhos de onde viemos e tudo o que foi construído com dedicação. É um legado de trabalho e amor pela terra.”

Para ele, o agro atual é muito diferente daquele do início da colonização da região. Se antes o foco era abrir áreas e estruturar o solo, hoje o campo é altamente tecnológico, exigindo conhecimento técnico e capacidade de gestão diante de inúmeras variáveis.

Anderson acredita que justamente essa transformação pode atrair as novas gerações.

“A tecnologia é uma porta de entrada para os jovens. O campo hoje é inovação, é gestão, é estratégia. Existe muito espaço para quem quer crescer dentro do agro.”

Com orgulho, ele resume o sentimento que move sua trajetória: produzir alimentos e contribuir diariamente para a mesa de milhões de brasileiros.

A história da família Frizzo é mais do que um relato de sucesso no agronegócio. É a representação de uma geração que acreditou na terra, enfrentou desafios e construiu, com trabalho e perseverança, um legado que segue florescendo em Mato Grosso.

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Agro360

Debaixo de uma mangueira ao mercado estadual: tradição da rapadura impulsiona família

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O que começou de forma simples, sob a sombra de uma mangueira no quintal de casa, transformou-se em uma marca consolidada que ultrapassa as fronteiras de Nossa Senhora do Livramento e leva o sabor da Baixada Cuiabana para diferentes regiões de Mato Grosso e do Brasil. Há mais de seis décadas, seu Ciro Ernesto de Moraes e a família iniciaram a produção artesanal que deu origem aos tradicionais Doces Campo Alegre.

Cercada por canaviais, a propriedade mantém viva a essência da agricultura familiar. Ao longo dos anos, o que era feito de maneira rudimentar ganhou estrutura, modernização e apoio técnico, sem perder as raízes.

“O começo foi debaixo de uma mangueira. Com o tempo, fomos investindo e melhorando. Tivemos apoio do município, da Seaf e da Empaer. Hoje já temos o Selo de Inspeção Municipal e queremos avançar ainda mais”, relata seu Ciro.

Atualmente, cerca de 7,5 toneladas de cana-de-açúcar são moídas mensalmente na agroindústria familiar. A matéria-prima é transformada em rapaduras que vão da versão tradicional às variações com bocaiuva e café, ampliando o portfólio e conquistando novos consumidores.

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Apesar de empregar aproximadamente 15 trabalhadores, a escassez de mão de obra ainda é um desafio. O movimento na propriedade é constante, impulsionado tanto por compradores locais quanto por visitantes que passam pela estrada e levam os produtos para outras cidades.

O salto de qualidade na produção ocorreu após cursos e orientações técnicas oferecidos pela Empaer, que ajudaram a reduzir desperdícios e otimizar o aproveitamento da cana.

“Antes perdíamos muito caldo. Depois dos cursos, passamos a aproveitar melhor a produção. O apoio técnico foi essencial para crescermos”, destaca o produtor.

Durante visita técnica recente, representantes da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) conheceram a estrutura e acompanharam o processo produtivo, reforçando o compromisso com o fortalecimento da agroindústria de pequeno porte.

Agora, o próximo objetivo da família é conquistar o Selo de Inspeção Agroindustrial de Pequeno Porte (Siapp), certificação estadual que permitirá ampliar a comercialização para novos mercados.

“Com o Selo, teremos condições de produzir mais e vender para outras regiões. É um passo importante para continuar crescendo”, afirma seu Ciro.

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Atualmente, Mato Grosso conta com 40 agroindústrias de pequeno porte formalizadas e inseridas no sistema de inspeção sanitária estadual, fortalecendo a agricultura familiar e impulsionando o desenvolvimento regional.

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