Glaucia Amaral
Violência Psicológica Vendida em Cursos
Pais de adolescentes, de crianças e mesmo os adultos – que também podem ser vítimas – precisam estar atentos a mais uma questão dos nossos tempos de sociedade em rede. Depois da série ‘Adolescência’, muitos se atentaram para o efeito que as redes sociais estão causando nas relações entre meninos e meninas. Mas há diversos tipos de risco que se encontram no @Instagram Way of Life.
Hoje, as pessoas estão tendo acesso a um farto material vindo de coaches e influenciadores que afirmam possuir fórmulas de sedução infalíveis.
Vídeos curtos e carismáticos vendem a ideia de que o amor é um jogo de estratégia. Ocorre que, na prática, o que está sendo vendido são fórmulas de domínio emocional e controle psicológico por menos de R$ 100 por mês no seu cartão de crédito. O que parece ser apenas uma forma ousada de conquistar alguém pode, na verdade, ser um início silencioso de um relacionamento abusivo, muito prejudicial para o alvo que, no fim, é uma vítima.
Este artigo, além do alerta, tem por objetivo descrever, em partes, o processo pelo qual se instala esse tipo de dominação emocional, para que pessoas de boa fé se protejam e reconheçam os movimentos em caso de serem alvo dessas técnicas, se afastando com segurança. E também para que outras que estejam considerando adquirir esse tipo de produto jamais gastem seu tempo nem seu dinheiro com cursos que levam invariavelmente à formação de relações abusivas.
Não haverá indicação do nome de nenhum autor ou produto dessa linha de manipulação, mas cito um exemplo, mesmo sem nomes. Durante o governo Michel Temer, a presidência da República administrativamente barrou a entrada no país de uma pessoa mundialmente conhecida por esse tipo de técnica, que ensinava, dentre outras coisas, a usar ofensas para conquistar mulheres. Acreditávamos que tinha sido uma grande vitória. Infelizmente, as técnicas entraram. E hoje são usadas tanto por homens para manipular mulheres, quanto por mulheres para manipular homens.
E o pior: quanto mais fria e naturalmente manipuladora for a pessoa que aplica a técnica, maior o sucesso e maior o prejuízo afetivo, familiar, profissional e psicológico da vítima, que se sente enamorada em meio a um processo de vício em dopamina que simula paixão.
Muitos dos casos de violência que recebemos ou acompanhamos começam com uma narrativa comum. As frases são: “Essa pessoa nunca me chamou a atenção antes.” “Eu não gostava dela no início.” “Não sei como fui parar nesse relacionamento.” Decorrem do fato de, antes mesmo do relacionamento começar, o agressor ter decidido, estudado e se infiltrado na vida da vítima — muito embora tudo pareça inesperado como parte da narrativa que o próprio manipulador fornece.
No início, a aproximação visa tornar a imagem do manipulador próxima da outra pessoa. Vejam que o início desse tipo de vínculo abusivo é quase sempre sutil e difícil de perceber. A primeira fase é a aproximação cuidadosamente planejada para gerar empatia e desarmar qualquer tipo de resistência — como arrumar desculpas para visitar um parente ou o trabalho do outro, todos os dias.
A pessoa manipuladora se mostra acessível, útil, gentil, atenta, às vezes encantadora, às vezes frágil, muitas vezes sob desculpas plausíveis, mesmo que inconvenientes. Procura estar diariamente ao lado ou no campo de visão da vítima.
Constrói-se como alguém confiável, inofensivo e às vezes até ridículo — pois assim não é ameaçadora afetivamente. O objetivo é parecer emocionalmente próxima com aparência de segurança. Assim, o alvo não vê por que afastá-la, ainda que, no fundo, não exista vontade real de estar perto.
No próximo estágio, tudo é projetado para provocar uma sensação de conexão especial. Elogios inesperados causam na outra pessoa uma mistura de constrangimento e vaidade. Confidências apressadas em momentos não propícios geram surpresa e uma sensação de proximidade acelerada. Promessas veladas aparecem sem que haja vínculo real. E então começa o jogo químico: o ciclo de presença, susto e ausência. Entusiasmo e retraimento.
O cérebro ativado pela dopamina passa a reagir como quem responde a um vício. Não é amor, não é tesão, não é paixão. É a abstinência. E esse é o terreno mais fértil para manipulação. É o mesmo mecanismo dos jogos de azar, das drogas, do açúcar e de todos os demais vícios que acabam consumindo a atenção das pessoas.
Nesta fase, a vítima da suposta sedução da internet ainda não percebe, mas já começa a se sentir dispersa, distraída. Em breve estará emocionalmente comprometida a ponto de se atrapalhar em tarefas simples, perder atenção, produtividade, sofrer interrupções mentais frequentes, criar uma rotina com o agressor e, mais: esquecer seus verdadeiros afetos.
Quando o vínculo dopaminérgico já está formado, inicia-se a próxima etapa: a desestabilização da autoestima. Sim, repita-se: isso é vendido sossegadamente na internet. Enquanto a sociedade se preocupa com a verdadeira pandemia de problemas mentais e psicológicos, cursinhos de sedução ensinam a conquistar desestabilizando a autoestima do outro.
O que se vende em cursos e livros com linguagem moderna e bem-humorada são métodos reais de enfraquecimento psicológico do outro
O manipulador ou manipuladora começa a aplicar ofensas sutis, disfarçadas de piada, cuidado ou sinceridade desconcertante. Ou, em casos mais diretos, aplica uma forma de gaslighting: nega situações visíveis, distorce o que foi dito, impõe uma leitura falsa com tanta convicção que a vítima se questiona se perdeu a noção da realidade. Mas o mais comum são pequenas ofensas — ou ofensas diretas.
Deixarei de citar o nome desta técnica para que ninguém curioso a procure na internet. As frases ferem e elogiam ao mesmo tempo:
•“Você é tão fofo, mas precisa ter mais coragem para pegar mulher.”
•“Homem que é homem gosta de mulher direta.”
•“Você é linda, mas meio exagerada.”
•Você é brilhante, mas assusta os homens.”
•“Você deveria ser maduro para sua idade e, se assim fosse, resolveria nossa situação.”
A mensagem, independente dos sexos, é clara: você é demais, por isso mesmo não é suficiente.
O impacto dessa ambiguidade é devastador. Em vez de se afastar, a vítima se mobiliza. Quer provar que é boa. Quer reconquistar o brilho do início. O manipulador a fez entrar no jogo. E agora a outra pessoa está presa no jogo.
O problema desta técnica é que ela não parece agressão. Parece desafio. Parece o início de uma paixão nova.
Quando a outra pessoa finalmente pensa em se afastar porque está sendo exposta e ofendida, o descontrole — como arma — entra em cena. Mas não é um descontrole espontâneo, sensível ou nervoso. Muito embora soe assim, é calculado. Um descontrole que busca provocar controle.
Explosões de raiva, choro teatral, acusação repentina. E, em tempos de internet, o mais usado: escândalo social que precisa ser acalmado, fazendo com que a outra pessoa mantenha contato ou até retome o relacionamento gentil com o agressor. Tudo para que ele fique em silêncio.
Frases como: “Você está me esgotando”; “Você sabe que só estou aqui por te amar e e vai deixar esse amor único para trás”;“Eu sou forte o bastante para suportar o mal que você está me fazendo”.
Ou agressões diretas à pessoa alvo, como sua aparência, seu jeito de ser. Ditas publicamente de todas as formas, agressivamente ou diminuindo a autoestima do outro, provocando reações. A encenação emocional vem para inverter os papéis: o manipulador se faz de ferido e transforma a vítima em agressora.
Às vezes, esse descontrole se transforma em melancolia performática: histórias de abandono, traumas antigos (reais ou inventados), feridas abertas. Tudo contado com uma intenção: gerar compaixão — já que não há amor e interesse real ali.
Pratica-se alternadamente o coitadismo, ainda que travestido de frases de poder. E, ao final, uma entrega simbólica: “Você é a única pessoa que pode me salvar.”
Essa forma de chantagem emocional complexa não soa como um golpe. Soa como uma oferta de amor. Mas é controle.
E funciona especialmente com homens — pois há o sentido de proteção e de ser forte, único para aquela mulher. E com mulheres, que foram ensinadas a cuidar e guardar essa tensão que parece extrema.
A vítima, agora inteiramente envolvida — isso é o que vemos nos boletins de ocorrência de violência psicológica ou nos ciclos de violência geral — começa a cuidar e proteger o agressor.
A vítima sente culpa, medo e obrigação. E mais: seu cérebro procura o outro como um viciado procura droga, porque foi submetido a uma sequência de eventos que provocam altos picos dopaminérgicos. Nesta fase, sente que precisa cuidar, salvar, aguentar. Mas chama de amor.
E sente algo que não consegue nomear: uma espécie de sufocamento emocional. Uma impaciência. Um incômodo com a figura que está ao seu lado. Afinal, a personalidade da agressora ou agressor normalmente sequer despertava atração física antes que essa guerra estratégica começasse.
Mas, nesta fase, a vítima já foi convencida de que está apaixonada, vivendo um amor, e sente um desejo explosivo — porque a sensação de ansiedade da ausência do agressor é confundida com vontade.
É um esgotamento silencioso. E mesmo assim a vítima permanece. Porque já não sabe mais separar manipulação daquilo que aparenta ser paixão.
Na realidade, sequer cogita estar sendo manipulada. Pensa que fez uma escolha. E o mais grave: quem aplica essas técnicas o faz com plena consciência. E é exatamente por isso que elas são ensinadas como estratégias de sedução.
O que se vende em cursos e livros com linguagem moderna e bem-humorada são métodos reais de enfraquecimento psicológico do outro. Métodos que reduzem a auto-percepção, confundem o afeto e prendem a vítima em ciclos de dependência e vergonha.
Portanto, se você vê seu filho ou filha adolescente, um amigo, adulto, jovem ou você mesmo sendo constantemente ofendido em um relacionamento e tentando se provar; se vê alguém emocionalmente envolvido com quem não sente admiração, nem orgulho de estar junto, sequer reconhece beleza ou teria atração física; se percebe que há culpa e não reciprocidade nesse vínculo — preste atenção. Tente acordar. Tente ajudar.
Não é fácil distinguir o amor real — medroso, confuso, ao mesmo tempo corajoso e alegre — daquilo que é provocado quando estamos incautos pela vida. Mas é preciso estar atento e forte. Há grandes empresários. Integrantes da magistratura, pessoas famosas, presas nesse ciclo, sustentando a vaidade de quem sequer desejam, ou entregando bens e valores.
O final desses relacionamentos são anos e anos de tratamento psicológico — ou anos e anos de vida sob controle de outra pessoa. Ou, quando a vítima acorda, o agressor pode provocar prejuízos pessoais, reputacionais, profissionais e até atentar contra a integridade física ou, como tantas vezes, encerrar o ciclo da violência tirando a vida do outro.
Se violência psicológica é crime, esse tipo de curso que se baseia em manipulação emocional também deveria ser crime. Porque não ensina a amar — ensina a destruir a autoestima do outro e dominar.
Já fizemos a releitura dos contos de fada, observando, por exemplo, que A Bela e a Fera mostra cárcere privado e síndrome de Estocolmo. Que tal reler também os conceitos de mulher fatal, aquela que conquista todos os homens que desejar? Amor é espontâneo e único. É impossível que alguém conquiste todos os que quiser sem ter traços de sociopatia.
O mesmo raciocínio vale para o personagem Dom Juan — que mira em qualquer mulher e consegue todas, além de ter diversos feminicídios em seu currículo.
Evidentemente, existem pessoas naturalmente charmosas, atraentes, interessantes, que chamam a atenção quando entram numa sala, que possuem brilho pessoal. Porém, sociopatas afetivos normalmente não são pessoas naturalmente sedutoras. São pessoas que, instintivamente ou deliberadamente (já que hoje existem cursos), utilizam técnicas de manipulação para atrair quem nunca se interessou por elas.
O cuidado é com a destruição da autoestima. Com o domínio emocional. Com o tempo de vida e afetos perdidos, jogados fora com alguém que nem ama e nem é amado. Rouba o que é de mais precioso: o tempo de vida e a intimidade da outra pessoa.
Bom senso teve o ex-presidente da República, Michel Temer, que proibiu a entrada do guru desse tipo de técnica no país.
Glaucia Amaral é Procuradora do Estado, integrante do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, ex-presidente do CEDM-MT e da Comkssao da Mulher Advogada da OAB-MT
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O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) assume o comando do Governo de Mato Grosso trazendo algo que, na política, faz toda a diferença: experiência de gestão e resultados comprovados.
Ao longo da sua trajetória pública, construiu um histórico de decisões acertadas, liderou projetos que deram resultado e contribuiu diretamente para o desenvolvimento do nosso Estado. Por isso, afirmo com convicção: Mato Grosso está em boas mãos.
Essa avaliação não nasce de expectativa ou discurso político. Ela vem da observação de uma caminhada marcada por trabalho, planejamento e entrega. Em seu discurso de posse, o governador Pivetta deixou claro que irá manter Mato Grosso no rumo certo. “Vamos continuar fazendo com a coragem que o povo e Deus nos deram”.
Quem convive com o governador Pivetta sabe que ele costuma usar uma expressão que traduz bem sua forma de agir: “fazimento”. Já ouvi isso dele muitas vezes. E, na prática, é exatamente isso que define sua atuação — fazer, executar e entregar resultados para a sociedade.
Esse perfil começou a ganhar força ainda quando Pivetta esteve à frente da prefeitura de Lucas do Rio Verde por três mandatos. Naquele período, o município de Lucas do Rio Verde passou a ser destaque nacional ao adotar um modelo de crescimento estruturado, com planejamento urbano, fortalecimento da economia por meio da agroindustrialização e melhora consistente dos indicadores sociais.
Liderado por um empresário do agronegócio que se tornou gestor público, Lucas do Rio Verde deixou de ser apenas uma cidade em expansão para se tornar referência nacional em gestão municipal. Até hoje, o município segue se destacando em indicadores de desenvolvimento humano em Mato Grosso — um dos principais parâmetros utilizados para avaliar a qualidade de vida da população, considerando fatores fundamentais como renda, longevidade e educação.
O que se viu ali foi organização, visão de longo prazo e capacidade de transformar potencial econômico em desenvolvimento real para a população.
Essa experiência ajudou a levar Pivetta a novos desafios na política mato-grossense. Nos últimos anos, como vice-governador de Mato Grosso, acompanhou de perto áreas estratégicas para o futuro do Estado, especialmente infraestrutura e educação — dois pilares fundamentais para o crescimento.
Na infraestrutura, os avanços são claros. Mato Grosso pavimentou 7 mil quilômetros de rodovias, um recorde histórico, além de manter programas contínuos de conservação de toda a malha rodoviária estadual. Em um estado com dimensões continentais e forte presença do agronegócio, uma logística de qualidade significa desenvolvimento, competitividade e integração.
Na educação, os investimentos também avançaram. Mais de R$ 478 milhões foram destinados à melhoria da estrutura das escolas da rede estadual, beneficiando mais de 320 mil estudantes.
Esses números ajudam a explicar por que Mato Grosso vive hoje um dos ciclos de crescimento mais relevantes do país. E isso não acontece por acaso. É resultado de gestão, planejamento e de uma atuação consistente.
Como deputado estadual, acompanho de perto os desafios e as oportunidades que Mato Grosso enfrenta. Nosso estado cresce acima da média nacional, se consolida como uma potência econômica e exige lideranças preparadas para conduzir esse novo momento.
Líderes que conhecem o Estado, que dialogam com os municípios e que respeitam as diferenças de cada região fazem toda a diferença.
Nesse cenário, o governador — a quem também me refiro com respeito e proximidade como “Pivettão” — se consolida como uma das principais lideranças políticas de Mato Grosso. É reconhecido pela capacidade de gestão, pela liderança e pela proximidade com os municípios — algo essencial em um Estado tão grande e diverso.
Mato Grosso precisa de gente que conheça sua realidade e saiba transformar potencial em desenvolvimento equilibrado. E o governador Otaviano Pivetta construiu sua trajetória exatamente assim: com trabalho, responsabilidade e entrega.
A população ganha ao ter à frente do governo um gestor experiente, que entende o estado e tem condições de ampliar políticas públicas que gerem mais desenvolvimento e qualidade de vida.
Mato Grosso não precisa de improviso. Precisa de gestão. Precisa de resultado.
E é por isso que afirmo: Mato Grosso está em boas mãos. Chegou a hora e a vez do homem do “fazimento”. Bom trabalho, Pivettão.
Diego Guimarães (Republicanos) é Deputado Estadual por Mato Grosso
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