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Acusado de mandar matar juiz, empresário é absolvido por Tribunal do Júri em Cuiabá

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O advogado João Cunha afirmou que o empresário Josino Guimarães foi absolvido não porque o Ministério Público Federal (MPF) não tinha provas, mas porque não mandou matar o juiz Leopoldino Marques do Amaral, em 1999.

Josino foi inocentado pelo tribunal do júri pela segunda vez na noite desta quarta-feira (24). Ele já havia sido absolvido no primeiro julgamento do caso, que ocorreu em 2011, mas em 2014 a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) anulou a sentença, determinando um novo julgamento. O processo, agora, transitou em julgado. 

“O juiz não perguntou para o corpo de sentença se faltou prova, o juiz perguntou se Josino foi o mandante do crime, e o corpo de sentença disse que Josino não foi o mandante. É isso que precisa ficar esclarecido. Não é porque faltaram provas, é porque ele não fez”, disse o advogado.

"Por isso que a gente fala, a autoridade com poder de processar, tem que ir na trilha certa. É impossível sustentar a acusação diante da falta de provas e isso os jurados percebe. É isso que leva-se em conta", acrescentou. 

Questionado se o crime teria outro mandante , o advogado afirmou acreditar que não. 

“Mas em relação a esses fatos, se fossem procurar um mandante hoje, o processo contra um outro mandante estaria prescrito porque já se passaram mais de 20 anos do crime”. 

Para João Cunha, a responsável pela morte do magistrado já foi condenada. Trata-se, segundo ele,  da ex-escrevente do Fórum de Cuiabá Beatriz Árias Paniágua.

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Beatriz foi condenada a 12 anos de prisão em 2001.

“Condenação não ressuscitaria, nem devolveria a vida a ninguém e o fenômeno mais belo que há é a vida. Mas vocês podem ter certeza de que quem determinou a morte, quem matou de fato já foi condenada nesta existência. Eu acredito que Deus pune também, e chegará esta hora”, disse.

Conduzido pelo juiz federal Paulo Cézar Alves Sodré, o julgamento começou na manhã de segunda-feira (21), dia reservado para as oitivas das testemunhas de defesa e acusação.

O segundo dia, terça-feira (22), foi marcado pelo depoimento de Josino Guimarães. O empresário se disse inocente e chorou por diversas vezes em frente ao júri, ao relembrar dos dias em que passou na prisão.

O terceiro e último foi reservado para o debate entre acusação, feita pelo procurado da república Fabrício Carrer, do Ministério Público Federal, e defesa, com o advogado João Cunha.

A acusação sustentou que Josino tinha interesse na morte do magistrado, pois meses antes havia sido apontado por Leopoldino como corretor de sentenças no Tribunal de Justiça.

A defesa se apegou à ausência de provas testemunhais que ligassem Josino ao assassinato de Leopoldino. De acordo com o advogado, o caso é “uma grande mentira”.

O caso

Em 1999, Leopoldino, então titular da Vara de Família de Cuiabá, foi investigado pela Corregedoria do Tribunal de Justiça por suspeita de desvio de recursos de depósitos judiciais e falsificação de alvarás.

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Após publicidade dessas acusações, Leopoldino escreveu uma carta-denúncia e acusou desembargadores de venda de sentenças, nepotismo e outros esquemas, e afirmou que Josino fazia a intermediação entre magistrados e partes. 

Tempos depois da denúncia, o magistrado saiu em viagem com destino a Concepción, no Paraguai. Em sua companhia estavam Beatriz Árias e o tio dela, Marcos Peralta, que dirigia o carro.

Dois dias depois, um corpo com perfurações na cabeça foi encontrado carbonizado em uma estrada vicinal da cidade paraguaia, e os documentos de Leopoldino ao lado do cadáver. Exames de arcada dentária feitos no país vizinho e no Brasil comprovaram que o corpo era mesmo do magistrado.

Beatriz foi presa e apontada como coautora do homicídio. Durante as investigações, ela chegou a dizer que foi o tio quem fez os disparos contra Leopoldino.

Ela foi condenada a 12 anos de prisão, em 2001, pelo Tribunal do Júri da Justiça Federal. Depois de cumprir dois terços da pena, conseguiu o livramento condicional e deixou o Presídio Feminino Ana Maria do Couto. 

Seu tio, apontado como o executor do crime, chegou a ser preso no Paraguai mas nunca foi julgado. Ele morreu em 2005 por complicações da diabetes.

Nenhum desembargador citado na carta-denúncia de Leopoldino foi investigado pelo assassinato.

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Polícia prende marido investigado por tentar matar esposa com sedativos durante internação

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Um homem de 49 anos foi preso pela Polícia Civil nesta sexta-feira (3), em Guarantã do Norte, suspeito de tentar matar a própria esposa por meio da administração irregular de medicamentos sedativos durante o período em que ela estava internada em um hospital. O investigado teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e responderá, inicialmente, por tentativa de feminicídio.

As investigações tiveram início após profissionais de saúde comunicarem à Polícia Civil uma situação considerada incomum durante a recuperação da paciente. A mulher apresentava evolução clínica satisfatória e havia previsão de receber alta nos dias seguintes. No entanto, após permanecer sob os cuidados exclusivos do marido por um período, seu estado de saúde se agravou de forma inesperada.

Segundo a apuração, funcionários do hospital relataram ter visto o suspeito manipulando o equipamento de soro da paciente, retirando e recolocando a medicação intravenosa. A atitude levantou a suspeita de que alguma substância pudesse estar sendo administrada sem autorização da equipe médica.

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Ao longo da investigação, a Polícia Civil realizou diligências, ouviu testemunhas, recolheu materiais para perícia e solicitou exames laboratoriais. Os primeiros resultados indicaram a presença de uma substância com efeito sedativo em amostras biológicas da vítima, reforçando a hipótese de que medicamentos teriam sido aplicados de forma indevida.

Com base nas evidências reunidas, os investigadores solicitaram à Justiça a prisão preventiva do suspeito, além de medidas protetivas em favor da vítima. Os pedidos foram aceitos pelo Poder Judiciário, e o mandado foi cumprido nesta sexta-feira pelos policiais da Delegacia de Guarantã do Norte.

Apesar da prisão, as investigações continuam para esclarecer completamente a dinâmica dos fatos, identificar a motivação do crime e reunir novos elementos que possam fortalecer o inquérito policial.

O delegado responsável pelo caso, Mauro Apoitia, destacou a importância da colaboração da população e dos profissionais de saúde na identificação de situações suspeitas.

“Muitas vítimas não conseguem pedir ajuda ou têm medo de denunciar seus agressores. Por isso, informações repassadas por familiares, profissionais da saúde e pela sociedade são fundamentais para proteger as vítimas e responsabilizar os autores”, afirmou o delegado.

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