ALVO DE OPERAÇÕES

Justiça aceita denúncia e vereador se torna réu por ligação com o CV

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O vereador afastado de Cuiabá, Paulo Henrique de Figueiredo (MDB), se tornou réu acusado de envolvimento com organização criminosa ligada ao Comando Vermelho, lavagem de dinheiro e corrupção. Outros quatro investigados pela operação também se tornaram réus. A medida é reflexo das Operações Ragnatela e Pubblicare.

A determinação foi dada nessa terça-feira (12) pelo juiz Jean Garcia de Freitas, da 7ª Vara Criminal da Capital, que em sua decisão afirmou que as provas mencionadas na denúncia feita pelo Ministério Público Estadual (MPMT) são elementos suficientes para o desencadeamento da ação penal.

“Com essas considerações, em análise à peça acusatória (…) Recebo a denúncia oferecida em face dos réus supracitados, por satisfazer os requisitos legais, vez que amparada em indícios de autoria e materialidade”, diz trecho do documento.

Além dele, também se tornaram réus. José Márcio Ambrósio Vieira irá responder por lavagem de dinheiro e organização criminosa; José Maria de Assunção e Rodrigo Anderson de Arruda Rosa, por organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, e Ronnei Antônio Souza da Silva apenas por corrupção ativa.

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O vereador foi preso no dia 20 de setembro durante um desdobramento da Operação Ragnatela, que investiga uma facção criminosa de Mato Grosso responsável por promover shows nacionais e lavar dinheiro em casas noturnas da capital.

De acordo com a investigação feita pela Polícia Federal, Paulo Henrique usava da sua influência política junto à Secretaria de Ordem Pública, onde é servidor de carreira, para garantir a liberação de licenças e alvarás para eventos organizados por uma facção.

A denúncia destaca que os integrantes da organização criminosa agiam sob ordens do parlamentar. A denúncia ainda aponta que o vereador era o responsável pela distribuição do dinheiro do suborno, com valores variando de R$ 2 mil a R$ 5 mil, dependendo das circunstâncias de cada fiscalização.

Paulo Henrique foi afastado da função de vereador e ainda está sendo monitorado por tornozeleira eletrônica. Diante do recebimento da denúncia, o juiz também retirou o sigilo dos autos.

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CIDADES

Prefeitura de Várzea Grande declara calamidade financeira após bloqueio de R$ 19 milhões

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A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), decretou situação de calamidade financeira e fiscal no município e também no Departamento de Água e Esgoto (DAE). Os decretos foram publicados em edição extra do Diário Oficial dos Municípios nesta quinta-feira (16) e estabelecem uma série de medidas para conter despesas e tentar reequilibrar as finanças da administração municipal.

De acordo com a prefeitura, a decisão foi motivada pelo bloqueio judicial de aproximadamente R$ 19 milhões nas contas do município, atingindo recursos provenientes do ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Segundo a gestão, o bloqueio ocorreu devido ao atraso no pagamento de três parcelas de precatórios, cada uma em torno de R$ 6,5 milhões, referentes a obrigações acumuladas nos anos de 2023 e 2024.

A administração afirma que, apesar de possuir uma arrecadação anual estimada em R$ 2 bilhões, Várzea Grande acumula cerca de R$ 1 bilhão em precatórios. Atualmente, o município desembolsa aproximadamente R$ 6 milhões por mês para quitar essas dívidas judiciais, valor significativamente superior aos cerca de R$ 500 mil mensais pagos na gestão anterior.

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Além dos precatórios, a prefeita aponta outros passivos herdados de administrações anteriores, entre eles uma dívida de R$ 19,4 milhões relacionada a créditos tributários e outra de R$ 36 milhões que, segundo a gestão, impede a emissão de certidões negativas e dificulta o acesso a recursos públicos.

Flávia Moretti também informou que o município garantiu emendas parlamentares destinadas às áreas de Saúde, Assistência Social e Infraestrutura, mas afirma que os recursos permanecem indisponíveis porque a Câmara Municipal ainda não aprovou projetos considerados essenciais pela prefeitura, como o parcelamento de débitos e o remanejamento orçamentário.

Com a publicação dos decretos, ficam suspensas a criação de novas despesas, realização de eventos e festividades, aquisição de bens permanentes que não sejam considerados urgentes e a celebração de novos contratos, salvo situações consideradas indispensáveis.

Além disso, todas as secretarias municipais terão cinco dias úteis para apresentar planos de redução de gastos administrativos.

A situação de calamidade financeira terá validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada. Apesar das restrições, a prefeitura informou que os serviços de Saúde, Educação, Assistência Social, pagamento da folha salarial, limpeza urbana e abastecimento de água terão prioridade na aplicação dos recursos.

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Em decreto separado, a prefeita estendeu a situação de calamidade financeira ao Departamento de Água e Esgoto (DAE), alegando que a autarquia enfrenta um grave desequilíbrio financeiro que coloca em risco a continuidade do abastecimento de água no município.

Segundo o documento, um levantamento apontou déficit orçamentário de R$ 28,7 milhões, além de irregularidades identificadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).

A prefeitura informa ainda que o DAE acumula R$ 172,2 milhões em débitos com a concessionária de energia elétrica, R$ 158,8 milhões em créditos que não foram inscritos em dívida ativa e mais de R$ 314 milhões em precatórios.

Diante desse cenário, o DAE terá prazo de 60 dias para apresentar um Plano de Recuperação Econômico-Financeira, contendo um diagnóstico da situação da autarquia, metas para ampliar a arrecadação, cronograma de investimentos e medidas voltadas à recuperação da sustentabilidade financeira e à manutenção dos serviços de abastecimento de água.

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