30 anos de espera

Mauro inaugura ZPE em Cáceres e abre novo ciclo de desenvolvimento para o Oeste de MT

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O Governo de Mato Grosso inaugurou, nesta sexta-feira (24), a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres, um complexo industrial de livre comércio voltado para empresas exportadoras. O projeto, paralisado há mais de três décadas, finalmente se torna realidade e promete transformar a dinâmica econômica da região Oeste do Estado.

Com investimento de R$ 51,3 milhões da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), a ZPE oferece incentivos fiscais, regimes cambiais e aduaneiros especiais, criando um ambiente atrativo para a instalação de indústrias voltadas à exportação.

“Esse é um marco histórico. Durante 30 anos, muitos tentaram. Coube ao Governo do Estado tirar do papel esse sonho antigo e entregar uma nova fronteira de desenvolvimento para Mato Grosso”, declarou o governador Mauro Mendes durante a cerimônia.

A ZPE de Cáceres ocupa 247 hectares, distribuídos em cinco módulos com 341 lotes industriais, além de recinto alfandegado, armazéns, área administrativa e sistemas tecnológicos para controle e exportação. O alfandegamento da área foi autorizado pela Receita Federal em março deste ano, permitindo o início das operações.

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Empresas interessadas já iniciaram tratativas para instalação. Durante a inauguração, uma comitiva de empresários chineses visitou o local para avaliar oportunidades de investimento.

Criada por decreto federal em 1990, a ZPE ficou estagnada por décadas por conta de impasses legais com a empresa AZPEC S/A, responsável pela administração. A retomada só foi possível após uma força-tarefa do governo estadual, iniciada em 2019, que solucionou pendências jurídicas, contábeis e estruturais até 2023.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, destacou o potencial estratégico do empreendimento.

“A ZPE é a porta de entrada para transformar matéria-prima mato-grossense em produtos com valor agregado. Aqui, o empresário vai encontrar condições ideais para competir no mercado global”, afirmou.

Presente na inauguração, o presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, elogiou a iniciativa e reforçou a importância das ZPEs como alavancas para o comércio exterior.

“Exportar é essencial para o Brasil crescer. A ZPE de Cáceres cumpre esse papel ao atrair indústrias, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento regional”, destacou Alckmin.

“Símbolo de luta e esperança”, diz prefeita

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A prefeita de Cáceres, Eliene Liberato, ressaltou o valor simbólico do projeto para a população local, que há décadas espera por essa estrutura.

“Mais que concreto e infraestrutura, este lugar carrega o suor e a esperança de gerações que sonharam com dias melhores para Cáceres. Hoje, essa esperança se concretiza”, afirmou.

O presidente da AZPEC, Aécio Rodrigues, relembrou os obstáculos enfrentados até a conclusão da obra.

“Foram muitos os desafios, mas o esforço coletivo venceu. E hoje já temos multinacionais prospectando a instalação na ZPE”, completou.

Com a inauguração da ZPE, o Governo de Mato Grosso espera não apenas aumentar a capacidade de exportação do estado, mas também descentralizar o eixo de desenvolvimento, hoje mais concentrado ao longo da BR-163. A expectativa é que a nova estrutura gere empregos diretos e indiretos, atraia novas indústrias e estimule a economia local.

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MPF aciona Justiça contra MT para proibir licenças ambientais sem consulta ao Iphan

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O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra o Estado de Mato Grosso e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para ampliar a proteção ao patrimônio arqueológico mato-grossense. A medida busca ajustar os procedimentos de licenciamento ambiental, para que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) consulte obrigatoriamente o Iphan sempre que houver risco de impacto sobre bens protegidos pela legislação federal — e não apenas quando já existirem locais previamente registrados.

A iniciativa decorre de uma recomendação enviada pelo MPF em março deste ano à Sema e aos 142 municípios do estado. Na ocasião, o órgão alertou que a interpretação dada à Instrução Normativa Sema nº 1/2017 afastava indevidamente a participação do Iphan, comprometendo a identificação e a preservação dos sítios.

A atuação do MPF se apoia no fato de que a legislação federal estabelece que todos os sítios arqueológicos pertencem à União e integram o patrimônio cultural brasileiro, independentemente de cadastro prévio. Assim, a inexistência de registros públicos não exime o estado da obrigação de consultar a autarquia federal nem de adotar medidas preventivas durante o licenciamento.

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Na ação, o MPF aponta que o Iphan é o responsável por elaborar os termos de referência para o licenciamento arqueológico corretivo e por mensurar os danos já causados. Entre os pedidos, estão:

  • Reconhecimento incidental da inconstitucionalidade e da ilegalidade da instrução normativa na parte que restringe a consulta ao órgão federal
  • Liminar de urgência para que a Sema se abstenha de emitir novas licenças sem a anuência do Iphan, sob pena de multa de R$ 1 milhão por licença concedida irregularmente
  • Levantamento das irregularidades em até 90 dias, com convocação dos empreendedores para o licenciamento corretivo, sob pena de multa diária de R$ 100 mil
  • Reparações financeiras, com condenação do Estado por danos materiais ao patrimônio arqueológico (valor a ser apurado na instrução do processo) e por danos extrapatrimoniais, com quantia destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos

 

A urgência da medida reflete os efeitos concretos trazidos na ação: entre 2021 e 2024, a Sema concedeu 3.074 licenças ambientais para atividades de alto impacto, mas o Iphan recebeu apenas 243 Fichas de Caracterização de Atividade (FCA) no mesmo período. Na prática, a maioria dos empreendimentos não passou pelo crivo da fiscalização federal.

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O órgão reuniu ainda casos reais de prejuízos decorrentes dessa omissão, como intervenções nas obras da Rodovia MT-130, impactos ao sítio arqueológico Serra Abaixo, em Cuiabá, e o surgimento de vestígios descobertos apenas depois do início da implantação da Usina Hidrelétrica de Colíder.

O procurador da República Gabriel Infante Magalhães Martins, autor da ação, destaca que “o licenciamento ambiental deve funcionar como instrumento efetivo de identificação e salvaguarda do patrimônio cultural, impedindo que o interesse meramente econômico prevaleça sobre a proteção de bens culturais não renováveis”.

A divulgação do caso integra as iniciativas do Agosto do Patrimônio Cultural, mês em que se celebra o Dia Nacional do Patrimônio Histórico e Cultural na próxima segunda-feira (17). A Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF promove uma ação coordenada para dar visibilidade às atuações do órgão em defesa do patrimônio cultural brasileiro.

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