ESTUPRO E PERSEGUIÇÃO

Vítima comemora condenação de ex-marido, mas prevê: “em 4 anos estará na rua”

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Stephany Leal Vareiro usou as redes sociais nesta quinta-feira, 13 de agosto, para comemorar a condenação do ex-marido, o empresário Alexandre Franzner Pisetta, a 11 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de estupro e perseguição qualificada.

Em uma publicação, Stephany afirmou que, apesar de considerar a pena uma vitória, acredita que o empresário poderá deixar a prisão antes do fim do período estabelecido pela Justiça.

“Sabemos que em 4 anos estará na rua, mas no estado onde a grande maioria dos homens são soltos na audiência de custódia, é uma vitória para nós mulheres”, escreveu.

A sentença foi proferida em junho deste ano pela juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá. Alexandre foi condenado a cumprir a pena inicialmente em regime fechado e também deverá pagar R$ 15 mil de indenização mínima por danos morais à vítima.

A Justiça manteve a prisão preventiva do empresário e negou a ele o direito de recorrer em liberdade.

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Segundo os autos, Stephany procurou as autoridades em maio de 2025 após denunciar agressões físicas e cárcere privado durante o processo de término do relacionamento. Na ocasião, foram concedidas medidas protetivas.

Alexandre acabou preso em dezembro de 2025 por descumprir as determinações judiciais. Conforme a investigação, ele teria utilizado números de terceiros para enviar mensagens com ofensas e ameaças à ex-companheira, incluindo uma imagem de arma de fogo.

Na sentença, a magistrada destacou a importância do depoimento da vítima em crimes de violência doméstica, especialmente porque esse tipo de violência costuma ocorrer sem a presença de testemunhas. A decisão também considerou relatórios técnicos de vídeos que, segundo os autos, registraram a resistência de Stephany e a investida sexual do empresário.

Alexandre foi absolvido apenas da acusação de descumprimento de medidas protetivas de urgência. A juíza entendeu que houve um período em que o casal reatou o relacionamento de forma consentida, o que gerou dúvida sobre a intenção do acusado de violar a ordem judicial naquele intervalo.

Apesar da absolvição nesse ponto, a condenação por estupro e perseguição foi mantida, assim como a prisão preventiva, determinada para garantir a ordem pública e preservar a integridade física e psicológica de Stephany.

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CIDADES

MPF aciona Justiça contra MT para proibir licenças ambientais sem consulta ao Iphan

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O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra o Estado de Mato Grosso e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para ampliar a proteção ao patrimônio arqueológico mato-grossense. A medida busca ajustar os procedimentos de licenciamento ambiental, para que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) consulte obrigatoriamente o Iphan sempre que houver risco de impacto sobre bens protegidos pela legislação federal — e não apenas quando já existirem locais previamente registrados.

A iniciativa decorre de uma recomendação enviada pelo MPF em março deste ano à Sema e aos 142 municípios do estado. Na ocasião, o órgão alertou que a interpretação dada à Instrução Normativa Sema nº 1/2017 afastava indevidamente a participação do Iphan, comprometendo a identificação e a preservação dos sítios.

A atuação do MPF se apoia no fato de que a legislação federal estabelece que todos os sítios arqueológicos pertencem à União e integram o patrimônio cultural brasileiro, independentemente de cadastro prévio. Assim, a inexistência de registros públicos não exime o estado da obrigação de consultar a autarquia federal nem de adotar medidas preventivas durante o licenciamento.

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Na ação, o MPF aponta que o Iphan é o responsável por elaborar os termos de referência para o licenciamento arqueológico corretivo e por mensurar os danos já causados. Entre os pedidos, estão:

  • Reconhecimento incidental da inconstitucionalidade e da ilegalidade da instrução normativa na parte que restringe a consulta ao órgão federal
  • Liminar de urgência para que a Sema se abstenha de emitir novas licenças sem a anuência do Iphan, sob pena de multa de R$ 1 milhão por licença concedida irregularmente
  • Levantamento das irregularidades em até 90 dias, com convocação dos empreendedores para o licenciamento corretivo, sob pena de multa diária de R$ 100 mil
  • Reparações financeiras, com condenação do Estado por danos materiais ao patrimônio arqueológico (valor a ser apurado na instrução do processo) e por danos extrapatrimoniais, com quantia destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos

 

A urgência da medida reflete os efeitos concretos trazidos na ação: entre 2021 e 2024, a Sema concedeu 3.074 licenças ambientais para atividades de alto impacto, mas o Iphan recebeu apenas 243 Fichas de Caracterização de Atividade (FCA) no mesmo período. Na prática, a maioria dos empreendimentos não passou pelo crivo da fiscalização federal.

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O órgão reuniu ainda casos reais de prejuízos decorrentes dessa omissão, como intervenções nas obras da Rodovia MT-130, impactos ao sítio arqueológico Serra Abaixo, em Cuiabá, e o surgimento de vestígios descobertos apenas depois do início da implantação da Usina Hidrelétrica de Colíder.

O procurador da República Gabriel Infante Magalhães Martins, autor da ação, destaca que “o licenciamento ambiental deve funcionar como instrumento efetivo de identificação e salvaguarda do patrimônio cultural, impedindo que o interesse meramente econômico prevaleça sobre a proteção de bens culturais não renováveis”.

A divulgação do caso integra as iniciativas do Agosto do Patrimônio Cultural, mês em que se celebra o Dia Nacional do Patrimônio Histórico e Cultural na próxima segunda-feira (17). A Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF promove uma ação coordenada para dar visibilidade às atuações do órgão em defesa do patrimônio cultural brasileiro.

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