DESCUMPRIMENTO DE TAC

MP pede bloqueio de R$ 15 milhões da Prefeitura de Cuiabá após morte de cães

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) voltou a solicitar à Justiça o bloqueio de R$ 15 milhões das contas da Prefeitura de Cuiabá para garantir o cumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2016, que estabelece uma série de obrigações para melhorar a política de proteção e bem-estar animal no município.

O novo pedido foi apresentado nesta quarta-feira (29), após a morte de cães que estavam em um galpão utilizado pela estrutura municipal de Bem-Estar Animal. O episódio motivou novas fiscalizações e levantou questionamentos sobre as condições oferecidas aos animais mantidos sob responsabilidade do município.

Segundo o promotor de Justiça Joelson de Campos Maciel, o bloqueio solicitado não tem caráter punitivo. A intenção, conforme o Ministério Público, é assegurar a existência de recursos para que as obrigações previstas no TAC sejam efetivamente cumpridas, incluindo obras, reformas e melhorias consideradas necessárias no Canil Municipal.

Além do bloqueio financeiro, o MPMT pediu que a Polícia Civil e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) encaminhem os laudos e demais documentos produzidos durante fiscalizações realizadas recentemente na unidade.

A Promotoria também determinou que a Prefeitura de Cuiabá apresente, no prazo de 10 dias, esclarecimentos sobre as mortes de animais registradas no local, os índices de mortalidade, possíveis casos de desnutrição, o descarte de medicamentos vencidos e outras providências adotadas pela administração.

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No mesmo período, o município deverá apresentar um plano detalhado com as medidas necessárias para cumprir integralmente as obrigações estabelecidas no TAC.

Na manifestação enviada à Justiça, o promotor afirma que a prefeitura permanece em situação de descumprimento do acordo, apesar de sustentar que as determinações vêm sendo atendidas.

O pedido de bloqueio de R$ 15 milhões já havia sido apresentado anteriormente, mas foi rejeitado pela Justiça. Na ocasião, em vez de autorizar a medida financeira, o Judiciário determinou uma vistoria no Canil Municipal, realizada por uma equipe do Juizado Volante Ambiental (Juvam).

O Ministério Público, porém, questiona as conclusões da inspeção. Segundo a Promotoria, a vistoria ocorreu em 15 de abril deste ano e teria sido comunicada previamente à prefeitura, o que, na avaliação do órgão, possibilitou a adoção de medidas temporárias para melhorar as condições aparentes da unidade antes da fiscalização.

O MPMT também aponta que, no mesmo dia da vistoria, a Secretaria Adjunta de Bem-Estar Animal realizou o descarte de medicamentos vencidos. A informação, segundo a Promotoria, não teria sido registrada no relatório produzido após a inspeção.

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A manifestação cita ainda uma fiscalização realizada pela Polícia Civil e pela Politec em 27 de julho, após denúncias sobre mortes de animais no Canil Municipal. Conforme o Ministério Público, foram identificados indícios de problemas nas condições de alojamento, incluindo calor excessivo, falta de ventilação e falhas no fornecimento de água.

Para o promotor Joelson de Campos Maciel, os acontecimentos recentes indicam que as dificuldades encontradas na unidade não seriam episódios isolados, mas problemas antigos e recorrentes na gestão do espaço.

O MPMT entende que o cenário reforça a necessidade de adoção de medidas urgentes para garantir o cumprimento das obrigações assumidas pela Prefeitura de Cuiabá no TAC firmado em 2016.

Procurada, a Prefeitura de Cuiabá informou que ainda não foi oficialmente notificada sobre o novo pedido e afirmou estar à disposição para apresentar informações sobre as ações e avanços relacionados à causa animal no município.

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CIDADES

Policial penal é condenado a 23 anos por facilitar entrada de drogas em presídio de MT

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Serginho Lapada

O policial penal Flávio Zanatta foi condenado a 23 anos, 4 meses e 20 dias de prisão por participação em um esquema que facilitava a entrada de drogas, celulares e outros materiais proibidos no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pontes e Lacerda, a 448 quilômetros de Cuiabá. Além da pena, ele perdeu o cargo público.

A sentença foi proferida pela juíza Djéssica Giseli Küntzer, da 3ª Vara de Pontes e Lacerda, que também condenou cinco detentos envolvidos no esquema. O processo tramita sob sigilo.

As condenações estão relacionadas a crimes como tráfico de drogas, associação criminosa, corrupção passiva e coação no curso do processo. As responsabilidades de cada réu foram definidas de acordo com as provas reunidas durante a ação penal.

O esquema foi descoberto em maio de 2024, quando servidores do presídio realizavam uma inspeção de rotina e encontraram pouco mais de 400 gramas de maconha escondidos dentro de um colchão que seria entregue a um detento.

O objeto havia sido comprado por um familiar do preso e levado até a unidade por um motorista de aplicativo. Durante a passagem pelo scanner corporal, os servidores identificaram algo suspeito no interior do colchão e localizaram a droga.

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No decorrer das investigações, ficou comprovado que o policial penal utilizava a função pública para facilitar a entrada de entorpecentes e aparelhos celulares na unidade. Segundo as provas analisadas no processo, ele recebia entre R$ 5 mil e R$ 10 mil pelos materiais ilícitos. O agente também cobrava R$ 1 mil para fornecer a senha da rede Wi-Fi do presídio.

Na sentença, a magistrada destacou que o policial se aproveitou do cargo para obter benefícios pessoais e comprometeu a segurança e o funcionamento do sistema prisional.

Após a descoberta do esquema, outro detento que colaborava com as investigações passou a ser ameaçado de morte pelos envolvidos. Segundo o processo, também houve tentativa de pressioná-lo para que alterasse seu depoimento e atribuísse a outros policiais penais a responsabilidade pelos crimes.

Além da pena de prisão, a perda do cargo público foi determinada em razão da gravidade das condutas e do uso da função estatal para viabilizar as práticas criminosas.

Também foram condenados Karen Caroline Marques da Silva, Igor da Silva de Carvalho, Rian Rodrigues de Souza Silva, Mateus Marangoni Silva e Rafael Maciel Ferreira Júnio. As penas impostas aos cinco variam de nove a 21 anos de prisão, todas em regime inicial fechado.

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As condenações são resultado das provas produzidas durante a investigação e o processo judicial que apurou o funcionamento do esquema dentro do CDP de Pontes e Lacerda.

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