O advogado e servidor público Ricardo Antônio de Lamonica Israel Pereira virou réu em uma ação penal depois que a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) pelo crime de lesão corporal de natureza grave. A decisão é do juiz João Francisco Campos de Almeida, da 6ª Vara Criminal de Cuiabá.
O episódio aconteceu na garagem de um edifício no Bairro Duque de Caxias, em Cuiabá, em 7 de agosto de 2023, por volta das 8h30. À época, Ricardo exercia o cargo de síndico do condomínio. Ele teria sido questionado por um morador sobre questões administrativas da gestão do prédio.
Durante o bate-boca, o acusado se exaltou e desferiu golpes e um chute violento contra a perna esquerda do morador, cujo nome foi preservado pela reportagem.
O impacto causou uma fratura diafisária na fíbula esquerda da vítima. A perícia médica constatou que a lesão deixou o homem incapacitado para as ocupações habituais por período superior a 30 dias, o que reclassificou o caso de lesão leve para grave.
Por envolver violência física, o Ministério Público negou a concessão de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP).
Na esfera cível, a conduta do advogado já sofreu punição. Em decisão do 5º Juizado Especial Cível de Cuiabá, Ricardo foi condenado ao pagamento de indenizações por danos morais e materiais à vítima. O processo está em fase de cumprimento de sentença, sob responsabilidade da juíza Lamisse Roder Feguri Alves Corrêa.
A magistrada determinou a penhora mensal de 10% sobre os rendimentos líquidos do advogado, descontados diretamente da folha de pagamento na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), até que seja atingido o valor atualizado da dívida, fixado em R$24.195,24.
Este não é o único entrevero de Ricardo de Lamonica com as autoridades. Ele ocupava cargo comissionado na Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) quando foi exonerado pelo Governo de Mato Grosso.
A demissão da cúpula da pasta ocorreu no rastro das investigações da Operação Suserano, deflagrada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), que apura um suposto esquema de sobrepreço e desvio de emendas parlamentares na execução de projetos de agricultura familiar.
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