DILÚVIO NA CAPITAL

Temporal provoca alagamentos em unidades de saúde de Cuiabá; atendimentos seguem sem prejuízo

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O forte temporal que atingiu Cuiabá na tarde deste domingo (22) provocou alagamentos pontuais em unidades da rede municipal de saúde. Apesar dos transtornos estruturais, a Prefeitura informou que nenhum paciente foi prejudicado e que os atendimentos seguem normalmente.

Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Leblon, houve retorno de água pelos ralos devido ao grande volume de chuva concentrado em curto espaço de tempo, o que comprometeu o escoamento da rede pluvial. Para conter o problema, um caminhão-fossa foi acionado para realizar a sucção da água acumulada. Técnicos da equipe de Obras da Secretaria Municipal de Saúde também estiveram no local para avaliar os danos e adotar as medidas necessárias.

Já no Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá, foram registrados pontos de alagamento em corredores da unidade. Segundo a Secretaria, a situação teria sido agravada por uma intervenção irregular em um imóvel vizinho, onde um buraco aberto no muro teria direcionado o fluxo da água da chuva para dentro da estrutura hospitalar.

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A administração municipal esclareceu que o Centro Médico Infantil (CMI) não foi atingido.

Em nota, a Secretaria destacou que o prédio do Hospital e Pronto-Socorro é antigo e enfrenta limitações estruturais, o que pode intensificar impactos durante períodos de chuvas intensas.

Assim que os alagamentos foram identificados, equipes de limpeza e manutenção foram mobilizadas para remover a água e realizar a higienização dos espaços afetados, garantindo segurança sanitária e continuidade dos serviços.

A Prefeitura informou que segue monitorando a situação e adotando providências para minimizar novos impactos caso as chuvas persistam.

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CIDADES

MPF aciona Justiça contra MT para proibir licenças ambientais sem consulta ao Iphan

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O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra o Estado de Mato Grosso e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para ampliar a proteção ao patrimônio arqueológico mato-grossense. A medida busca ajustar os procedimentos de licenciamento ambiental, para que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) consulte obrigatoriamente o Iphan sempre que houver risco de impacto sobre bens protegidos pela legislação federal — e não apenas quando já existirem locais previamente registrados.

A iniciativa decorre de uma recomendação enviada pelo MPF em março deste ano à Sema e aos 142 municípios do estado. Na ocasião, o órgão alertou que a interpretação dada à Instrução Normativa Sema nº 1/2017 afastava indevidamente a participação do Iphan, comprometendo a identificação e a preservação dos sítios.

A atuação do MPF se apoia no fato de que a legislação federal estabelece que todos os sítios arqueológicos pertencem à União e integram o patrimônio cultural brasileiro, independentemente de cadastro prévio. Assim, a inexistência de registros públicos não exime o estado da obrigação de consultar a autarquia federal nem de adotar medidas preventivas durante o licenciamento.

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Na ação, o MPF aponta que o Iphan é o responsável por elaborar os termos de referência para o licenciamento arqueológico corretivo e por mensurar os danos já causados. Entre os pedidos, estão:

  • Reconhecimento incidental da inconstitucionalidade e da ilegalidade da instrução normativa na parte que restringe a consulta ao órgão federal
  • Liminar de urgência para que a Sema se abstenha de emitir novas licenças sem a anuência do Iphan, sob pena de multa de R$ 1 milhão por licença concedida irregularmente
  • Levantamento das irregularidades em até 90 dias, com convocação dos empreendedores para o licenciamento corretivo, sob pena de multa diária de R$ 100 mil
  • Reparações financeiras, com condenação do Estado por danos materiais ao patrimônio arqueológico (valor a ser apurado na instrução do processo) e por danos extrapatrimoniais, com quantia destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos

 

A urgência da medida reflete os efeitos concretos trazidos na ação: entre 2021 e 2024, a Sema concedeu 3.074 licenças ambientais para atividades de alto impacto, mas o Iphan recebeu apenas 243 Fichas de Caracterização de Atividade (FCA) no mesmo período. Na prática, a maioria dos empreendimentos não passou pelo crivo da fiscalização federal.

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O órgão reuniu ainda casos reais de prejuízos decorrentes dessa omissão, como intervenções nas obras da Rodovia MT-130, impactos ao sítio arqueológico Serra Abaixo, em Cuiabá, e o surgimento de vestígios descobertos apenas depois do início da implantação da Usina Hidrelétrica de Colíder.

O procurador da República Gabriel Infante Magalhães Martins, autor da ação, destaca que “o licenciamento ambiental deve funcionar como instrumento efetivo de identificação e salvaguarda do patrimônio cultural, impedindo que o interesse meramente econômico prevaleça sobre a proteção de bens culturais não renováveis”.

A divulgação do caso integra as iniciativas do Agosto do Patrimônio Cultural, mês em que se celebra o Dia Nacional do Patrimônio Histórico e Cultural na próxima segunda-feira (17). A Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF promove uma ação coordenada para dar visibilidade às atuações do órgão em defesa do patrimônio cultural brasileiro.

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