PRAÇA POPULAR

Justiça livra empresário que destruiu deck do Haru de acusação por tentativa de homicídio

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O empresário José Clovis Pezzin de Almeida, conhecido como Marllon Pezzin, obteve uma vitória judicial importante no processo que apura a confusão e destruição ocorridas no restaurante Haru Oriental, na Praça Popular, em Cuiabá. A Justiça de Mato Grosso decidiu retirar a acusação de tentativa de homicídio com dolo eventual que pesava contra ele, após o episódio em que utilizou seu veículo para destruir a estrutura de madeira do estabelecimento.

A decisão judicial considerou que não houve elementos suficientes para sustentar a tese de que o empresário teve a intenção de matar ou que assumiu o risco de causar a morte de terceiros durante a manobra. Com isso, o processo foi desclassificado para crimes de menor potencial ofensivo em relação à vida, embora ele ainda responda por outros delitos relacionados ao caso.

Desclassificação e crimes remanescentes

O magistrado responsável pelo caso entendeu que a conduta de Pezzin, embora violenta e perigosa, foi direcionada ao patrimônio do restaurante e não especificamente contra as pessoas que estavam no local. Na época do ocorrido, em maio de 2025, o empresário jogou o carro contra o deck após uma briga que envolveu agressões a uma mulher e luta corporal com outros frequentadores.

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Apesar de se livrar da acusação mais grave, Marllon Pezzin continua sendo processado por dano qualificado, omissão de socorro e direção perigosa. A defesa do empresário sempre sustentou a tese de legítima defesa, alegando que ele estava sendo agredido e tentava fugir do local no momento em que atingiu a estrutura do restaurante japonês.

Histórico de polêmicas e prisões

O episódio no Haru é apenas um dos registros na extensa ficha policial do empresário. Meses após a destruição na Praça Popular, Pezzin foi preso preventivamente em Várzea Grande por agressões e ameaças contra sua ex-esposa, em um caso enquadrado na Lei Maria da Penha. Ele também é investigado por outros incidentes de violência doméstica e descumprimento de medidas protetivas.

A trajetória de Marllon Pezzin é marcada por diversas passagens pela polícia, incluindo indiciamentos anteriores e pedidos de exames de sanidade mental realizados pela defesa dentro do sistema prisional. O caso do Haru ganhou repercussão nacional devido às imagens de câmeras de segurança que mostraram o momento exato em que o deck foi pulverizado pelo impacto do veículo de luxo.

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Judiciário

Justiça decreta perda de cargo de investigador condenado por matar PM em Cuiabá após recurso do MP

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A Justiça de Mato Grosso acolheu, nesta segunda-feira (18), os embargos de declaração apresentados pelo Ministério Público Estadual (MPMT) e decretou a perda do cargo público do investigador da Polícia Civil Mario Wilson Vieira da Silva Gonçalves, condenado pelo Tribunal do Júri pelo homicídio do cabo da Polícia Militar Thiago de Souza Ruiz, morto a tiros dentro de uma conveniência em Cuiabá em abril de 2023. A decisão complementa a sentença do Júri Popular, proferida na quinta-feira (14), que havia condenado o réu a dois anos de detenção em regime aberto, mas deixou de analisar expressamente os efeitos extrapenais da condenação — entre eles, a perda da função pública.

O recurso foi protocolado pelo promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, titular da 1ª Promotoria Criminal de Cuiabá e coordenador do Núcleo de Defesa da Vida da Capital. Na manifestação, o MPMT apontou omissão na sentença original, destacando que o próprio réu afirmou durante o interrogatório que atuava na condição de policial civil no momento dos fatos — o que indicaria possível abuso de poder ou violação de dever funcional. A instituição também ressaltou que a pena aplicada foi superior a um ano, requisito legal previsto no artigo 92 do Código Penal para a decretação da perda do cargo público.

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Ao analisar o pedido, o juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, reconheceu a omissão e acolheu os embargos para complementar a sentença, sem alterar a condenação já fixada pelo Conselho de Sentença. Na decisão, o magistrado destacou que as provas produzidas em plenário — incluindo depoimentos e imagens — evidenciaram que o acusado estava armado, sob efeito de bebida alcoólica e envolvido em uma situação de conflito, circunstâncias incompatíveis com os deveres do cargo público.

“A perda do cargo não é automática e depende de fundamentação específica, mas, no caso concreto, estão presentes os requisitos legais para sua aplicação”, consignou o juiz na sentença complementar. O magistrado destacou ainda que o réu vinculou sua conduta ao exercício da função policial, inclusive ao justificar que portava arma de fogo em razão do cargo e que tomou a arma da vítima sob o argumento de averiguação. Para o juiz, houve grave violação dos deveres funcionais, uma vez que o exercício da atividade policial exige equilíbrio, prudência e observância rigorosa da legalidade — requisitos que foram desrespeitados no episódio.

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O crime ocorreu na madrugada do dia 27 de abril de 2023, por volta das 3h30, em uma conveniência localizada na rua Estevão de Mendonça, no bairro Quilombo, em Cuiabá. Mario Wilson foi a júri popular e acabou condenado por homicídio culposo — quando não há intenção de matar. A família do cabo Thiago Ruiz, que acompanhou todo o julgamento, vinha cobrando a anulação do júri e classificou a sentença inicial como impunidade. Com a decisão desta segunda-feira, além da pena de dois anos de detenção em regime aberto, o investigador perde o cargo que ocupava na Polícia Civil de Mato Grosso.

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