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MP recorre de sentença branda e família exige anulação do júri que condenou investigador por morte de PM

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Alair Ribeiro/TJMT

O Ministério Público de Mato Grosso já protocolou recurso contra a sentença que condenou o investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves a apenas dois anos de detenção pela morte do cabo Thiago de Souza Ruiz, ocorrida em abril de 2023 dentro de uma conveniência na Praça do Choppão, em Cuiabá. O promotor Vinícius Gahyva Martins confirmou a apelação depois que o Tribunal do Júri desclassificou o crime de homicídio qualificado para homicídio culposo — ou seja, sem intenção de matar —, reduzindo drasticamente a pena.

Mário Wilson foi condenado a dois anos de detenção em regime inicialmente aberto, com a pena substituída por duas medidas restritivas de direitos. A sentença, lida por volta das 22h20 de quinta-feira (14) após três dias de julgamento, também determinou a retirada imediata das medidas cautelares que o réu vinha cumprindo, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, e o condenou ao pagamento das custas processuais. O MP, no entanto, recorreu com base no artigo 593, inciso III, alínea “d”, do Código de Processo Penal, sustentando que a decisão dos jurados foi contrária às provas dos autos.

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A ex-convivente da vítima, Walkíria Filipaldi Corrêa, gravou um vídeo contundente publicado nas redes sociais para expressar a indignação da família. “E é só o Mário que tem família? O Mário saiu pela porta da frente ontem, do fórum, comemorando. A vida virou o quê? A morte de alguém virou uma comemoração”, desabafou. Ela acusou a defesa de atacar a imagem do PM durante os debates em plenário e questionou a tese aceita pelos jurados. “Em nenhuma página do processo há menção a homicídio culposo por negligência. Até o boletim de ocorrência é homicídio qualificado”, afirmou.

Walkíria lembrou que Thiago foi atingido por sete disparos dentro da conveniência e que o réu não teve nenhum temor de agir diante das câmeras do estabelecimento. Ela também citou o estatuto da Polícia Civil, que proíbe policiais de se apresentarem em público sob efeito de álcool portando arma de fogo. “A abordagem não foi legítima”, disparou. Ao final, ela pediu a anulação do júri e disse confiar no recurso do Ministério Público. “Isso é justiça. O resto será impunidade.”

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Judiciário

Defesa questiona desaparecimento de 52 segundos de vídeo durante julgamento de investigador que matou PM

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A defesa do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves levantou uma suspeita grave durante o Tribunal do Júri realizado nesta quarta-feira (13), no Fórum de Cuiabá. O advogado Renan Canto denunciou o desaparecimento de 52 segundos das imagens do circuito interno da conveniência onde o policial militar Thiago de Souza Ruiz foi morto, em abril de 2023. O questionamento foi feito durante a oitiva do delegado André Monteiro, ouvido como testemunha no segundo dia de julgamento.

Segundo a defesa, o trecho ausente das gravações — que seriam cruciais para demonstrar se o acusado agiu ou não em legítima defesa — só foi apresentado nos autos em dezembro do ano passado, após uma reportagem publicada pelo portal UOL. Durante o depoimento, o advogado perguntou diretamente ao delegado sobre a importância das imagens completas para a análise administrativa e criminal do caso. “O senhor sabe nos dizer por que 52 segundos de vídeo desapareceram do processo criminal?”, indagou o defensor.

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O delegado André Monteiro, que já atuou como corregedor no Acre, respondeu que não sabia informar como o sumiço teria ocorrido, mas afirmou que todo material audiovisual que contribui para o esclarecimento dos fatos deve ser analisado integralmente. A defesa sustenta que o réu possui problemas de locomoção e que o conteúdo do vídeo seria determinante para comprovar que ele agiu para se proteger, e não com intenção de matar o PM.

O julgamento segue no Fórum de Cuiabá com a oitiva de testemunhas, debates entre defesa e acusação e, posteriormente, o interrogatório do réu. O desaparecimento do trecho de 52 segundos deve ser objeto de questionamento em eventual recurso, caso o investigador seja condenado pelo conselho de sentença. A suspeita de adulteração ou extravio de provas adiciona mais um elemento de tensão a um júri que já mobiliza a atenção da corporação e da sociedade cuiabana.

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