JÚRI EM CUIABÁ

Defesa questiona desaparecimento de 52 segundos de vídeo durante julgamento de investigador que matou PM

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A defesa do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves levantou uma suspeita grave durante o Tribunal do Júri realizado nesta quarta-feira (13), no Fórum de Cuiabá. O advogado Renan Canto denunciou o desaparecimento de 52 segundos das imagens do circuito interno da conveniência onde o policial militar Thiago de Souza Ruiz foi morto, em abril de 2023. O questionamento foi feito durante a oitiva do delegado André Monteiro, ouvido como testemunha no segundo dia de julgamento.

Segundo a defesa, o trecho ausente das gravações — que seriam cruciais para demonstrar se o acusado agiu ou não em legítima defesa — só foi apresentado nos autos em dezembro do ano passado, após uma reportagem publicada pelo portal UOL. Durante o depoimento, o advogado perguntou diretamente ao delegado sobre a importância das imagens completas para a análise administrativa e criminal do caso. “O senhor sabe nos dizer por que 52 segundos de vídeo desapareceram do processo criminal?”, indagou o defensor.

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O delegado André Monteiro, que já atuou como corregedor no Acre, respondeu que não sabia informar como o sumiço teria ocorrido, mas afirmou que todo material audiovisual que contribui para o esclarecimento dos fatos deve ser analisado integralmente. A defesa sustenta que o réu possui problemas de locomoção e que o conteúdo do vídeo seria determinante para comprovar que ele agiu para se proteger, e não com intenção de matar o PM.

O julgamento segue no Fórum de Cuiabá com a oitiva de testemunhas, debates entre defesa e acusação e, posteriormente, o interrogatório do réu. O desaparecimento do trecho de 52 segundos deve ser objeto de questionamento em eventual recurso, caso o investigador seja condenado pelo conselho de sentença. A suspeita de adulteração ou extravio de provas adiciona mais um elemento de tensão a um júri que já mobiliza a atenção da corporação e da sociedade cuiabana.

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Judiciário

Justiça decreta perda de cargo de investigador condenado por matar PM em Cuiabá após recurso do MP

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A Justiça de Mato Grosso acolheu, nesta segunda-feira (18), os embargos de declaração apresentados pelo Ministério Público Estadual (MPMT) e decretou a perda do cargo público do investigador da Polícia Civil Mario Wilson Vieira da Silva Gonçalves, condenado pelo Tribunal do Júri pelo homicídio do cabo da Polícia Militar Thiago de Souza Ruiz, morto a tiros dentro de uma conveniência em Cuiabá em abril de 2023. A decisão complementa a sentença do Júri Popular, proferida na quinta-feira (14), que havia condenado o réu a dois anos de detenção em regime aberto, mas deixou de analisar expressamente os efeitos extrapenais da condenação — entre eles, a perda da função pública.

O recurso foi protocolado pelo promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, titular da 1ª Promotoria Criminal de Cuiabá e coordenador do Núcleo de Defesa da Vida da Capital. Na manifestação, o MPMT apontou omissão na sentença original, destacando que o próprio réu afirmou durante o interrogatório que atuava na condição de policial civil no momento dos fatos — o que indicaria possível abuso de poder ou violação de dever funcional. A instituição também ressaltou que a pena aplicada foi superior a um ano, requisito legal previsto no artigo 92 do Código Penal para a decretação da perda do cargo público.

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Ao analisar o pedido, o juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, reconheceu a omissão e acolheu os embargos para complementar a sentença, sem alterar a condenação já fixada pelo Conselho de Sentença. Na decisão, o magistrado destacou que as provas produzidas em plenário — incluindo depoimentos e imagens — evidenciaram que o acusado estava armado, sob efeito de bebida alcoólica e envolvido em uma situação de conflito, circunstâncias incompatíveis com os deveres do cargo público.

“A perda do cargo não é automática e depende de fundamentação específica, mas, no caso concreto, estão presentes os requisitos legais para sua aplicação”, consignou o juiz na sentença complementar. O magistrado destacou ainda que o réu vinculou sua conduta ao exercício da função policial, inclusive ao justificar que portava arma de fogo em razão do cargo e que tomou a arma da vítima sob o argumento de averiguação. Para o juiz, houve grave violação dos deveres funcionais, uma vez que o exercício da atividade policial exige equilíbrio, prudência e observância rigorosa da legalidade — requisitos que foram desrespeitados no episódio.

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O crime ocorreu na madrugada do dia 27 de abril de 2023, por volta das 3h30, em uma conveniência localizada na rua Estevão de Mendonça, no bairro Quilombo, em Cuiabá. Mario Wilson foi a júri popular e acabou condenado por homicídio culposo — quando não há intenção de matar. A família do cabo Thiago Ruiz, que acompanhou todo o julgamento, vinha cobrando a anulação do júri e classificou a sentença inicial como impunidade. Com a decisão desta segunda-feira, além da pena de dois anos de detenção em regime aberto, o investigador perde o cargo que ocupava na Polícia Civil de Mato Grosso.

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