ÉTICA LEGISLATIVA

Câmara de Cuiabá encerra investigação e livra Chico 2000 de sanções

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A Comissão de Ética da Câmara de Cuiabá decidiu, nesta quinta-feira (4), arquivar a denúncia apresentada pelo vereador Tenente-coronel Dias (Cidadania) contra o vereador Chico 2000 (PL). O caso tratava de um desentendimento registrado em 7 de outubro de 2025, durante uma sessão suspensa e marcada por forte tumulto no plenário.

Dias acusou Chico 2000 de proferir ofensas, ameaças e causar dano moral, apontando supostas violações a artigos do Código de Ética e Decoro Parlamentar. Segundo a representação, a postura comprometeria a imagem da Casa e dos parlamentares.

Chico 2000 argumentou que sua fala foi uma reação imediata ao clima tenso da sessão. Ele reconheceu que elevou o tom e que poderia ter usado outras palavras, mas negou qualquer intenção de desrespeitar colegas ou de prejudicar a instituição.

O relator Rafael Ranalli (PL) recomendou o arquivamento ao avaliar que não havia base suficiente para dar continuidade ao processo. A conclusão foi acompanhada pelo presidente da comissão, Eduardo Magalhães (Republicanos), e pelo vice-presidente, Cezinha Nascimento (União), encerrando o caso sem aplicação de sanções.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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