tribunal do júri

Réu é condenado a 46 anos de prisão por matar casal de idosos

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Alex Campos dos Santos foi condenado a 46 anos, sete meses e 12 dias de prisão pelo assassinato de um casal de idosos e por furto majorado, em São José dos Quatro Marcos (a 300 km de Cuiabá). Ele foi julgado pelo Tribunal do Júri da comarca no dia 3 de outubro.

O Conselho de Sentença reconheceu que o homicídio de João Geraldo de Oliveira foi cometido por motivo fútil, com uso de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Já o assassinato de Maria Aparecida de Oliveira foi praticado por meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e com o objetivo de garantir a impunidade do crime anterior.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, os crimes ocorreram em fevereiro de 2021, no sítio Nossa Senhora Aparecida, na zona rural do município. Alex foi ao local para caçar capivaras e acabou discutindo com João Geraldo, que o repreendeu por invadir a propriedade. O réu matou o idoso com golpes de pedra e, em seguida, espancou e estrangulou Maria Aparecida dentro da casa.

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Após os crimes, Alex usou o celular das vítimas, fugiu com o carro, tentou invadir outra residência, ateou fogo no veículo e escapou ferido. Ele foi preso dias depois na cidade de Buritama, interior de São Paulo.

O promotor de Justiça Jacques de Barros Lopes atuou no julgamento.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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