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Conselho inocenta tenente por morte de aluno

Defesa alega que “tapado e cagão” são “gírias militares”

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Cagão, tapado e mulambo. Essas são apenas algumas das palavras que constam no “Dicionário de Gírias Militares”, documento que foi juntado ao processo administrativo pela defesa da tenente do Corpo de Bombeiros, Izadora Ledur de Souza Dechamps. Ela é acusada da morte de um aluno do curso de formação de soldados dos bombeiros, durante aula de instrução de salvamento aquático. 

Os tais “jargões” teriam sido aceitos pelo Conselho de Justificação, que considerou que a tenente está apta a permanecer na ativa da corporação. Sua defesa alegou que “no meio militar é plenamente aceito, corriqueiro, normal e não tem nada de ofensivo”, conforme mostra reportagem do G1, que teve acesso ao conteúdo da decisão administrativa.

A publicação aponta, ainda, que a defesa utilizou o dicionário para alegar que não houve “qualquer xingamento à moral, à ética ou a disciplina, apesar dos xingamentos proferidos por Ledur, classificados por alguns alunos como pressão psicológica”. 

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O caso – A instrutora de salvamento é acusada da morte do aluno Rodrigo Patrício Lima Claro, de 21 anos, durante aula de instrução de salvamento do curso de formação de soldados do Corpo de Bombeiros. O caso ocorreu no dia 15 de novembro de 2016 em uma aula na Lagoa Trevisan, em Cuiabá. A tenente continua respondendo criminalmente pela morte do aluno. 

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Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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