4º dia de buscas

Juliana Marins, brasileira que caiu em trilha de vulcão na Indonésia, é encontrada morta

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A brasileira Juliana Marins, 26, presa a 650 metros de profundidade após cair durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, morreu. A informação foi confirmada pela família dela nas redes sociais.

Informação sobre morte veio após o quarto dia de tentativa de resgate da brasileira. Poucas horas antes da confirmação da família, o Ministério do Turismo afirmou que ela estava em “estado terminal”, segundo avaliação das equipes de busca.

Pai de Juliana está a caminho de Bali. Manoel Marins disse nas redes sociais que estava partindo de Lisboa para o país asiático por volta das 8h (horário de Brasília). Ele chegou ao aeroporto português ontem, mas não conseguiu voar para por causa de bombardeios que fecharam aeroportos no Oriente Médio.

“Seguimos muito gratos por todas as orações, mensagens de carinho e apoio que temos recebido”, família de Juliana, em publicação nas redes sociais…

Equipe de sete socorristas se aproximou do ponto onde a brasileira está, mas precisou voltar para acampamento móvel porque estava anoitecendo. A informação foi publicada pela administração do parque nas redes sociais, que afirmou também que “continuam os esforços” para buscar Juliana com uma técnica de resgate vertical.

O “acampamento móvel” fica no caminho entre o topo da trilha e o ponto onde Juliana foi vista pela última vez. A ideia dos times de resgate é de que o grupo de socorristas não precise voltar até o começo da trilha, se guindo com as operações assim que o clima e a luz do sol permitirem.

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Condições climáticas não permitiram que um helicóptero fosse usado para o socorro, já que há acúmulo de névoa. Segundo a família, equipes trabalham com três abordagens diferentes para retirar a brasileira do local, porém não foram divulgados detalhes sobre quais seriam as outras.

Trecho da trilha onde jovem caiu foi fechado para a operação de resgate. A informação foi confirmada pela administração do parque, que, por três dias, permitiu a entrada e passagem de turistas pelo mesmo local onde a brasileira se desequilibrou e caiu.

Demora no resgate ocorreu por dificuldades na trilha, diz governo local. A Barsanas (Agência Nacional de Resgate da Indonésia) afirmou que a dificuldade de acesso à trilha fez com que as pessoas que viram que Juliana tinha caído levassem oito horas até conseguir avisar as autoridades sobre o acidente. Segundo eles, desde o primeiro dia tentativas de resgate com cordas e macas foram feitas, sem sucesso.

Drone térmico localizou paradeiro da brasileira ontem, perto de um desfiladeiro. A agência de resgate voltou a afirmar que Juliana foi vista imóvel, 400 metros abaixo do ponto da queda original dela e à beira de um desfiladeiro de “altíssima dificuldade de acesso”.

Entenda o caso

A publicitária Juliana Marins, de 26 anos, tropeçou e escorregou durante a trilha na noite de sexta-feira (20). Ela rolou da montanha e foi parar a cerca de 300 metros abaixo do caminho da trilha, no vulcão Rinjani, na ilha de Lombok. Com isso, ficou debilitada e não conseguia se movimentar.

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Três horas depois do acidente, um grupo de espanhóis encontrou a brasileira. A irmã dela, Mariana, vive em Niterói (RJ), disse ao UOL que as pessoas que passaram pelo local perguntaram o nome de Juliana e tentaram achar familiares e amigos dela pelas redes sociais.

Família acompanhou situação por fotos e vídeos enviados pelos espanhóis, na espera pelo resgate. Mariana diz que tudo se agravou com o aparecimento de uma neblina e umidade muito forte, que fez com que Juliana escorregasse ainda mais da pedra. A irmã chegou a dizer que seria um ”absurdo se ela morresse por falta de socorro”.

Juliana fazia um ”mochilão” desde o final de fevereiro com uma agência de turismo. ”A empresa de turismo que a levou ficou mentindo o tempo todo, dizendo que o resgate tinha chegado, e não tinha chegado coisa nenhuma”, relatou a irmã.

Vaquinhas falsas foram criadas em nome da família. Em publicação nas redes sociais, os parentes de Juliana afirmaram que não criaram nenhum perfil para pedir ajuda nas redes sociais. “Esses perfis [que estão pedindo dinheiro] são fake. Denunciem”, afirmaram.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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