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Produtor rural é condenado a 31 anos de prisão por morte de advogado

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O Tribunal do Júri da 3ª Vara Criminal de Juína condenou, nesta terça-feira (22), Gilmar Bernardes Prestes a 31 anos e 12 dias de reclusão, além de 10 dias-multa, pelo assassinato do advogado Weberkrey Ribeiro Botelho. Ele foi julgado por homicídio qualificado (motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima).

A sentença foi proferida pelo juiz Vagner Dupim Dias e o promotor de Justiça Adalberto Biazotto Júnior foi o representante do Ministério Público (MPMT) que atuou no Júri como autor da ação penal, com o apoio do assistente de acusação Carmelindo Ferreira Botelho.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu na madrugada de 3 de dezembro de 2022, por volta das 3h30, na Rua Itália, Bairro Padre Duílio. Gilmar surpreendeu a vítima e efetuou diversos disparos de arma de fogo, atingindo-a no braço, nas costas, nas axilas e no coração. A motivação, conforme apurado, foi o inconformismo do réu com o fato de sua ex-companheira manter novas relações pessoais.

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Além do homicídio consumado, Gilmar também foi denunciado por tentativa de homicídio triplamente qualificado contra Eliane Barbosa da Silva, sua ex-companheira, que foi baleada nos braços e nas pernas, mas sobreviveu. O crime foi enquadrado como tentativa de feminicídio, por ter sido praticado em contexto de violência doméstica e por razões da condição de sexo feminino da vítima.

O réu cumprirá a pena inicialmente em regime fechado, conforme determinado na sentença.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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