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Justiça de Cuiabá rejeita pedido de reintegração de posse de fazenda no Sucuri pela Damata

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A Justiça Agrária de Cuiabá negou o pedido de reintegração de posse de uma fazenda de 18,9 hectares, no Distrito do Sucuri, feito pela Damata Participações. A juíza Adriana Sant’Anna Coningham, responsável pela decisão, destacou que outro processo em andamento, que envolve as mesmas partes, coloca em dúvida a legitimidade da posse da área que a empresa reivindica.

De acordo com a Damata, a empresa adquiriu o imóvel em janeiro de 2021 e, desde então, teria mantido um caseiro e sua família no local. A empresa relatou que o atual ocupante da propriedade, Ângelo João Meneguzzi, passou a invadir a área, despejando resíduos e ameaçando o caseiro, sob a alegação de possuir créditos a receber do antigo proprietário. A situação levou a Damata a registrar boletim de ocorrência.

Entretanto, a juíza apontou que existe outro processo judicial, na 9ª Vara Cível de Cuiabá, no qual a Damata perdeu. Nesse processo, Evaldo Ferreira Leão, representado por Meneguzzi, obteve uma decisão favorável, que rescindiu o contrato firmado com a Damata e determinou sua reintegração na posse do imóvel.

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“Foi apresentada uma sentença que rescindiu o contrato entre as partes e determinou a reintegração do autor à posse do imóvel”, afirmou a juíza, ao negar o pedido de liminar.

A decisão ainda pode ser contestada pela Damata, que tem a possibilidade de recorrer da sentença.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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