NOTIFICADA SETE VEZES

Locar descumpre plano emergencial de coleta apresentado à prefeitura; veja documentos

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Mesmo após sete notificações formais, a empresa Locar Saneamento Ambiental continua a descumprir os compromissos estabelecidos no plano emergencial apresentado em reunião com o prefeito Abilio Brunini no dia 6 de janeiro. Falhas na coleta foram registradas diariamente, com diversos bairros atendidos apenas parcialmente e outros sequer contemplados pelo serviço essencial.

De acordo com relatórios emitidos pela Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb), as falhas mais graves estão concentradas nas regiões oeste e norte da capital, além dos distritos.

As notificações advertiram a Locar sobre a insuficiência de melhorias significativas na coleta de lixo, mesmo após a apresentação do plano emergencial no dia 3 de dezembro de 2024.

“É fato que, no início de janeiro, havia um grande acúmulo de lixo nas ruas. No entanto, já se passaram 21 dias desde o início da implementação do plano emergencial, e os resultados estão aquém do necessário. Acompanhamos diariamente a operação, e a quantidade de caminhões utilizados pela empresa varia entre 23 e 25 por dia, sendo que aproximadamente metade desses veículos possui capacidade de 15m³, dois têm capacidade de 6m³, e menos da metade alcança os 19m³. Isso é insuficiente para atender um município do porte de Cuiabá”, destacou o diretor-geral da Limpurb, Reginaldo Teixeira.

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Segundo o planejamento apresentado, seriam necessários 29 caminhões compactadores com capacidade de 19m³, dois de 6m³ e um veículo de 15m³ equipado com munck para a coleta das lixeiras subterrâneas do centro da cidade.

“O cenário atual demonstra que a frota da Locar está abaixo do necessário para atender a demanda de Cuiabá. É imprescindível um aumento imediato no número de caminhões em operação para que a coleta melhore de maneira significativa”, reforçou o coordenador de Resíduos Sólidos da Limpurb, Henrique Ramos de Oliveira.

Outro problema apontado no documento é a ausência de veículos equipados com sistema de GPS, dificultando o monitoramento e a fiscalização do itinerário da coleta.

O secretário de Obras, Reginaldo Teixeira, também foi enfático ao apontar o prazo final estabelecido pela prefeitura. “A empresa Locar tem até o dia 6 de fevereiro para resolver a situação e atender plenamente às necessidades do município. Caso contrário, conforme determinação do prefeito Abilio Brunini, o contrato será rescindido, e outras providências serão tomadas para garantir que a população não fique sem esse serviço essencial”, afirmou.

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#PraCegoVer
A foto mostra um homem usando um colete verde com a inscrição “LIMPURB”. No canto esquerdo, aparecem dois caminhões coletores de lixo, um branco e outro verde trafegando em estrada sem pavimentação.

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Pinga Fogo

Quilombolas de Poconé denunciam ameaças e danos ambientais em território tradicional

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A Comunidade Quilombola Carretão, localizada na zona rural de Poconé (MT), completa mais de uma década imersa em um conflito fundiário que parece longe de um desfecho. Com processos judiciais arrastados desde 2013, as famílias remanescentes relatam um cenário de cerceamento de direitos, impactos ambientais severos e um clima de insegurança que já forçou a saída de diversos moradores do território ancestral.

O caso ganhou um novo capítulo no início de julho de 2026, com uma visita técnica do Ministério Público Federal (MPF) à região. A diligência buscou colher depoimentos e observar in loco as condições das famílias que reivindicam a regularização da área, atualmente ocupada por dois produtores rurais.

Memória e fé sob cadeados

Uma das denúncias mais sensíveis apresentadas pela comunidade envolve o impedimento de acesso ao antigo cemitério local. Segundo os quilombolas, o espaço abriga antepassados sepultados há cerca de três séculos. O fechamento de porteiras com cadeados teria interrompido rituais de visitação e manutenção, ferindo não apenas o direito possessório, mas o patrimônio histórico e cultural da comunidade.

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O “Córrego do Nilo” e o rastro da seca

No campo ambiental, os moradores apontam intervenções que teriam alterado o curso de nascentes para favorecer a atividade agropecuária. O histórico “Córrego do Nilo”, essencial para o abastecimento das famílias, teria sofrido desvios por meio de canais de drenagem, resultando em valas secas onde antes a água corria naturalmente. Até o momento, órgãos ambientais ainda não emitiram laudos públicos que confirmem a extensão dos danos.

Rastro de violência e medo

A disputa também é marcada por um histórico de violência. Lideranças afirmam que mais de 15 boletins de ocorrência foram registrados em Poconé e Várzea Grande nos últimos anos. Os relatos incluem ameaças diretas e disparos de arma de fogo próximos às residências, táticas de intimidação que, segundo a comunidade, visam expulsar os remanescentes da área em litígio.

O caminho da Justiça

Embora os quilombolas questionem a validade de documentos cartoriais apresentados pelos ocupantes, o Poder Judiciário ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre possíveis fraudes ou ilegalidades.

A reportagem mantém o espaço aberto para as manifestações dos produtores rurais citados, do Incra e das demais autoridades mencionadas. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos da visita do MPF, que pode acelerar a solução de um conflito que atravessa gerações e mantém em xeque a segurança jurídica e a dignidade da Comunidade Carretão.

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